Projeto Gigantes Verdes regressa em 2026 com formações em Anadia
O projeto Gigantes Verdes, dedicado à identificação, mapeamento e monitorização de árvores de grande porte em Portugal, vai expandir-se em 2026 a novas regiões do país e pretende formar, ao longo do ano, pelo menos 325 novos embaixadores, com ações previstas em vários concelhos, entre os quais Anadia.
Promovida pela VERDE – Associação para a Conservação Integrada da Natureza, a iniciativa aposta na capacitação de cidadãos para a recolha de dados técnicos sobre árvores de grandes dimensões, contribuindo para a proteção do património arbóreo e florestal nacional. As formações presenciais vão decorrer em Anadia, Amarante, Loures, Maia, Ponte de Lima e Porto, estando abertas à participação de qualquer interessado, independentemente da área de residência.
Em Anadia, o projeto assume particular relevância ao integrar o concelho no circuito nacional de formação e sensibilização ambiental, reforçando o envolvimento local na preservação da natureza e na valorização das árvores monumentais existentes no território.
Sessões de apresentação e calendário de formações
Antes do início das formações presenciais, o projeto promove sessões de apresentação online, gratuitas e mediante inscrição, no dia 6 de janeiro, com duas opções de horário: das 14h00 às 15h00 e das 19h00 às 20h00. Estas sessões destinam-se a esclarecer dúvidas e explicar o papel dos embaixadores no terreno.
As formações presenciais terão a duração de um dia (cerca de sete horas) e estarão limitadas a 30 participantes por edição. No primeiro trimestre de 2026, o calendário contempla:
Janeiro: Anadia (dias 9 e 10), Porto (dias 23 e 24) e Loures (dia 31);
Fevereiro: Ponte de Lima (dias 6 e 7) e Amarante (dias 20 e 21);
Março: Maia (dias 6 e 7).
Resultados de 2025 superaram metas iniciais
A expansão do projeto em 2026 assenta nos resultados alcançados em 2025, ano em que foram formados mais de 250 embaixadores entre janeiro e outubro, através de formações presenciais, caminhadas técnicas e outras iniciativas, realizadas em diversos concelhos do país.
O trabalho desenvolvido permitiu mapear mais de 17.000 árvores, ultrapassando largamente a meta inicial de 7.500. Para cada exemplar foram recolhidas informações detalhadas, como dimensões, estado de conservação, identificação taxonómica, presença de micro-habitats e riscos associados. Deste total, 1.190 árvores apresentam características que permitem a sua classificação como Árvores de Interesse Público (AIP).
Os dados recolhidos estão disponíveis para consulta pública na plataforma Mapa das Gigantes Verdes e servirão de base técnica ao desenvolvimento de futuros projetos de valorização do património arbóreo e florestal nacional.
Importância ambiental dos “Gigantes Verdes”
Segundo a associação promotora, os chamados Gigantes Verdes são árvores com mais de 1,5 metros de perímetro de tronco, medido a 1,3 metros do solo, desempenhando um papel fundamental na preservação da biodiversidade, no sequestro de carbono e na mitigação das alterações climáticas. Pela sua dimensão e longevidade, são também importantes elementos identitários da paisagem e da memória coletiva das comunidades.
Apoios e enquadramento institucional
A expansão do projeto é apoiada pelo programa NO PLANET B, coordenado pela AMI e cofinanciado pela União Europeia, que suporta as formações em Anadia, Amarante, Maia, Ponte de Lima e Porto, com apoio local do PEFC Portugal. Em Loures, a iniciativa é financiada pela Ecoality, dinamizada pela AIDGLOBAL em parceria com o município local e cofinanciada pela Comissão Europeia e pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P.
A VERDE – Associação para a Conservação Integrada da Natureza, sediada em Lousada e fundada em 2021, coordena igualmente o projeto Carbono Biodiverso, que permite a cidadãos e empresas compensar a pegada de carbono através da preservação destas árvores, assegurando pagamentos por serviços de ecossistema aos proprietários.
O conceito Gigantes Verdes teve início em 2018, por iniciativa de João Gonçalo Soutinho, atual presidente da associação, em parceria com o município de Lousada, e tem vindo a afirmar-se como uma referência nacional na valorização do património arbóreo.