Médica veterinária na Clínica Veterinária de Vilarinho, em Vilarinho do Bairro, Joana Frade encontrou na profissão a ligação entre o gosto pela saúde e a paixão pelos animais. A cirurgia é a área que mais a entusiasma, num quotidiano em que a satisfação de ajudar convive com decisões emocionalmente difíceis.
Desde pequena que Joana Frade está habituada à presença de animais, especialmente cães. Cuidar deles foi sempre uma fonte de prazer e uma ligação que acabou por influenciar a escolha do seu percurso profissional.
Ao interesse pelos animais juntou-se a vontade de trabalhar na área da saúde, que já a acompanhava quando pensava no futuro académico. A Medicina Veterinária surgiu, assim, como uma forma de reunir essas duas vocações.
“Foi juntar o útil ao agradável e fazer aquilo de que gosto e que não trocaria por nada”, afirma a médica veterinária da Clínica Veterinária de Vilarinho, em Vilarinho do Bairro.
O dia-a-dia distribui-se por diferentes tarefas: consultas de cães e gatos, avaliação de problemas de saúde, vacinação, desparasitação e cirurgias. É uma atividade diversificada, que tanto passa pelos cuidados preventivos como pela resposta à doença.
Entre essas funções, há uma área que ocupa um lugar especial nas suas preferências: a cirurgia. Embora também goste das consultas, é no trabalho cirúrgico que encontra um interesse particular.
A satisfação de encontrar uma resposta
Quando pensa nas situações que mais a marcaram, Joana Frade destaca as descobertas inesperadas e os casos em que é possível encontrar uma solução para o problema do animal.
Um dos exemplos que refere é a identificação de um corpo estranho (um objeto ingerido pelo animal) cuja presença surpreende, mas que pode ter resolução. O que a marca é a possibilidade de perceber o que está a acontecer e conseguir intervir com sucesso.


É nessas recuperações que encontra uma das maiores recompensas do trabalho. Depois da preocupação e da incerteza, conseguir ajudar um animal dá sentido ao esforço e aos conhecimentos colocados em cada caso.
Nem sempre, porém, é possível alcançar o resultado desejado. Uma das situações mais desafiantes é precisamente sentir que não consegue ajudar um paciente da forma que gostaria.
Esse confronto com os limites da intervenção médica faz parte da profissão e exige capacidade para lidar com a frustração e com o sofrimento que acompanha alguns casos.
O peso das decisões difíceis
Entre os momentos mais duros, Joana identifica a eutanásia. Fala desse ato como uma das componentes emocionalmente mais exigentes do seu trabalho e como aquilo que menos gosta de fazer.
O gosto pela medicina e pelos animais não elimina a dificuldade de acompanhar o fim de uma vida. A proximidade com os pacientes e com as suas famílias torna estes momentos particularmente sensíveis.
O seu testemunho revela, por isso, duas dimensões inseparáveis da profissão: a satisfação de tratar e contribuir para uma recuperação e a necessidade de enfrentar situações em que as respostas ficam aquém do que se desejava.
Amor aos animais e resiliência
A quem pensa seguir uma profissão ligada aos animais, Joana Frade aconselha uma reflexão consciente sobre essas exigências. Gostar de animais é essencial, mas é também necessário estar preparado para o contacto com a doença, o sofrimento e a perda.
“Têm de ser muito resilientes”, sublinha. Considera igualmente importante ter capacidade para lidar com os procedimentos clínicos e encontrar equilíbrio emocional perante as dificuldades do quotidiano.
Na sua perspetiva, é uma escolha que exige dedicação e uma forte identificação com o trabalho. O amor pelos animais foi o ponto de partida do seu próprio percurso e continua a ser central na forma como encara a profissão.
Entre consultas, cirurgias e decisões difíceis, é a possibilidade de cuidar e de alcançar bons resultados que alimenta essa ligação à Medicina Veterinária. Uma escolha que, garante, não trocaria por outra.

