Natural de Vila Nova de Monsarros, no concelho de Anadia, Tiago Almeida, de 35 anos, é treinador de cães e um dos responsáveis pelo projeto Descãoplica. Com sessões ao domicílio e planos adaptados a cada família, encontra na reabilitação comportamental a parte mais gratificante da profissão.
O contacto com cães começou na infância e acompanhou Tiago Almeida ao longo do crescimento. Os pais sempre tiveram cães e essa convivência despertou um interesse que, com o passar dos anos, se transformou num caminho profissional.
“Eu sempre tive um gosto grande pelos animais, nomeadamente os cães”, conta. À medida que esse gosto crescia, surgiram oportunidades de formação e, depois, de aplicar os conhecimentos adquiridos. Os resultados que foi alcançando incentivaram-no a continuar a investir na área do treino, num percurso que deu origem ao projeto Descãoplica, do qual é um dos responsáveis.
Hoje, o trabalho faz-se exclusivamente ao domicílio. As aulas são agendadas e preparadas de acordo com as necessidades de cada caso, seguindo-se a deslocação à casa dos clientes. Os horários distribuem-se ao longo do dia, entre sessões de manhã e outras que se prolongam até à noite.
O envolvimento dos tutores é uma parte essencial do processo. O treino é pensado para o cão, mas também para as pessoas com quem vive e para as rotinas que partilham.
Um plano para cada cão e cada família
Na Descãoplica, não existe uma sequência de exercícios igual para todos. Cada cão tem características próprias e cada família procura ajuda por razões diferentes.
“Nós elaboramos um plano de treino adaptado ao cão e ao dono e, consequentemente, à rotina que eles têm”, explica Tiago Almeida. O objetivo é responder à necessidade identificada e construir um trabalho que possa ser integrado no quotidiano da família.
Na maioria das vezes, o contacto surge quando já existe um problema que os tutores querem resolver. Mas há também quem procure orientação logo à chegada de um cão, seja ele comprado ou adotado, para preparar a sua integração em casa e prevenir dificuldades.
Esse acompanhamento desde cedo permite trabalhar com a família numa fase em que se estão a estabelecer hábitos e rotinas. Noutros casos, o desafio passa por intervir em comportamentos que já condicionam a convivência.


É na reabilitação comportamental que Tiago encontra a sua maior realização profissional. Motiva-o particularmente acompanhar cães resgatados ou com problemas graves e ajudar as famílias a construir uma relação que permita integrá-los no dia-a-dia.
“Pegar num cão que é resgatado, um cão que tem um problema grave, e ajudar a família a fazer com que ele seja um cão de companhia” é a forma como descreve essa vertente do trabalho. A possibilidade de os tutores passarem a incluí-lo em mais atividades e momentos da vida familiar dá sentido ao processo.
Entre os percursos que o marcaram, refere casos de cães que, segundo relata, estavam em risco de ser abatidos e que, após o trabalho de reabilitação, ficaram integrados em famílias.
Mas a satisfação também se encontra em histórias menos extremas: cães que acompanha desde pequenos, cujo crescimento vai seguindo e que passam a fazer parte dos diferentes capítulos da vida dos tutores.
São os animais que vão de férias com a família, que estão presentes quando nascem os filhos e que acompanham o crescimento das crianças. Para Tiago, observar essa relação ao longo do tempo é uma das recompensas da profissão.
“É muito gratificante”, afirma.
Quando questionado sobre aquilo de que menos gosta, não identifica uma tarefa em particular. Reconhece que existem situações mais difíceis e cães que colocam maiores desafios, mas não encontra uma parte do trabalho que possa dizer que não gosta de fazer.
Gostar, estudar e aprender com quem ensina
A quem pretende seguir uma profissão ligada aos animais, Tiago Almeida aconselha, antes de mais, que goste verdadeiramente da área. A esse interesse deve juntar-se o investimento na formação e no estudo, para compreender o trabalho que está a desenvolver.
Defende também a importância de procurar aprender com profissionais que tenham vontade de ensinar e disponibilidade para partilhar o que sabem.
É essa combinação entre conhecimento e dedicação que considera essencial. No final, resume a sua forma de encarar o trabalho numa frase: “Os animais têm de ser trabalhados com amor”.

