Nutrição e cancro: de que forma é que a boa nutrição pode ajudar na prevenção e tratamento do cancro?

Falar sobre o cancro nem sempre é fácil. Infelizmente, os tumores malignos continuam a ser a 2ª causa de morte em Portugal (dados Pordata 2020). Mas este artigo não tem como objetivo falar sobre os números do cancro no nosso país, mas sim nas estratégias nutricionais que podemos adotar para prevenir o aparecimento do cancro e ajudar no tratamento do mesmo.

Um dos primeiros passos a seguir quando ocorre o diagnóstico de cancro é a avaliação do risco de malnutrição: avaliar e analisar o desequilíbrio entre os nutrientes que o corpo precisa e o que obtém no dia-a-dia. A ausência de legumes e fruta, maior quantidade de alimentos ricos em gordura e açúcares e jejuns frequentes e prolongados, fazem com que o corpo receba menos nutrientes do que realmente precisa para realizar as suas tarefas diárias. Por outro lado, fatores como défice de sono, mais stress e ausência de atividade física regular, também não ajudam.

De uma forma geral, cabe ao nutricionista auxiliar nas duas fases principais relacionadas com o cancro: prevenção e tratamento. Se se revê na descrição feita anteriormente, e precisa de ajuda para mudar a forma como se alimenta, está na altura de contactar um nutricionista. Esta necessidade aumenta se tiver antecedentes familiares com diagnóstico de cancro ou se já teve algum cancro em anos anteriores. E não pense que o nutricionista só lhe vai indicar um plano alimentar: é importante que este o acompanhe ao longo de alguns meses, variando a periodicidade das consultas conforme a sua necessidade.

Infelizmente, nem sempre os médicos indicam que deve ir a uma consulta de nutrição, mas esta iniciativa deve partir de si. Segundo vários estudos de revisão de evidência científica: o consumo frequente de frutas e legumes demonstrou ter um efeito protetor no cancro colorretal, no cancro da mama e no pulmão; a redução do consumo de carne vermelha e de álcool e o aumento do consumo de peixe, reduziram o risco de cancro da mama e colorretal. De uma forma geral, a adesão à dieta mediterrânica é uma boa estratégia preventiva no aparecimento do cancro:
– Aumento do consumo de alimentos de origem vegetal (cereais integrais, legumes, fruta, leguminosas e frutos secos);
– Maior consumo de alimentos frescos, sazonais e pouco processados;
– Utilização do azeite como principal gordura para cozinhar e temperar alimentos (também este tem de ser consumido com moderação);
– Consumo baixo a moderado de laticínios (leite, iogurtes, queijos);
– Aumento do consumo de peixe em relação ao consumo de carnes vermelhas;
– Água como a bebida de eleição e redução no consumo de vinho e outras bebidas alcoólicas;
– Redução das técnicas culinárias que fritam ou refogam os alimentos;
– Praticar uma atividade física diária (as caminhadas são sempre uma boa opção);
– Fazer mais refeições em família ou com amigos, promovendo a convivência entre as pessoas à mesa.

No que toca à fase de tratamento do cancro, algumas pessoas passam por processos que incluem a quimioterapia e/ou a radioterapia, que podem provocam efeitos colaterais indesejados: diminuição do apetite, perda de peso, fadiga, perda de cabelo, náuseas e vómitos. Também nesta fase, a boa nutrição é fundamental para aumentar o aporte de nutrientes para as células, de forma a suportar a exigência física e mental necessária para o sucesso dos tratamentos. Para tal, nem sempre é possível indicar o consumo de alimentos sólidos, tendo que recorrer ao consumo de sopas, papas, sumos naturais ou bebidas enriquecidas em nutrientes.

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Como pode ver, o papel do nutricionista é muito mais abrangente do que prescrever planos alimentares com vista ao emagrecimento. Este profissional de saúde pode ser a peça chave para a sua saúde.

Dra. Ana Sofia Guerra
Nutricionista (1321N)
Sanclinic – Sangalhos

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