Ministra inaugura USF de Sangalhos e reforça aposta nos cuidados primários

A Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, esteve em Anadia no passado dia 17 de março para inaugurar as obras de requalificação do Centro de Saúde de Sangalhos, que passa agora a funcionar como Unidade de Saúde Familiar (USF) modelo B, reforçando a resposta dos cuidados de saúde primários no concelho.

A intervenção, assegurada pelo Município de Anadia e cofinanciada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), permitiu modernizar o edifício e melhorar as condições de atendimento e de trabalho para utentes e profissionais. A nova unidade garante funcionamento em dias úteis, entre as 08h00 e as 20h00, aproximando os serviços de saúde da população e reduzindo a necessidade de deslocações para fora da freguesia.

Durante a cerimónia, a Ministra destacou a importância deste tipo de investimentos, sublinhando que representam “muito mais do que um espaço renovado”, ao contribuírem para o reforço dos cuidados de proximidade, que considera essenciais num sistema de saúde eficaz. Segundo referiu, mais de 80% dos cuidados devem ser prestados ao nível local, defendendo ainda a complementaridade entre os setores público, social e privado, desde que devidamente regulada.

Ana Paula Martins valorizou também o papel das autarquias, reconhecendo que o envolvimento do Município de Anadia foi determinante para a concretização da obra. Ainda assim, admitiu que o processo de descentralização de competências na área da saúde necessita de ajustes, nomeadamente ao nível do financiamento. “Temos consciência de que a transferência financeira não é a mais adequada”, afirmou, manifestando abertura do Governo para rever o modelo e garantir maior equilíbrio entre responsabilidades e recursos.

Projeto reforça resposta a cerca de 9 mil utentes

Na sua intervenção, o presidente da Câmara Municipal de Anadia, Jorge Sampaio, destacou que esta inauguração representa mais do que uma simples requalificação, traduzindo-se num passo estratégico na reorganização dos cuidados de saúde primários no concelho.

A nova USF de Sangalhos vem reforçar a rede existente e deverá abranger cerca de 9 mil utentes, contribuindo para melhorar a capacidade de resposta local. O autarca salientou ainda o trabalho desenvolvido em articulação com outras estruturas, como a Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC) de Anadia, que acompanha cerca de 30 mil cidadãos, com especial enfoque nos grupos mais vulneráveis.

Jorge Sampaio alertou, no entanto, para os desafios demográficos do concelho, onde cerca de 30% da população tem mais de 65 anos, defendendo a necessidade de reforçar respostas ao nível dos cuidados continuados e domiciliários. Nesse sentido, considerou insuficiente a atual capacidade da Equipa de Cuidados Continuados Integrados (ECCI) existente no concelho e manifestou disponibilidade da autarquia para colaborar na sua expansão.

Descentralização e financiamento em destaque

Outro dos pontos centrais da intervenção do autarca foi a questão da descentralização de competências, que classificou como um processo positivo em teoria, mas que, na prática, tem implicado encargos elevados para os municípios sem a correspondente compensação financeira.

O presidente da Câmara defendeu a necessidade de rever o modelo atual, apontando para um desfasamento crescente entre os custos assumidos pelas autarquias e as verbas transferidas pelo Estado, apelando a uma “parceria efetiva” entre poder central e local.

Saúde no concelho com novos desafios

Durante a sessão, foram ainda abordadas outras necessidades do concelho na área da saúde, como o reforço do papel do Hospital José Luciano de Castro, gerido pela Misericórdia de Anadia, e a possibilidade de criação de um centro de hemodiálise, considerado essencial para melhorar a qualidade de vida dos doentes que necessitam deste tipo de tratamento.

Foi igualmente referida a intenção de instalar no concelho uma infraestrutura ligada ao INEM, com impacto regional, projeto que continua em desenvolvimento em articulação com o Governo.

Proximidade como eixo central

Para a Ministra da Saúde, a nova unidade de Sangalhos é um exemplo de como a cooperação entre Estado e autarquias pode traduzir-se em melhores serviços públicos, destacando também a aposta em soluções como consultas descentralizadas, telemedicina e reforço dos cuidados domiciliários.

A nova USF de Sangalhos pretende afirmar-se como uma estrutura de proximidade, centrada na qualidade do atendimento e na confiança dos utentes, contribuindo para um Serviço Nacional de Saúde mais acessível e adaptado às necessidades da população.

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