Opinião por John Paulo Rodrigues: A grande recuperação do mercado acionista

Desde 30 de março, o mercado acionista, medido pelo S&P 500 (norte-americano), tem subido mais de 15%. A razão apontada pelos media financeiros foi que o mercado caiu vítima da guerra entre os EUA e o Irão e das incertezas que as guerras trazem às economias globais e aos seus mercados, tornando-o ainda mais sensível com conflitos nessa parte do mundo.

Mas a verdade é que, desde outubro — muito antes de a guerra iniciar em fevereiro — o S&P 500 estava a andar de lado, criando o que, para mim, parecia ser um processo de “topping”, confirmado com a queda de 10% que vimos em março.

A queda do mercado em março foi profunda e muito rápida, criando assim uma condição de “oversold”, ou sobrevendido. Ao atingir o fundo desta condição, o mercado fica tão estendido que, quando finalmente toca no fundo, qualquer sinal de boas notícias — neste caso, o cessar-fogo no Irão — faz disparar o mercado de forma violenta para níveis mais elevados.

Como uma fisga ou uma bola debaixo de água: quanto mais se estica a fisga para trás ou mais fundo se coloca a bola debaixo de água, maior é a força e a velocidade quando se largam. Isto leva-nos a uma recuperação em forma de V. Como se pode ver no gráfico do S&P 500, a recuperação forma-se como a letra V.

O segredo do investimento nesta situação não é tentar encontrar o fundo do mercado durante uma queda. O segredo é perceber que o mercado está numa queda insustentável e que estamos a chegar perto do fim. Tal como aconteceu em abril de 2025, março de 2020, dezembro de 2018, março de 2009 e março de 2002. Em todas estas situações, o prudente era ir investindo enquanto o mercado estava em queda, construindo posições aos poucos e não tudo de uma vez. Esse é o ingrediente do sucesso.

Os meus indicadores técnicos, que utilizo tal como um navegador usa uma bússola, indicam um bom próximo ano para o S&P 500. Em abril, um dos indicadores mais confiáveis registou um sinal de compra no mercado acionista. Em média, quando este indicador regista um sinal de compra, o rendimento no mercado atinge quase 30% em 18 meses, e nunca registou um rendimento negativo 12 ou 18 meses depois. É um muito bom sinal, mas, ainda assim, não há garantias nos mercados acionistas. Existem probabilidades — e devemos investir com base nas melhores probabilidades.

Espero que tenham gostado deste artigo. Nada do que aqui partilho constitui aconselhamento financeiro; para isso, deve consultar um consultor de investimentos ou broker. Partilho apenas o que sei, com base numa experiência de mais de 30 anos nos mercados financeiros, com altos e baixos.

Sou duas vezes campeão português de trading (2007 e 2011) e estou constantemente no topo da tabela dos Campeonatos de Investimento dos EUA, uma competição global. Se procuram mais informação, podem encontrar-me nas redes sociais, como no Instagram e no X (Twitter), sob o nome @corkyinvestor. No YouTube, tenho também um podcast em português, na página @corkyinvestor.

Bons investimentos e até ao próximo artigo.

 

John ‘Paulo’ Rodrigues

@corkyinvestor

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