Realizou-se a 10 de abril, pelas 19h00, na sede da Junta de Freguesia de Avelãs de Cima, uma sessão extraordinária da Assembleia de Freguesia dedicada à análise do pedido de atribuição de direitos de prospeção e pesquisa de depósitos minerais — nomeadamente caulinos, areias siliciosas e argilas especiais — na zona “Barro do Moleiro”.
O tema, considerado de elevado impacto para o território e para a qualidade de vida da população, motivou uma significativa adesão por parte dos cidadãos, refletindo a preocupação generalizada em torno de uma possível exploração futura na freguesia.
A sessão foi convocada por iniciativa conjunta da mesa da Assembleia e do Executivo, na sequência da consulta pública a decorrer até 13 de abril. Na abertura dos trabalhos, o presidente da Assembleia de Freguesia, Aníbal Ferreira, explicou o enquadramento legal da reunião extraordinária, sublinhando que, por norma, este tipo de sessões não contempla a participação do público. Ainda assim, e tendo em conta a relevância do assunto, foi apresentada e aprovada por maioria uma proposta excecional que permitiu um período de 30 minutos para intervenção dos cidadãos no final da ordem de trabalhos.
Durante a sua intervenção, o presidente da Junta de Freguesia, Manuel Veiga, esclareceu as diligências realizadas pelo Executivo desde que teve conhecimento do processo, divulgado pela Direção-Geral de Energia e Geologia a 11 de fevereiro de 2026. O autarca admitiu surpresa face à situação, referindo que a Junta não tinha sido previamente informada.


Manuel Veiga referiu ainda que a Câmara Municipal já manifestou oposição ao projeto, tendo aprovado uma moção contra a realização não só da exploração, mas também da própria prospeção. O autarca alertou para a dimensão da área em causa — cerca de 800 hectares — e para os possíveis efeitos negativos no território, considerando que a concretização do projeto poderá representar “uma tragédia” para a freguesia.
As intervenções dos membros da Assembleia reforçaram, de forma unânime, a preocupação ambiental associada ao processo. António Carlos, deputado da coligação Anadia Primeiro PSD/CDS-PP, alertou para os riscos relacionados com as linhas de água existentes, classificando a situação como “uma catástrofe” para o equilíbrio ambiental local. Também João Paulo, deputado do Partido Socialista, manifestou concordância com a posição do Executivo, reforçando a oposição ao projeto.
No período reservado ao público, os participantes expressaram maioritariamente posições contrárias à prospeção, enumerando impactos negativos como a degradação da paisagem, poluição do ar e da água, destruição de solos agrícolas, aumento do ruído e danos nas infraestruturas locais. Foi ainda incentivada a participação na consulta pública em curso, através da submissão de contributos e assinatura de petições.
A sessão ficou marcada por um consenso alargado entre eleitos e população quanto à rejeição do projeto, evidenciando a mobilização da comunidade em defesa do território.

