Greve de funcionários judiciais ameaça parar Tribunal em Anadia

Não é por falta de papel, como já aconteceu no passado, que o Tribunal Judicial de Anadia pode vir a sofrer constrangimentos nos serviços prestados à população. Em causa está uma greve “musculada” convocada pelo Sindicato dos Funcionários Judicias de Anadia, para os dias úteis de 26 de abril a 05 de maio.

Este movimento, que irá ser realizado a nível nacional, vem contestar a progressão de carreira “deficiente” dos oficiais de justiça e a publicação no Diário da República do novo estatuto desta classe profissional.

Manuel Veiga, membro do Conselho Nacional do Sindicato dos Funcionários Judiciais, revelou ao Jornal de Anadia que os movimentos de greve “têm vindo a ser contínuos” e que o “descontentamento dos profissionais do setor” tem sido comprovado com visitas às várias comarcas do país.

Neste sentido a organização sindical apela para que os oficiais de justiça, durante os dias de greve, fiquem em casa e não compareçam no local de trabalho. Esta movimentação tem como objetivo realizar uma paralisação total dos tribunais e dar mais força às reivindicações afirmadas pelos trabalhadores.

Perante esta ação a administração do Tribunal Judicial da Anadia pode convocar o cumprimento de serviços mínimos, numa tentativa de reduzir o efeito e os constrangimentos causados pela greve dos oficiais.

O representante sindical diz que “espera uma grande adesão” por parte dos funcionários judiciais, já que o último movimento “contou com muita aceitação”.

Neste momento foi garantido ao Jornal de Anadia que os problemas da falta de materiais, incluindo as folhas de papel, estão resolvidos, no entanto existe a falta de três trabalhadores para completar os quadros do Tribunal Judicial de Anadia.

 

Greve de um mês já adiou várias diligências

Não é a primeira vez que os oficiais de justiça de Anadia protestam num movimento sindical, sendo que desde o mês passado que tem sido realizada uma greve parcial, onde a falta de trabalho dos profissionais já adiou várias diligências.

Como avança Manuel Veiga ao Jornal de Anadia, esta greve vai além do estatuto e das progressões de carreira: “Queremos que o suplemento para compensação do trabalho de recuperação de atrasos processuais seja pago em 14 meses e não em 12 e ainda uma revisão salarial dos membros do setor”, acrescenta.

Explicou ainda que é exercido “muito trabalho fora de horas” para cumprir os prazos dos processos que decorrem na instituição, o que se traduz num “esforço extra” praticado pelos oficiais de justiça.

As movimentações e os protestos deste setor não têm fim à vista e as negociações entre o sindicato e o secretário de estado da Justiça, Pedro Tavares, e a diretora geral da Administração da Justiça, Isabel Namora, não surtiram qualquer avanço até ao momento do fecho desta peça.

 

Tiago Alexandre

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