Conhecemos melhor a Junta de Freguesia de São Lourenço do Bairro e fazemos o balanço de três anos de trabalho liderados, no seu último mandato, por Mário Marinho. Além do que já está feito, perspetivamos o que falta fazer nos meses que nos separam das próximas eleições autárquicas.
Jornal de Anadia (JA) – Que balanço faz, agora que estamos na reta final do mandato?
Mário Marinho (MM) – O balanço é positivo, com três maiorias nas eleições, os fregueses deram o aval ao trabalho que se desenvolveu ao longo dos anos. Não fiz tudo o que pretendia e pretendo, mas fui fazendo consoante as necessidades da freguesia. Os fregueses foram colaborantes e facilitaram muito o trabalho. Volto a referir que foram anos positivos e apaixonados.
JA – Qual o maior problema com que esta freguesia se debate?
MM – O principal problema e, diria, quase único, é a falta de verba e orçamento. O dinheiro facilita tudo e move tudo e é tudo mais fácil quando se tem poder monetário. Porque havendo dinheiro tudo se torna fácil de executar.
JA – A população da freguesia está envelhecida?
MM – Eu acho que esse é um problema comum a todo o concelho. A freguesia de São Lourenço do Bairro não é exceção.
JA – Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?
MM – O que penso para o futuro desta freguesia e as perspetivas que tenho não é algo que seja, de todo, fácil de responder. Ao nível geral, muitas coisas deviam mudar. Como está, é impossível dar uma opinião sobre o assunto. Quem virá a seguir a mim vai debater-se com os problemas que eu e o meu executivo temos que não são fáceis de gerir. O esforço é constante e maçador.
JA – De que forma pode ajudar a Junta de Freguesia na integração de novas pessoas?
MM – Vamos bater na mesma conclusão: que condições tem uma Junta de Freguesia para implementar qualquer que seja a ideia sem ter uma fonte de receita sustentável? Como podemos implementar qualquer coisa se contamos os tostões? Volto a dizer que muita coisa tem que mudar. Ou então o Estado tomar conta das freguesias e aí saberão dar o devido valor. O que fazemos é criar algumas condições que os novos fregueses precisem e ajudar no que podemos de diversas maneiras.
JA – Como é a relação da Junta de Freguesia com a autarquia?
MM – Com a Junta de Freguesia de São Lourenço do Bairro a relação é excelente. A autarquia ajuda como pode os nossos pedidos, a todos os níveis, não só monetariamente mas com o trabalho de todos os colaboradores e a todos níveis. Desde o mais simples colaborador até aos mais qualificados (engenheiros, financeiro, logística, ambiente e todos os outros serviços da Câmara). São todos fantásticos e reconheço o mérito a todos. Claro que não posso esquecer a presidente da autarquia, que considero ter uma capacidade excecional de toda a gestão, bem como toda a vereação. São todos de grande nível e, volto a referir, temos uma relação fantástica.
JA – O que está cumprido e o que falta cumprir até ao final do mandato?
MM – É difícil dizer o que está cumprido, porque foi tanta coisa que se fez que não é fácil contabilizar. Até porque a freguesia foi fazendo conforme as suas necessidades. Fizemos muita coisa que tenho receio de mencionar e me esquecer de alguma coisa, tanto no âmbito social, urbanístico, ambiental e outros. Fizemos trabalho nos parques infantis, requalificámos jardins, caminhos, valetas, passeios, eventos (com o início da Festa das Vindimas), infraestruturas da freguesia (estaleiro e todo o tipo de maquinaria, videovigilância, entre outras coisas). Não podemos esquecer que, de 2013 a 2025, apanhámos tudo o que poderia haver de mau (fogos, tempestades, pandemia COVID, censos, guerras, eleições e queda do Governo), por isso não foram anos fáceis de gerir. Penso que fizemos muito com o que tínhamos à disposição. O resto do mandato é para continuar a gerir.
JA – Que diferenças vê entre a Junta que encontrou em 2013 e agora em 2025?
MM – Não é comparável aquilo que encontrámos no início do mandato com até hoje. As Juntas eram na altura muito dependentes das vontades da Câmara, era preciso pedir muito para ter a mais, porque os financiamentos dados à Junta não serviam para nada, como ainda acontece. A partir daí tudo mudou, não sei se para melhor ou não, pelo menos agora sabemos com o que contamos para o ano. Por outro lado também piorou tudo com as competências e mais responsabilidades que impuseram às freguesias, sem a contrapartida monetária a acompanhar. Não é possível comparar, é incomparável. Ficámos com mais competências, mais autonomia, mas menos dinheiro. Para mim é um problema sem fim à vista.


MM – O associativismo da freguesia é excelente. A dinâmica entre as associações e a Junta é fantástica. A relação com as coletividades não podia ser melhor. Cada associação à sua maneira e no seu desenvolvimento individual, sempre com o apoio da Junta em tudo o que é possível, seja monetariamente ou não, e naquilo que precisam. A relação entre as várias entidades também é muito boa. São de arregaçar as mangas e colocar mãos à obra. A Junta de Freguesia sempre pôs as associações em primeiro lugar, até porque são o pilar da freguesia e o que for preciso da nossa parte ou vice-versa, não se poupam esforços.
JA – Porque se decidiu recandidatar por um movimento independente?
MM – Quando um grupo de cidadãos se junta e decide avançar com um projeto, nunca podia ser a curto prazo. Eu tinha um projeto e decidi levá-lo até ao fim. A recandidatura foi natural e nunca tive dúvidas do Movimento. Não tenho nada contra os partidos, mas por vezes adormecem. Por isso nos agarrámos a um projeto novo e decidimos levá-lo até ao fim. Tirando uma ou outra exceção, o balanço foi positivo.
JA – Vai afastar-se da vida política?
MM – Ainda não decidi nada sobre isso, mas posso afirmar que vou ter que descansar, porque são muitos anos de dedicação à vida pública. Estive 12 anos no Anadia Futebol Clube e 12 anos na Junta de Freguesia. Com tudo isto não tenho dúvidas que prejudiquei a minha família e o meu trabalho. Se for oportuno, voltarei claro. Eu esforcei-me muito para construir algo muito importante na freguesia e não quero que corra mal. Não fecho portas, poderei um dia voltar, sim, mas agora é um período de descanso.
JA – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
MM – A mensagem à população será feita no final do mandato. Neste momento posso dizer, de coração, que tudo foi feito por amor e dedicação, mesmo em prejuízo de tantas coisas. Fiz o que pude e, por vezes, o que não pude. Obrigado a todos por me apoiarem em todos os momentos. Tenho uns fregueses fantásticos. Não posso dizer que tive sozinho nesta luta, porque sempre tive o meu executivo ao meu lado. Obrigado.

