Salvador Sobral leva concerto intimista e inovador ao Cineteatro de Anadia

O Salvador Sobral atuou no passado dia 21 de março, sábado, no Cineteatro de Anadia, num concerto marcado pela proximidade ao público e por uma abordagem assumidamente intimista — algo que o próprio artista sublinhou, com humor, ao longo da noite.

Em palco, fez-se acompanhar apenas pela pianista Katerina L’Dokova, numa formação reduzida que destacou a essência das composições e a expressividade vocal do cantor. O alinhamento percorreu vários universos musicais, incluindo temas originais, interpretações de outros autores — como Sérgio Godinho — e canções em diferentes línguas, entre as quais espanhol e polaco.

Durante o concerto, Salvador Sobral partilhou com o público uma das suas práticas habituais em digressão: a de aprender uma canção na língua de cada país onde atua, reforçando a sua ligação à diversidade cultural e musical.

Num momento mais reflexivo, o artista confessou que, perante o atual contexto mundial e político, nem sempre sente vontade de cantar. Ainda assim, destacou a importância de continuar a fazer arte, sublinhando que “a música é tudo o que temos”, numa mensagem que ecoou na plateia. Também nesse sentido, e como forma de expressão artística com dimensão interventiva, interpretou uma canção tradicional da Palestina, reforçando a ligação entre a música e o ativismo.

A atuação ficou também marcada por uma abordagem criativa e pouco convencional do ponto de vista técnico e performativo. Em alguns momentos, Salvador Sobral explorou as possibilidades acústicas do piano de cauda, utilizando-o como caixa de ressonância para amplificar naturalmente a sua voz, dispensando o uso de microfone.

Noutra ocasião, convidou o público a participar, pedindo que recriassem sons de pássaros para acompanhar um dos temas, criando um ambiente imersivo e coletivo. A interação com a audiência foi, aliás, uma constante ao longo da noite. O cantor convidou Alexandre, um jovem do público, a subir ao palco para interpretar consigo o tema Amar pelos Dois, que lhe valeu a vitória no Festival Eurovisão da Canção — a única vitória portuguesa até à data. Já no final do concerto, chamou também Gonçalo Gomes, participante na edição deste ano do Festival da Canção, para interpretar o tema “Anda Estragar-me os Planos”.

Num registo descontraído, próximo e musicalmente enriquecedor, o concerto conquistou o público presente, que saiu do Cineteatro de Anadia visivelmente satisfeito. Mais do que um espetáculo, foi uma experiência artística envolvente, que deixou a audiência não só bem-disposta, mas também mais rica do ponto de vista musical.

SUBSCREVA JÁ

NEWSLETTER

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Aceito Ler mais