Obras da Linha de Alta Velocidade entre Porto e Oiã já arrancaram

A Infraestruturas de Portugal (IP) e a concessionária AVAN assinalaram, no passado dia 12 de outubro, o arranque das obras do primeiro troço da futura Linha de Alta Velocidade Porto-Lisboa, entre Porto-Campanhã e Oiã, no concelho de Oliveira do Bairro.

A intervenção corresponde à primeira parceria público-privada do projeto, designada PPP1, e contempla a construção de aproximadamente 71 quilómetros de nova linha ferroviária. A infraestrutura terá via dupla eletrificada e ficará preparada para uma velocidade máxima de 300 quilómetros por hora.

O projeto inclui ainda uma ligação com cerca de 8,3 quilómetros à atual Linha do Norte, na zona de Canelas, permitindo o acesso ferroviário à Estação de Aveiro, que será adaptada pela Infraestruturas de Portugal para receber os serviços de alta velocidade.

O traçado da concessão atravessa dez concelhos: Porto, Vila Nova de Gaia, Santa Maria da Feira, Espinho, Oliveira de Azeméis, Ovar, Estarreja, Albergaria-a-Velha, Aveiro e Oliveira do Bairro.

Nova ponte sobre o Douro e estação subterrânea em Gaia

O primeiro troço da Linha de Alta Velocidade integra algumas das intervenções de maior dimensão de todo o projeto. Estão previstos cerca de oito quilómetros de túneis e 19 quilómetros de pontes e viadutos.

Entre as estruturas previstas encontra-se uma nova ponte rodoferroviária sobre o rio Douro. O projeto contempla também a ampliação e reformulação da Estação Intermodal de Porto-Campanhã e a construção de uma nova estação subterrânea em Santo Ovídio, Vila Nova de Gaia.

Em Campanhã, a nova linha ficará ligada às linhas ferroviárias do Norte e do Minho, a cinco linhas do Metro do Porto e ao Terminal Intermodal. Em Santo Ovídio, haverá ligação a duas linhas do Metro do Porto e ao futuro terminal rodoviário.

A articulação com a rede ferroviária convencional permitirá que os serviços de alta velocidade cheguem também a cidades que não ficam diretamente sobre o novo traçado. Estão previstas ligações à Linha do Norte para servir Aveiro e Coimbra e à Linha do Oeste para servir Leiria.

Ligação Porto-Lisboa prevista para cerca de 1h15

A futura Linha de Alta Velocidade tem como objetivo reduzir a viagem direta entre Porto e Lisboa para cerca de uma hora e 15 minutos.

A transferência dos serviços ferroviários mais rápidos e de longo curso para a nova infraestrutura deverá também libertar capacidade na atual Linha do Norte. A IP pretende, desta forma, criar melhores condições para aumentar a circulação de comboios suburbanos, regionais e de mercadorias.

A nova linha integra a futura rede ferroviária nacional de alta velocidade, enquadrada na Rede Transeuropeia de Transportes e no Programa Nacional de Investimentos 2030.

“Passagem do planeamento à concretização”

A cerimónia que assinalou o início dos trabalhos contou com a presença do ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, do representante da Direção-Geral da Mobilidade e dos Transportes da Comissão Europeia, Philippe Chantraine, do presidente do Conselho de Administração Executivo da Infraestruturas de Portugal, Paulo Carmona, e do representante do consórcio AVAN, Carlos Mota Santos.

Paulo Carmona considerou que o arranque das obras entre Campanhã e Oiã representa “a passagem do planeamento à concretização de um dos projetos de infraestrutura mais relevantes para a ferrovia portuguesa”.

O responsável defendeu que a nova linha constitui um investimento estratégico para a competitividade, a coesão territorial e a sustentabilidade ambiental do país, com efeitos que ultrapassam a redução dos tempos de viagem.

Segundo o presidente da IP, o projeto deverá favorecer a aproximação entre territórios, a integração dos mercados de trabalho e a circulação de pessoas, conhecimento e investimento.

Carlos Mota Santos destacou, por sua vez, a responsabilidade assumida pela AVAN na concretização da infraestrutura e salientou que o consórcio responsável pela execução é constituído exclusivamente por empresas portuguesas.

Concessão com duração de 30 anos

O contrato de concessão entre a Infraestruturas de Portugal e a AVAN foi celebrado em julho de 2025 e tem uma duração de 30 anos.

Os primeiros cinco anos destinam-se às fases de conceção, projeto, licenciamento, financiamento, expropriação, construção e certificação da infraestrutura. Depois da entrada em funcionamento, seguem-se 25 anos dedicados à manutenção, conservação e disponibilização da linha.

O arranque dos trabalhos entre Porto e Oiã representa o primeiro passo no terreno para a concretização da futura ligação ferroviária de alta velocidade entre as duas principais áreas metropolitanas do país.

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