A presença de Anadia nos centros de decisão do setor da construção volta a sair reforçada com a recondução de Pedro Coelho, em representação da MARSILOP – Sociedade de Empreitadas, S.A., na Direção da AICCOPN para um novo mandato. Entre o sentido de responsabilidade e o reconhecimento pelo percurso da empresa, a nova etapa é encarada como uma oportunidade para continuar a defender os interesses das empresas do setor, num contexto marcado por desafios como a falta de mão de obra, a carga burocrática e a necessidade de maior incentivo ao investimento.
Com mais de sete décadas de atividade e uma ligação histórica à associação, a MARSILOP assume esta representação também como uma forma de dar voz à região Centro, reforçando a importância de descentralizar decisões e aproximar as empresas dos principais interlocutores institucionais.
Entrevistámos Pedro Coelho, diretor geral da Marsilop:
Jornal de Anadia (JA) – O que representa, pessoalmente e profissionalmente, este segundo mandato na direção da AICCOPN?
Pedro Coelho (PC) – Sem querer que pareça um lugar comum, o primeiro sentimento é de uma grande responsabilidade. Ser o representante da MARSILOP – Sociedade de Empreitadas, S.A. na Direção desta prestigiada associação, é também um privilégio. Importa referir que somos uma empresa com 72 anos de existência e um dos associados mais antigos da AICCOPN, o número 17, sendo que é superior a 6.000 os número de sócios que compõem esta Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas Nacional, que conta com mais de 133 anos de existência. No foro mais pessoal, é também uma questão de responsabilidade social, pois sinto que é muito importante o poder dar algum do meu tempo ao associativismo.
JA – Que balanço faz do seu primeiro mandato? O que correu bem e o que ficou por concretizar?
PC – Tenho que corrigir para “nosso” mandato. Nos últimos três anos dei o meu contributo para o trabalho de toda uma Direção, composta por empresas de superior qualidade e representadas por dirigentes de excelência. Foi também graças a todos eles, mas particularmente ao então Presidente da Direção, Manuel Reis Campos, conjuntamente com o atual Presidente, Ricardo Gomes, que esta associação veio a tornar-se única e de âmbito nacional, na defesa constante e firme de todas as empresas do setor da construção. Muito fizemos e, sendo certo que nem sempre esse trabalho é visível, muito há ainda para fazer. Uma coisa posso garantir: a AICCOPN continuará sempre a pugnar para que haja melhores condições para que as empresas possam investir e produzir mais e melhor. Não tenhamos dúvidas, o que é bom para as empresas, é também para os trabalhadores, e consequentemente para o país.
JA – Que objetivos concretos leva agora para este novo ciclo?
PC – A AICCOPN tem um vasto e bem definido plano de atividades, sempre com ênfase em ser o representante deste tão importante setor económico do país. No imediato há que ajudar na resolução de alguns constrangimentos que afetam diretamente a produtividade: a falta de mão de obra e a necessidade de legislação, também na área fiscal, que possa alavancar o investimento e o crescimento das empresas de construção civil, seja da iniciativa privada ou das obras públicas. Se os responsáveis das empresas verificarem que há menos entraves legais, fiscais e burocráticos, é certo que irão estar mais predispostos para investir, para crescer, para arriscar. É deste empreendedorismo que que Portugal precisa.
JA – O que significa para uma empresa de Anadia estar representada numa estrutura nacional como a AICCOPN?
PC – Num contorno mais pessoal, confesso muita satisfação em, de alguma forma, contribuir para trazer ainda mais visibilidade a esta cidade de Anadia, uma terra que tanto gosto e onde tão bem me sinto. Ao longo da minha vida, e atualmente, tenho integrado diversos órgãos sociais, particularmente na minha terra, Vila Nova de Poiares, mas também aqui em Anadia, onde sou Presidente da Assembleia-Geral da Associação Começar Hoje. Poder estar, em representação da MARSILOP, que tem a sua sede neste Município de Anadia, numa associação de tão grande dimensão e de relevo nacional como é a AICCOPN, deixa-me muito feliz.


JA – Quais são, neste momento, os principais desafios que o setor da construção enfrenta em Portugal?
PC – A necessidade de instrumentos legais e fiscais que permitam que este setor possa contribuir cada vez mais para o crescimento da economia nacional. A falta de mão de obra é também uma barreira para que as empresas possam produzir mais, pelo que é fundamental captar pessoas, portugueses e emigrantes, para este setor. Para isso, a formação e a melhoria das condições de trabalho é um ponto central. Mais recentemente, o aumento do petróleo (que tem vindo a provocar o aumento generalizado das energias e dos produtos) é também preocupante para quem gere as empresas. As construtoras e todas as empresas da fileira da construção já demonstraram a sua resiliência nas várias crises que nos têm assolado, como a pandemia da Covid-19, a guerra na Ucrânia e agora com o conflito no Irão e em grande parte do Médio Oriente. O Estado e a União Europeia têm que estar atentos às necessidades prementes das empresas. Só com empresas fortes haverá Estados fortes.
JA – A sustentabilidade já é uma prioridade real nas empresas?
PC – Os portugueses mostraram ao longo dos tempos a sua tenacidade, a sua capacidade de se reinventarem, de resolver problemas. Talvez por essas capacidades nos falte ainda melhorar no que diz respeito ao planeamento a longo prazo. A engenharia e construção portuguesas têm tudo para ser fortes e competitivas, mas falta-nos a dimensão, a escala de outros países, pelo que somos obrigados e ser mais criativos para competir com os outros. Só assim conseguimos atingir patamares de sustentabilidade e de excelência que nos permitam estar numa economia cada vez mais global. Este é um tempo de uma cada vez maior relevância da tecnologia (sendo disso exemplo a Inteligência Artificial, já tão presente também na construção), mas nunca podemos esquecer as pessoas. Penso até que, agora mais que nunca, as empresas dependem dos seus trabalhadores. Tento, em cada dia, mostrar o meu apreço pelo trabalho que faz cada uma das pessoas que trabalham comigo, pelo que permitam que deixe um agradecimento a todos os colegas que integram as duas empresas de que faço parte. Delas depende toda a sustentabilidade das empresas que integram.
JA – Que mensagem deixa aos empresários da construção da região?
PC – Uma mensagem positiva, de reconhecimento pela sua resiliência e um pedido de que nunca baixem os braços. O país precisa das empresas, para que haja mais e melhor emprego, para que tenhamos um país mais forte e com melhores condições de vida. No que concerne à AICCOPN, a sua total disponibilidade para ajudar as empresas nas suas dúvidas, até mesmo nas “suas dores”. Os órgãos sociais desta associação e, de uma forma mais direta, os seus funcionários, estão ao inteiro dispor das empresas.
JA – Se pudesse mudar uma única coisa no setor, qual seria?
PC -Vou repetir-me, mas a pergunta assim o obriga. Tornaria a legislação da contratação pública e as leis fiscais, bem como os processos de licenciamento, mais céleres, mais eficazes e mais justos. Esta burocracia atola-nos a todos em ineficiências que impedem a criação de valor. As empresas, e particularizando as empresas da fileira da construção, não devem ser vistas como um adversário, muito pelo contrário, são um parceiro fundamental do Estado.

