Entrevista a Jorge Sampaio, candidato à Câmara Municipal de Anadia

Jorge Sampaio, candidato à presidência da Câmara Municipal de Anadia pela coligação “Anadia Primeiro” (PSD/CDS), apresenta-se a estas eleições com o objetivo de dar continuidade ao trabalho desenvolvido no concelho e lançar uma estratégia de desenvolvimento a dez anos. Na entrevista, fala dos principais eixos do seu programa — fixação de pessoas, qualidade de vida e inclusão — e das medidas que quer implementar para atrair jovens, empresas e reforçar os serviços públicos.

 

1 – Porque decidiu candidatar-se à presidência da Câmara de Anadia?

Sou um homem de desafios. É isso que me move na vida. Ao longo dos últimos anos dediquei-me ao Concelho de Anadia. Foram seis mandatos de trabalho em que tanto foi feito, mas com a perfeita noção de que muito ainda há a fazer. Há quatro anos, quando fui convidado para este mandato, tomei a decisão pessoal de que após este ciclo, não voltaria a ser candidato a Vereador. Ou daria o passo seguinte e me candidatava a Presidente de Câmara ou seguiria outro rumo na minha vida profissional. Nos últimos anos, foram vários os desafios que foram aparecendo – do sector privado e público (local, regional e nacional) – alguns dos quais de enorme ambição. Mas a ligação que criei com o meu Município, com os Anadienses e o facto de sentir que ainda posso dar muito a este território, fez-me decidir ficar e construir este projeto ambicioso que pretendo concretizar. Este é, de facto, o maior desafio da minha vida, mas não é um desafio individual e solitário. É o resultado de um trabalho conjunto, corporizado numa equipa incrível, imensa e de enorme qualidade, que foi decisiva para eu ter avançado com esta candidatura. Sentir que tinha tanta gente a acreditar em mim e sobretudo em Anadia foi, de facto, o fator crucial para a minha tomada de decisão.

 

2 – Quais são as três principais prioridades do seu programa eleitoral?

A missão de uma Autarquia centra-se em três dimensões e estes serão os três Pilares da Estratégia ANADIA 2035 – COMPROMISSO PARA O FUTURO, que desenhámos e que constituem as nossas prioridades. Cada um destes Pilares divide-se em Áreas Estratégicas (temáticas), que se concretizarão em mais de duzentos projetos, para uma década de desenvolvimento do Concelho de Anadia.

O primeiro pilar é a fixação de pessoas e atratividade do território, está muito assente em áreas tão essenciais como a Educação/Qualificação, a Mobilidade, a Saúde e a Habitação, mas também a Economia, o Empreendedorismo e a Inovação, sem esquecer a Agricultura e Florestas.

Por outro lado, dar qualidade de vida aos que escolhem Anadia será também central nos investimentos que vamos fazer. Desde logo, nas infraestruturas básicas – água, saneamento, resíduos e comunicações – na proteção do ambiente, lazer e bem-estar e nas preocupações energéticas. No desporto e cultura, ambicionamos fazer investimentos criteriosos e impactantes que detalhamos exaustivamente no nosso programa eleitoral.

O terceiro pilar é o da igualdade, inclusão e globalização. Queremos integrar os que escolhem Anadia para viver e visitar, sejam nascidos aqui ou vindos de fora, pois acreditamos que é elementar neste mundo que se quer cada vez mais global e conectado. Queremos igualmente identificar os Anadienses espalhados pelo mundo, para que possam contribuir com ideias e projetos para o enriquecimento do Concelho e que promovam o Município além-fronteiras, constituindo uma rede de Embaixadores de Anadia, contribuindo igualmente para estreitar os laços e garantindo que serão sempre bem recebidos nesta que será sempre a sua casa. Anadia tem de ser maior que os seus limites geográficos, ganhar escala nacional e internacional, abrindo-se e dando-se a conhecer ao mundo. Ajudar a internacionalizar as nossas empresas, e levar a nossa cultura para o exterior serão projetos a desenvolver pelo Gabinete de Globalização, Internacionalização e Integração que pretendemos criar.

 

3 – Quais medidas tem para atrair e fixar jovens e empresas em Anadia?

No nosso programa, que designamos por documento estratégico, incluímos medidas específicas para a juventude, dado ser urgente alavancar a proporção de jovens no concelho. Esta é uma preocupação transversal à nossa estratégia, com destaque para três áreas principais: Educação, Emprego/Empreendedorismo e Habitação.

Na área da Educação, destacaria duas medidas: Ativar a Escola da Bairrada – Pólo de Anadia, por forma a estruturar a oferta de ensino superior, com foco em áreas estratégicas da região: enologia, enoturismo, termalismo e desporto, contribuindo igualmente para a captação de jovens estudantes; Criação do Programa de Orientação Vocacional e Mentoria de estudantes e jovens, que estimule o desenvolvimento de soft skills, inteligência emocional e apoio na escolha vocacional e profissional.

Na Empregabilidade e Empreendedorismo, temos de nos focar muito nas novas exigências da nossa sociedade e do mercado de trabalho, onde a tecnologia e a inovação são constantes diárias. Por isso, destacaria as seguintes medidas: otimizar o Programa de Bolsas de Estágio para jovens com 12º Ano e o Programa de Bolsas de Emprego para jovens recém-licenciados, reduzindo a burocracia e diminuindo os prazos de decisão de atribuição, atento o dinamismo atual do mercado de trabalho. Criar também Bolsas Municipais de Estágios de Trabalho – Estágios remunerados com a duração de 12 meses em áreas de trabalho a indicar pelo Município; Implementar Bolsas de Investigação e Desenvolvimento (I&D) e apoios financeiros a Spin-offs universitárias em setores-chave, promovendo ecossistemas de inovação que impulsionem o crescimento económico do Concelho; Lançar o InovaAnadia, um Concurso Municipal de Empreendedorismo e Inovação/Criatividade para jovens; Fixar um Hub de Inovação e Criatividade que funcione como um Centro de Indústrias Criativas e Culturais (HUB Criativo AND); Por fim, destaco uma medida há muito exigida, relacionada com a Habitação, que consiste na criação de um programa Municipal de apoio ao arrendamento urbano exclusivamente dedicado aos jovens.

4 – Que medidas poderíamos adotar para reforçar os cuidados de saúde locais, melhorando acesso e qualidade?

A Saúde e os cuidados médicos têm uma importância vital no alinhamento da visão estratégica que delineámos. São dois vetores do desenvolvimento local, pois traduzem, mediante o grau de acessibilidade aos mesmos, os níveis de qualidade de vida e coesão social de uma comunidade. Embora seja uma área em que a atividade dos Municípios ainda está limitada, não pode deixar de ser uma preocupação, à qual devemos dedicar toda a atenção, quer seja pela atuação de forma direta ou indireta do Município, influenciando, na medida do possível, as decisões do Estado Central, em favor de todos os munícipes. Precisamos dar continuidade, intensificar e intermediar o trabalho em rede entre todos os players do setor, exigindo junto das entidades competentes, que o Hospital José Luciano de Castro integre a rede da ULS Aveiro, assim como devemos assegurar o incremento da oferta de serviços clínicos desta unidade. Queremos promover a prevenção, nos primeiros ciclos de ensino, e por isso iremos avançar com dois programas de enorme importância – o Rastreio Oftalmológico e o Combate à Obesidade e Educação para a Nutrição para crianças até aos 12 anos. Ainda nestas idades, iremos reforçar o programa Saúde Oral nas Escolas, em parceria com higienistas dentários locais, em complemento ao Programa Cheque-Dentista, criado pelo Estado Central. Também a população sénior estará no seio das nossas preocupações, pelo que iremos implementar o programa “Viver Mais, Viver Melhor em Casa”, que se trata de um rastreio domiciliar anual a maiores de 75 anos, com formação prática para cuidadores informais. Temos de exigir e criar condições para que todos os munícipes tenham médico de família e não podemos ficar à espera de que as pessoas mais debilitadas se resignem às listas de espera. Por isso, avançaremos com o “Cheque Saúde Sénior”, que será um apoio municipal para Munícipes com mais de 65 anos, que permite a comparticipação do custo com a realização de exames básicos ou consultas de especialidade, realizadas em clínicas locais, sempre que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) não for capaz de cumprir os Tempos Máximos de Resposta Garantidos (TMRG). Por fim, destaco a nossa precaução com duas dimensões às quais devemos concentrar mais esforços – Saúde da Mulher e Saúde Mental. Iremos assim promover o “Anadia Cuida”, um Gabinete de Apoio que ofereça informação, escuta e acompanhamento em áreas muitas vezes negligenciadas como a infertilidade, a menopausa, o cancro e o bem-estar psicológico.

 

5 – A parca habitação disponível é um problema nacional e Anadia não é exceção. O que pode ser melhorado?

O problema da habitação que grassa em Portugal e que afeta igualmente o nosso Concelho, tem no nosso documento estratégico uma área dedicada, pois acreditamos firmemente que o Município de Anadia deve desempenhar um papel muito importante para colmatar esta falta de stock de habitação, em especial, habitação para arrendamento acessível. Os Municípios não devem substituir o setor privado, transformando-se em imobiliárias, mas por vezes necessitam de o fazer, para incentivar o investimento, aumentando a oferta e ajudando a estabilizar os preços, quer no arrendamento quer na aquisição. Assim, não posso deixar de salientar alguns dos projetos que iremos avançar imediatamente e que se relacionam entre eles: Requalificar as antigas instalações do Serviço de Finanças de Anadia, recentemente adquiridas à ESTAMO, bem como a antiga casa dos Magistrados, convertendo-as em habitação municipal em regime de arrendamento acessível; Desenvolver um Programa de Incentivos à Reabilitação de Edifícios Devolutos, com vista à criação de habitação acessível, em complemento das Áreas de Reabilitação Urbana (ARU) já existentes, garantindo-lhes igualmente acesso a benefícios fiscais – IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) e IMT (Imposto Municipal sobre as Transmissões); Concluir a construção dos 21 fogos habitacionais em Sangalhos, comparticipadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e iniciar a construção dos blocos habitacionais “Varandas do Parque”. Também iremos desenvolver um programa Municipal de apoio ao arrendamento urbano exclusivamente dedicado aos jovens e que vem colmatar uma lacuna, que o atual apoio municipal ao arrendamento urbano para fim habitacional, não consegue suprir, por ter essencialmente outros critérios de acesso. Pretendemos ainda, iniciar a discussão pública e preparar a próxima Revisão do PDM, ajustando eventuais áreas afetas à construção.

 

6 – Que medidas podiam ser tomadas para melhorar a rede social? Principalmente no que toca a crianças e jovens.

A nossa Rede Social faz um trabalho exemplar no acompanhamento de proximidade e desenvolvimento de apoios a toda a população. São quase vinte entidades que trabalham em conjunto para ajudar diariamente crianças, jovens e adultos. Queremos continuar este trabalho e o diálogo permanente com todos, na garantia absoluta da coesão da nossa comunidade, reduzindo desigualdades e a exclusão social. A aposta numa ação social escolar robusta e atenta aos problemas diários afigura-se essencial para garantir que todos os jovens têm acesso ao estudo e a um presente e futuro. Além dos apoios sociais aos alunos que já hoje existem – alimentação, livros, transportes, entre outros – e que queremos manter- juntamos a necessidade de garantir o ensino pré-escolar para todos, assim como uma reestruturação da oferta de Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC) e Atividades de Animação e de Apoio à Família (AAAF), ajustando horários e custos. Na mesma linha de atuação, pretende-se rever critérios para os tornar mais inclusivos, no que concerne às férias desportivas e culturais promovidas pelo Município. Não podemos deixar de mencionar a nossa preocupação com os séniores. Vamos dedicar muita da nossa energia para instituir uma Rede de Cuidadores Informais, promovendo sinergias com o Banco Local de Voluntariado de Anadia e criar o Programa Sénior Ativo, um plano de ação municipal para o Envelhecimento Ativo e Saudável, assim como um programa de Mobilidade Solidária para séniores com dificuldades de locomoção. Mas é nas relações intergeracionais que acreditamos estará a nossa maior capacidade de inovar, com programas que juntem jovens e séniores, para partilha de competências (ex.: ofícios, digital, culinária, artes).

 

7 – Anadia é um destino turístico? No enoturismo, termalismo, gastronomia ou usando outros recursos locais?

Anadia já é um destino turístico de excelência. Tem-se afirmado em produtos como Saúde e Bem-estar, no Enoturismo e foi inovadora no Turismo Desportivo, sendo um exemplo a nível nacional e internacional. Mas há muito ainda para fazer, quer nestas áreas que já trabalhamos há anos, quer em outras que queremos desenvolver e potenciar. As Termas da Curia e Vale da Mó são âncoras para o produto Saúde e Bem-estar. Nas primeiras, de propriedade privada, já iniciámos um diálogo no sentido de haver um compromisso que garanta investimento e qualificação das Termas, hotel e, principalmente, do parque. No caso de Vale da Mó, pretendemos avançar com a criação de um novo balneário, dotando-as de novas valências e iniciar o projeto da criação da Aldeia Termal de Vale da Mó, um refúgio que mistura as águas termais com a ruralidade autêntica. Mas, entre tantos projetos que temos para o turismo, permitam-me que saliente mais um, que está ligado aos nossos espaços de água – Lagoas do Paúl (Ancas), Torres e Aguim, e Barragens da Gralheira, Saidinho e Porcão – que queremos requalificar, turisticamente e ambientalmente, enquadrados no projeto nacional das Estações Náuticas. Temos de tirar mais proveito destes espaços, sempre em respeito pela natureza e biodiversidade incrementando o lazer e bem-estar das populações.

 

8 – Qual será a sua política para a cultura, desporto e associativismo?

Tanto haveria para desenvolver sobre estas três temáticas – cultura, desporto e associativismo – e que está bem presente na nossa Estratégia ANADIA 2035 – COMPOMISSO PARA O FUTURO. Cada uma destas áreas daria para duas páginas de entrevista. Mas resumindo, posso afirmar que a proximidade às associações – culturais, desportivas e de ação social – que sempre tivemos, será uma constante do nosso trabalho. Não abdicaremos desse diálogo e desafio permanente. Só com as associações poderemos ter mais cultura, mais desporto e mais ação social. O desporto ficará marcado pela contínua qualificação ou requalificação de infraestruturas, mas acima de tudo pela criação de novas infraestruturas para desportos que têm vindo a crescer no Concelho, nomeadamente o Squash, Karaté, Kickboxing, Supercross e Atletismo. Além das associações, pretendemos apoiar ainda mais os atletas, com a atribuição de Bolsas para atletas de elite. Mas também no desporto adaptado queremos, igualmente, atribuir bolsas desportivas. Vamos incentivar também o incremento do desporto no feminino, diminuindo a discrepância de géneros que ainda hoje existe. A aposta no desporto para todos é clara, dos mais jovens aos mais velhos.

Na cultura, pretendemos levar a cabo a criação do Museu das Artes Gráficas, que se juntará aos restantes espaços do Concelho. Queremos estruturar a Rede de Museus do Concelho de Anadia, para potenciar o aumento de visitantes e fomentar a cooperação institucional, contribuindo igualmente, para o alinhamento da promoção da identidade cultural local. O trabalho com as associações será essencial à cultura, que terá como elemento estruturante a criação de uma Escola de Artes, que pretendemos desenvolver com elas. Quero assim deixar patente, que queremos pensar a cultura como pilar do desenvolvimento económico do Município.

 

9 – Há alguma primeira medida que se vê a tomar de imediato, caso vença as eleições?

Claro que sim! Quero sentar-me com a nossa equipa, no dia imediatamente seguinte às eleições, e começar a estruturar a execução de todos os projetos. Sempre em equipa.

 

10 – Como vê Anadia daqui a quatro anos?

Queremos um Concelho mais forte, mais estruturado, com mais gente e, acima de tudo, que as pessoas tenham mais qualidade de vida. Que gostem de viver, trabalhar, estudar e visitar Anadia. Mas permita-me que acrescente, sem falsa modéstia, que o documento estratégico que delineámos não se circunscreve a quatro anos, pois há projetos que não se compadecem com uma visão de curto prazo. Temos sim, ousadamente, uma estratégia de longo prazo para o Município de Anadia, a dez anos, e que servirá melhor os interesses de todos os munícipes. É esse o nosso compromisso.

 

11 – Que resultado espera para o seu partido?

O nosso objetivo é claro: trabalhar para o Concelho de Anadia e para os Anadienses! Só o alcançaremos se tivermos um resultado eleitoral que nos garanta a capacidade de executar os projetos a que nos propomos. Esse resultado será objetivado na vitória nas dez freguesias, assim como na Câmara Municipal e a Assembleia Municipal, com uma maioria clara e absoluta.

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