O candidato da CDU à Câmara Municipal de Anadia, Mário Rui Briosa, afirma que a sua decisão de avançar resulta da convicção de que o concelho precisa de inverter décadas de estagnação e perda de competitividade. Com uma equipa que garante “experiência, energia e visão de futuro”, apresenta um programa centrado nas pessoas, na habitação, na educação e na inovação, defendendo uma política de proximidade que coloque os interesses dos anadienses acima de qualquer agenda partidária.
Jornal de Anadia – Porque decidiu candidatar-se à presidência da Câmara de Anadia?
Mário Rui Briosa – Decidi candidatar-me porque acredito profundamente no potencial humano, cultural e económico de Anadia. Este concelho tem uma localização privilegiada entre Coimbra e Aveiro, faz parte da Região Demarcada dos Vinhos da Bairrada e possui recursos endógenos únicos como as estâncias termais da Curia e de Vale da Mó. No entanto, assistimos a décadas de estagnação, desertificação do centro urbano, saída de jovens e perda de competitividade. Quero mudar esse rumo. O nosso projeto é centrado nas pessoas: garantir dignidade aos idosos, estabilidade às famílias e oportunidades reais aos jovens. Venho com uma equipa preparada e um plano sólido que alia tradição e inovação, respeitando a nossa identidade mas abrindo horizontes de modernidade e progresso. A candidatura da CDU é um compromisso sério de colocar os munícipes em primeiro lugar e preparar Anadia para os desafios da sustentabilidade, da economia verde e da justiça social.
JA – Quais são as três principais prioridades do seu programa eleitoral?
MRB – As prioridades foram definidas a partir dos problemas mais urgentes:
Primeira prioridade – Apoio às famílias e valorização das pessoas. Pretendemos rever e reforçar os apoios sociais. Isso passa por garantir manuais, mochilas e refeições para alunos carenciados, aumentar o número de bolsas de estudo, financiar consultas médicas, dentárias e oftalmológicas, e criar um Banco Local de Ajudas Técnicas para idosos e pessoas com deficiência. Queremos implementar a teleassistência domiciliária e apostar em serviços de proximidade que devolvam dignidade à população.
Segunda prioridade – Habitação. O acesso a casa é hoje um dos maiores bloqueios ao desenvolvimento de Anadia. A nossa estratégia combina a construção de habitação social, a reabilitação de casas devolutas, a reconversão de património público como antigas escolas primárias e a aposta em soluções inovadoras como casas modulares. Só assim fixaremos jovens e famílias que hoje são obrigados a sair.
Terceira prioridade – Educação e inovação. Sem conhecimento não há futuro. Vamos reforçar bolsas de estudo, aumentar assistentes operacionais nas escolas, melhorar infraestruturas e alimentação, apoiar atividades de enriquecimento curricular e investir em áreas estratégicas como vitivinicultura, geriatria e termalismo. Queremos que os jovens encontrem em Anadia condições para estudar, criar projetos e empreender.
JA – Que medidas tem para atrair e fixar jovens e empresas em Anadia?
MRB – O plano de ação prevê medidas estruturais. Na habitação, além do Porta 65 e de programas nacionais, queremos promover rendas acessíveis e habitação a custos controlados. Para os jovens empresários, teremos formação em empreendedorismo, incubadora de empresas e um Tecnoparque com condições reais, não apenas de fachada. As empresas encontrarão um município parceiro: simplificação de licenciamentos, redução de burocracia e apoio técnico para candidaturas a fundos europeus. Em contrapartida, exigiremos responsabilidade social: salários dignos, respeito pelos trabalhadores e compromisso ambiental. Apostaremos ainda na dinamização do turismo, no cluster do vinho e termalismo, criando emprego qualificado e fixando população.
JA – Que medidas podem reforçar os cuidados de saúde locais?
MRB – A CDU defende intransigentemente o Serviço Nacional de Saúde. O Hospital José Luciano de Castro perdeu valências essenciais e isso não pode continuar. Defendemos um Centro de Saúde com atendimento 24 horas e a reativação das áreas materna, obstétrica e pediátrica. Propomos ainda a criação de gabinetes especializados de geriatria e acompanhamento de doenças crónicas como diabetes e obesidade, bem como um Centro de Acompanhamento do Envelhecimento orientado para pessoas com mais de 50 anos. Paralelamente, valorizaremos as termas como recurso de saúde e bem-estar e reforçaremos o apoio ao desporto, às coletividades e aos bombeiros como pilares de saúde preventiva.
JA – A parca habitação disponível é um problema nacional. O que pode ser melhorado em Anadia?
MRB – A nossa política é clara: usar todos os instrumentos ao dispor. Vamos avançar com habitação social, recuperar casas abandonadas, reconverter escolas desativadas em apartamentos e apostar em modelos mais rápidos como casas modulares. Defendemos candidaturas ao PRR e fundos europeus para garantir financiamento. Não basta falar em habitação; é preciso agir de forma célere e pragmática, porque cada jovem que parte é uma perda para o concelho.


MRB – O Plano de Ação aposta na criação de uma rede integrada de proteção social. Propomos espaços de apoio educativo, psicológico e social, reforço de atividades extracurriculares acessíveis a todos e envolvimento das associações locais. As famílias mais frágeis terão acompanhamento personalizado, com apoio a despesas de saúde, educação e habitação. Queremos garantir que nenhuma criança abandone a escola por razões económicas e que os jovens encontrem em Anadia oportunidades para crescer e desenvolver talentos.
JA – Anadia é um destino turístico?
MRB – Sim, mas muito subaproveitado. O enoturismo deve ser motor económico, valorizando vinhos, caves e museus. O termalismo tem de ser dinamizado como produto de saúde e bem-estar, com ligação à vinoterapia. A gastronomia deve ser ampliada, integrando pratos tradicionais e doçaria regional. Além disso, temos condições únicas para turismo de natureza, cultural e patrimonial. Queremos afirmar Anadia como cidade-SPA, integrando vinho, saúde, bem-estar e investigação científica. Isso está plasmado no grande projeto WINE.HEALTH.UNI, que alia tradição vitivinícola, termalismo e ciência para atrair visitantes e investidores nacionais e internacionais.
JA – Qual será a política para cultura, desporto e associativismo?
MRB – A cultura é pilar da identidade. Pretendemos reforçar programas municipais de apoio ao associativismo, dinamizar a Feira do Vinho e da Vinha com projeção internacional, trazer o Teatro Municipal para o circuito nacional e criar o ciclo “12 meses, 12 personalidades”, com artistas, cientistas e escritores. No desporto, apoiamos clubes e associações, garantimos inclusão de crianças carenciadas, valorizamos o desporto feminino e apostamos no turismo desportivo. O associativismo será parceiro central da nossa ação, porque é aí que pulsa a vida coletiva de Anadia.
JA – Qual seria a primeira medida a tomar se vencer?
MRB – Antes de prometer investimentos sem base, quero ser responsável. A primeira medida será uma auditoria financeira rigorosa à Câmara Municipal, identificando compromissos, dívidas e projetos em curso. Só com clareza financeira é possível decidir com responsabilidade e planear o futuro. Esta transparência será também sinal de respeito pelos munícipes.
JA – Como vê Anadia daqui a 4 anos?
MRB – Se a CDU vencer, Anadia será um concelho mais moderno, sustentável e solidário. Teremos jovens a viver e a trabalhar aqui, idosos com mais dignidade, famílias apoiadas, escolas reforçadas, saúde mais próxima, bairros renovados e uma economia alicerçada no vinho, no turismo, no termalismo e na inovação. Vejo uma Anadia que orgulha os seus habitantes. Pelo contrário, se continuarmos com as mesmas forças políticas que governam há 50 anos, manter-se-á a estagnação, a fuga de jovens e o agravamento das desigualdades.
JA – Que resultado espera para o seu partido?
MRB – O nosso objetivo é claro: conquistar a confiança dos anadienses e afirmar a CDU como alternativa credível. Queremos demonstrar que é possível governar com seriedade, justiça social e visão de futuro. Não prometemos quintas e quintais, prometemos trabalho e projetos estruturais. Se os cidadãos acreditarem em nós, teremos a oportunidade de construir juntos uma Anadia mais justa, desenvolvida e sustentável.

