A questão das falhas de comunicações nas aldeias serranas do concelho dominou parte do debate na reunião da Assembleia Municipal de Anadia, realizada a 27 de fevereiro.
Joaquim Ramos Pereira, deputado da bancada do Partido Socialista, começou por saudar o reconhecimento do estado de calamidade para o território do concelho por parte do Governo, mas alertou para problemas estruturais que continuam por resolver, nomeadamente a ausência de cobertura de telecomunicações em algumas zonas de montanha.
O deputado referiu que existem localidades onde, em determinadas circunstâncias, não é possível contactar o 112 ou aceder ao sistema SIRESP, sublinhando que a comunicação é um serviço essencial. “Não há atratividade nestes territórios, não são condições de vida atualmente. Existem poucas pessoas ali, mas existem e precisam”, afirmou, defendendo a necessidade de medidas excecionais. Joaquim Ramos Pereira acrescentou ainda que, apesar de o tema já ter sido discutido em várias instâncias, não é conhecida até ao momento qualquer posição concreta ou movimentação efetiva por parte do executivo camarário.
Na resposta, o presidente da Câmara Municipal de Anadia, Jorge Sampaio, reconheceu que se trata de uma preocupação transversal e garantiu que o município tem vindo a insistir junto das operadoras de telecomunicações. Segundo o autarca, já foi solicitada reunião com duas das empresas que operam no concelho, embora ainda sem concretização.


O presidente revelou ainda que está a ser analisada uma possível solução com a empresa Starlink, no sentido de assegurar, pelo menos, comunicações de emergência. “Não descansaremos enquanto houver uma casa que seja sem comunicações”, assegurou.
Joaquim Ramos Pereira retorquiu que o facto de a autarquia se encontrar a estudar o assunto não tranquiliza a bancada socialista, lembrando que o primeiro contacto formal com as operadoras ainda não se concretizou.
Investimento na BTL também em discussão
Ainda durante a sessão, o deputado do PS Sérgio Bandeira considerou positiva a presença do município na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), mas questionou o montante investido.
Em resposta, Jorge Sampaio explicou que o espaço foi concebido para servir de plataforma de trabalho e promoção para os diversos agentes económicos do concelho, acrescentando que o investimento foi articulado com esses parceiros. O valor global da participação do município na Bolsa de Turismo de Lisboa deverá situar-se entre os 75 mil e os 100 mil euros.

