“O Crime de Maria do Sol” de Fátima Flores apresentado em Sangalhos

A apresentação do livro O Crime de Maria do Sol, da autoria de Fátima Flores, teve lugar no dia 20 de dezembro, no auditório da Junta de Freguesia de Sangalhos, reunindo público local, familiares, amigos e interessados na história da freguesia.

Na abertura da sessão, o presidente da Junta de Freguesia de Sangalhos, Artur Salvador, deu as boas-vindas aos presentes, sublinhando a importância simbólica da escolha de Sangalhos para a apresentação da obra. Referiu que o livro retrata um episódio ocorrido há quase um século, profundamente marcante para a freguesia, destacando ainda o facto de o acontecimento narrado ter sido protagonizado por uma mulher, num contexto social em que tal era impensável.

Artur Salvador agradeceu à autora a escolha de Sangalhos e ao professor Luís Filipe Seabra Lopes, responsável pela apresentação da obra, desejando ainda boas festas a todos os presentes.

Coube a Luís Seabra Lopes contextualizar o livro, explicando que se trata de uma crónica ficcionada, baseada em factos reais ocorridos em Sangalhos no início da década de 1930. O apresentador salientou que a obra não é um ensaio histórico nem um romance clássico, mas um conjunto de narrativas que combinam investigação documental com imaginação literária, permitindo reconstruir ambientes, mentalidades e conflitos da época.

O crime de Maria do Sol surge como o eixo central da obra, mas é acompanhado por outras histórias que dão voz a diferentes personagens, incluindo mulheres, figuras masculinas envolvidas no caso e representantes da intelectualidade feminina que, à época, defenderam Maria do Sol, transformando-a de figura condenada pela comunidade local em símbolo nacional da luta pela honra e dignidade feminina.

Na sua intervenção, Fátima Flores explicou que a origem do livro remonta a memórias de infância, associadas a relatos familiares e ao chamado “Fado da Maria do Sol”. A partir dessas recordações, iniciou um longo e exigente processo de investigação em vários arquivos e bibliotecas, confrontando versões contraditórias dos factos. Perante lacunas e incoerências documentais, a autora optou por recorrer à ficção para preencher os espaços em branco, procurando sempre tratar as personagens com empatia e respeito.

A escritora assumiu o caráter exigente do trabalho, comparando o processo criativo a uma gravidez difícil, mas afirmou sentir-se orgulhosa do resultado final, agradecendo a todos os que contribuíram para a pesquisa.

A sessão terminou com um momento de debate e partilha entre o público, onde surgiram reflexões sobre o caso narrado na obra, contando com a presença de pessoas que conheceram a história de perto e até de familiares e descendentes dos protagonistas, enriquecendo a apresentação com memórias e perspetivas pessoais.

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