Opinião pela CDU Anadia: O inquérito…

Há dias fui abordada, junto à Loja do Cidadão, por um jovem que, segundo depreendi pelas suas palavras, estava a fazer, por incumbência do Município de Anadia, um inquérito à população sobre as obras no Monte Crasto.

Aceitei responder, com algumas reticências, não fosse a que, no fim, me tentasse impingir um aparelho auditivo ou um colchão milagroso que me proporcionasse noites de sono reparador e acordares suaves sem dores nas costas ou no pescoço.

Nada disso, embora o comentário à questão sobre a minha idade, 75 anos, “ ainda está em idade para responder a este inquérito” me levantasse algumas reservas. “Então o cidadão eleitor e contribuinte maior de 75 anos já não tem voz, que valha a pena ouvir, sobre as obras municipais pagas pelo erário público?”

Respondi com facilidade à primeira questão.

Realmente, para mim, o Monte Crasto esteve durante anos votado ao abandono e em crescente estado de degradação. Precisava urgentemente de uma intervenção de limpeza e a criação de melhores acessibilidades.

A segunda questão já foi mais complicada. “Que achava eu sobre a situação após as obras? Mas claro que a resposta, “ainda não vi o resultado final”, suscitou a minha curiosidade e hoje, dia 1 de Novembro, calculando que o cemitério estaria aberto e a área circundante visitável, lá me aventurei até ao Miradouro.

PUBUma vista deslumbrante que me fez lembrar as palavras de Manuel S. Alegre no seu romance “Távora, Romance do Século XVIII” (1863). “ Numa bella tarde de Agosto desse ano (1755) estava recostado no Crasto, junto à ermida de Nossa Senhora da Penha de França (…) e fitava os olhos em direcção a Carvalhais, aldeola fronteira ao Crasto, môrro em cujas faldas é sita Anadia, a capital da amena Bairrada”.

Mas a obra, iniciada em Junho de 2021 e com um prazo de execução de 8 meses, estava longe de terminada e, obviamente, incapaz de ser avaliada, como o inquérito propunha. Não percebi, assim, a finalidade desta auscultação.

Será que o executivo não tem consciência do atraso nas obras? Será que os cadernos de encargos não contemplam penalizações pelo incumprimento dos prazos? Será que a obra vai ficar assim inacabada, à espera de nova candidatura a fundos comunitários? Será que fui enganada e que o inquérito era uma manobra para me impingir o tal aparelho auditivo ou colchão milagroso?

Talvez a minha resposta de sempre “ Não me parece que o investimento público na recuperação do Monte Crasto e nas obras de “embelezamento” esteja de acordo com as necessidades do município. Os dinheiros publicos, mesmo os que advém de fundos comunitários, não são inesgotáveis e exigem cuidados na sua aplicação”, que o jovem registou num pequeno retângulo na folha de inquérito, o levasse a pensar que não teria sorte na “compra milagrosa” que me iria propor.
E lá me deixou ir, sem mais delongas. Fico agora à espera da publicitação dos resultados do inquérito que alguém encomendou.

Fátima Flores, militante do PEV, eleita na Assembleia de Freguesia da União das Freguesias de Arcos e Mogofores

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