Cruzeiro de Mogofores: Câmara defende mudança por “preservação”

A contestada decisão de remover o cruzeiro da freguesia de Mogofores, em Anadia, no âmbito das obras de requalificação da Rua Nossa Senhora Auxiliadora, São João Bosco e Visconde de Seabra, continua a gerar forte mobilização popular. O monumento, datado de 1733, é visto como um símbolo identitário da aldeia e a sua possível deslocação causou indignação, protestos e até incidentes durante manifestações.

Na Assembleia Municipal de 12 de junho, os moradores voltaram a exigir explicações, com uma intervenção emotiva e fundamentada de uma cidadã da freguesia, que denunciou a ausência de consulta pública e destacou que “não estamos contra a obra, mas sim contra a remoção de um bem histórico sem ouvir a população”. Referiu ainda que o monumento está atualmente em processo de classificação junto da Direção-Geral do Património Cultural, o que, segundo a legislação vigente (Lei n.º 107/2001), obriga a procedimentos técnicos rigorosos, à suspensão de qualquer intervenção que o afete e à justificação formal de qualquer deslocalização.

A mesma intervenção revelou que o projeto de requalificação não prevê nenhuma paragem de autocarro na nova configuração das ruas e levantou questões quanto à qualificação da empresa responsável pelas obras.

PUBPerante as críticas, a presidente da Câmara Municipal, Teresa Cardoso, respondeu diretamente: “É mentira que a Câmara Municipal vai destruir o monumento. O que está previsto é a mudança de local.” A autarca referiu que a relocalização do cruzeiro surgiu também “a pedido de muitas pessoas” e justificou a decisão com argumentos de ordem prática: “O trânsito tem dificuldade em fluir, inclusive já houve embates. Não queremos destruir o cruzeiro, queremos sim preservá-lo. Por isso, entendemos que a sua deslocalização será feita para garantir segurança e melhor circulação.” Teresa Cardoso salientou ainda que o trânsito em Mogofores aumentou significativamente devido à resposta social na área da infância e da terceira idade, havendo falta de estacionamento e risco acrescido para peões.

Além da questão do cruzeiro, houve ainda espaço na Assembleia para a intervenção de uma comerciante local, que manifestou preocupação com o impacto das obras no seu negócio e pediu uma data concreta para a sua conclusão. Em resposta, a presidente indicou que o fim dos trabalhos está previsto até final de setembro.

Entretanto, os moradores mantêm a sua posição e prometem continuar mobilizados até que a decisão seja revista ou que lhes sejam dadas garantias concretas de preservação histórica e legal. Para muitos, o cruzeiro não é apenas uma peça de pedra, mas parte da alma de Mogofores — e mover o cruzeiro sem o devido consenso é, dizem, “romper com a memória e a dignidade da freguesia”.

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