A Biblioteca Municipal de Anadia inaugurou no passado dia 2 de abril, a exposição “Mulheres do 25 de Abril”, da autoria do pintor Mário Marques e do poeta António Canteiro. A mostra, que estará patente até 30 de abril, integra as comemorações do 52º aniversário da Revolução de Abril e presta homenagem ao papel muitas vezes invisível das mulheres neste momento marcante da história portuguesa.
Na sessão de abertura, a diretora da biblioteca, Sílvia Fernandes, destacou a importância da iniciativa, inserida no ciclo de exposições promovido pela instituição desde 2006. A responsável sublinhou ainda o envolvimento da comunidade ao longo do mês, com visitas de instituições particulares de solidariedade social (IPSS) e alunos do primeiro ciclo, reforçando o papel da biblioteca como espaço de cultura e memória.
A exposição reúne um conjunto de pinturas em preto e branco de Mário Marques, que procuram captar a expressão e a força interior das mulheres associadas ao 25 de Abril. Segundo o artista, a escolha da ausência de cor prende-se com a natureza da pesquisa realizada, baseada sobretudo em registos sem cor, mas também com a intenção de destacar o olhar e a emoção das figuras representadas: “Quis prestar homenagem às mulheres que, de alguma forma, fizeram o 25 de Abril”, afirmou.


A sessão contou também com a presença do presidente da Câmara Municipal de Anadia, Jorge Sampaio, que destacou a relevância simbólica da exposição no contexto das comemorações de abril. O autarca sublinhou a coincidência com os 50 anos da Constituição da República Portuguesa e das primeiras eleições autárquicas livres, reforçando a importância da defesa dos valores democráticos.
No seu discurso, deu especial ênfase ao conceito de igualdade, apontando-o como uma das maiores conquistas da Revolução: “Não há igualdade plena se cada um de nós não tiver o direito a ser diferente”, afirmou, defendendo uma sociedade mais justa e inclusiva. Referindo-se ao tema da exposição, salientou ainda a necessidade de reconhecer o papel das mulheres não como figuras secundárias, mas como protagonistas “lado a lado” na construção da democracia.
“Mulheres do 25 de Abril” apresenta-se, assim, como uma evocação artística e reflexiva sobre a memória coletiva, convidando o público a revisitar a história sob uma perspetiva mais inclusiva, onde o contributo feminino ganha finalmente o destaque que merece.

