Há dias fui abordada, junto à Loja do Cidadão, por um jovem que, segundo depreendi pelas suas palavras, estava a fazer, por incumbência do Município de Anadia, um inquérito à população sobre as obras no Monte Crasto.
Aceitei responder, com algumas reticências, não fosse a que, no fim, me tentasse impingir um aparelho auditivo ou um colchão milagroso que me proporcionasse noites de sono reparador e acordares suaves sem dores nas costas ou no pescoço.
Nada disso, embora o comentário à questão sobre a minha idade, 75 anos, “ ainda está em idade para responder a este inquérito” me levantasse algumas reservas. “Então o cidadão eleitor e contribuinte maior de 75 anos já não tem voz, que valha a pena ouvir, sobre as obras municipais pagas pelo erário público?”
Respondi com facilidade à primeira questão.
Realmente, para mim, o Monte Crasto esteve durante anos votado ao abandono e em crescente estado de degradação. Precisava urgentemente de uma intervenção de limpeza e a criação de melhores acessibilidades.
A segunda questão já foi mais complicada. “Que achava eu sobre a situação após as obras? Mas claro que a resposta, “ainda não vi o resultado final”, suscitou a minha curiosidade e hoje, dia 1 de Novembro, calculando que o cemitério estaria aberto e a área circundante visitável, lá me aventurei até ao Miradouro.


Mas a obra, iniciada em Junho de 2021 e com um prazo de execução de 8 meses, estava longe de terminada e, obviamente, incapaz de ser avaliada, como o inquérito propunha. Não percebi, assim, a finalidade desta auscultação.
Será que o executivo não tem consciência do atraso nas obras? Será que os cadernos de encargos não contemplam penalizações pelo incumprimento dos prazos? Será que a obra vai ficar assim inacabada, à espera de nova candidatura a fundos comunitários? Será que fui enganada e que o inquérito era uma manobra para me impingir o tal aparelho auditivo ou colchão milagroso?
Talvez a minha resposta de sempre “ Não me parece que o investimento público na recuperação do Monte Crasto e nas obras de “embelezamento” esteja de acordo com as necessidades do município. Os dinheiros publicos, mesmo os que advém de fundos comunitários, não são inesgotáveis e exigem cuidados na sua aplicação”, que o jovem registou num pequeno retângulo na folha de inquérito, o levasse a pensar que não teria sorte na “compra milagrosa” que me iria propor.
E lá me deixou ir, sem mais delongas. Fico agora à espera da publicitação dos resultados do inquérito que alguém encomendou.
Fátima Flores, militante do PEV, eleita na Assembleia de Freguesia da União das Freguesias de Arcos e Mogofores

