Do alto do Vale da Mó: Efemérides do mês por Nelson Cerveira

Augusto Cancela de Abreu (AnadiaArcos14 de Agosto de 1895 — Lisboa6 de Abril de 1965). Foi sepultado no cemitério do Monte Crasto – Anadia.

Licenciado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa e administrador de várias grandes empresas. Foi: Subdiretor e Diretor dos Caminhos-de-ferro de Cascais (Sociedade Estoril); Administrador dos Caminhos-de-ferro da Beira Alta; Presidente da Assembleia Geral da C.P.; Administrador da Companhia Nacional de Fiação e Tecidos de Torres Novas; delegado do Governo junto do Grémio de Exportação de vinhos; membro da Direção da Associação dos Engenheiros Civis e da Ordem dos Engenheiros; presidente da Assembleia Gera do Automóvel Clube de Portugal.

Foi um político ligado ao regime do Estado Novo (era monárquico) que desempenhou funções de relevo: Presidente da Comissão Concelhia e vogal da Comissão Distrital de Lisboa da União Nacional; Chefe de gabinete do Ministério da Agricultura, Comércio e Indústria (1932-1934); Ministro das Obras Públicas e Comunicações (1944-09-06 a 1947-02-04); Ministro do Interior (1947-02-04 a 1950-08-02); Presidente da Comissão Executiva da União Nacional (1957 a 1961); Procurador à Câmara Corporativa; Membro do Conselho de Estado. Tomou parte em congressos e conferências internacionais, deslocando-se para esse efeito ao Cairo, a Londres e ao Brasil. Foi eleito deputado em quase todas as legislaturas do Estado Novo.

A 5 de Outubro de 1934 foi feito Comendador da Ordem Militar de Cristo, a 6 de Julho de 1935 foi feito Comendador da Ordem Civil do Mérito Agrícola e Industrial Classe Industrial e a 13 de Abril de 1949 foi-lhe concedida a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo. Tendo-lhe sido também concedida a Grã-Cruz de Isabel a Católica de Espanha.

Ainda como estudante fez parte do Corpo Expedicionário Português, durante a 1ª guerra mundial como alferes miliciano.

O eng. Cancela de Abreu nunca esqueceu a sua terra. Anadia ficou-lhe a dever inestimáveis benefícios, de entre os quis se destaca a doação que lhe fez de uma propriedade e, como ministro, ter promovido a construção do Bairro Popular que tem o seu nome, como o tem a larga e extensa avenida que mandou construir e que é uma das artérias mais belas de Anadia.

Grata ao muito que lhe devia, Anadia prestou-lhe justas homenagens, de entre as quais se destaca uma sessão solene na Câmara Municipal, tendo sido descerrado o seu retrato, pintado pelo também Anadiense e grande pintor que foi Fausto Sampaio.

José Ferreira Tavares

José Ferreira Tavares foi um homem de rasgadas iniciativas e de um espírito aventureiro.

Chamando a si alguns colaboradores, fundou a Cave Central da Bairrada e a Cave Lusitana: uma serração em Mogofores (Tavares, Grilo e Cª Lda); com o apoio dos srs. João Vicente e Augusto Grilo construiu uma praça de touros na Curia. Esta praça foi durante algum tempo, um motivo de grande importância turística, pois quase todos os domingos, na época balnear, a festa brava atraía à Curia muitas centenas de aficionados.

Num recinto separado das suas caves, em Arcos, José Ferreira Tavares, criou um parque de diversões – o Cine-Parque – onde se realizavam sessões de cinema mudo, muitos bailes e se reuniam, em jantares de confraternização largo número de pessoas. Foi nas barracas deste parque onde se serviam as iguarias bairradinas acompanhadas pelo capitoso e dourado espumoso, que apareceu pela primeira vez o famoso “Leitão à Bairrada” servido em sandes, que ele trouxe das terras da sua freguesia (Avelãs de Cima) aonde os lavradores o assavam nos fornos de casa que havia junto à lareira e onde era também cozido o pão e a famosa chanfana. Era desta forma que se assava o leitão nas localidades do interior na nossa Bairrada. Não se conhecendo ao certo o ano em que isso se começou a fazer.

Mostrando-se bairrista intransigente trouxe muitos lisboetas e marinheiros e até oficiais da Esquadra Americana fundeada no Tejo a Anadia em excursões organizadas por si, sendo esta sua iniciativa uma grande propagandista desta nossa região e de todas as suas iguarias, nomeadamente o já citado “Leitão à Bairrada”. José Ferreira Tavares chegou a ir ao Brasil em propagando da sua Bairrada e iguarias.

Teve também José Ferreira Tavares a seu cargo, durante vários anos, um Café-Restaurante em Anadia, onde mais tarde teve o Sr. Daniel Benvindo Lebre o seu estabelecimento. Mais tarde a sua vida transformou-se num rosário de complicados problemas, acabando por se fixar em Lisboa. Na capital instalou um «stand» na Feira Popular, onde vendia leitão e vinhos da Bairrada.

Tendo nascido no dia 1 de agosto de 1889 na freguesia de Avelãs de Cima, veio a falecer em Lisboa no dia 24 de Novembro de 1954.

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