Estamos a pouco mais de três meses da Jornada Mundial da Juventude e, como diz o hino que tantos jovens em todo o mundo cantam, há pressa no ar. E essa pressa sente-se e excita e anima quem se está a dedicar à preparação do evento, seja o encontro central, em Lisboa, sejam os encontros locais, nas dioceses e nas paróquias. Existe, porém, uma preocupação comum que, de certo modo, inquieta e requer muita atenção e dispêndio de energia: encontrar famílias de acolhimento. Bem sabemos que ser família de acolhimento é uma função que muitas temem; são muitas as questões que afligem o pensamento e desassossegam a alma; existe o medo do desconhecido, porque, à partida, ninguém saberá quem vai receber em sua casa, mas existe a garantia de que, pela distribuição logística que é feita, todas as condições de segurança estão absolutamente garantidas. No entanto, para todos os naturais receios existem também naturais soluções, porque ser família de acolhimento não é um bicho de sete cabeças: é, pelo contrário, a disposição cristã de receber e oferecer o que temos.
Como peregrino que fui na Jornada Mundial da Juventude de 2016, em Cracóvia, tenho um longo testemunho pessoal e indireto das expetativas de quem é recebido. Quem participa na Jornada Mundial da Juventude não procura luxos: aceita com profunda gratidão qualquer espaço que lhe for emprestado, seja uma cama, um sofá ou um pedaço de chão. Quem participa na Jornada Mundial da Juventude não pretende impor a sua vontade a ninguém: submete-se a quem acolhe, colocando-se à disposição do serviço fraterno de fazer o que for preciso para o bem-estar da família que o recebe. Quem participa na Jornada Mundial da Juventude vem de braços abertos: e espera que o recebam da mesma forma e com o mesmo carinho que estão dispostos a partilhar.


Não são muitas as oportunidades que, ao longo da vida, temos de alargar os nossos horizontes e de receber em nossa casa jovens oriundos dos quatro cantos do mundo. Esta é, aliás, uma oportunidade única de alargar a nossa família por uns dias. E, se tivermos sorte, essa relação prolongar-se-á pela vida fora e recordaremos, para sempre, aqueles dias que fomos mais e melhores pela partilha a que nos dispusemos.

