“Amor da Curia”: um doce centenário com sabor a história

O “Amor da Curia” não é apenas um doce tradicional — é uma herança afetiva que liga gerações e resgata uma parte importante da história local. A origem deste pastel remonta ao início do século XX e tem como protagonista D. Emília Wissmann, uma mulher nascida na Alemanha em 1884, que se refugiou em Portugal com a família durante a guerra. Em 1907/1908, já instalada na região da Curia, Emília e o seu futuro marido, Afonso Rodrigues Costa, transformaram a Villa Figueiredo no icónico Grande Hotel da Curia. Com a crescente afluência de visitantes às termas, D. Emília fundou a Pastelaria Bijou, onde começou a confecionar os seus doces, entre eles os famosos “Delícias”, nome que mais tarde daria lugar a “Amores da Curia”.

Reza a história que a designação nasceu da popularidade entre os casais de namorados que frequentavam a região, embora outros atribuam o nome à estrutura do pastel — duas camadas de massa folhada sobrepostas, unidas por um recheio de ovos-moles. Mais tarde, já sob a iniciativa de Paulo Simões, Marco Lopes e Nuno de Teixeira, o pastel foi recriado com forma de coração, reforçando o seu simbolismo romântico.

A autenticidade deste doce assenta num processo artesanal que se mantém fiel à receita original. A massa folhada é feita desde a base, utilizando técnicas exigentes, e o creme é preparado apenas com ingredientes naturais, sem corantes nem conservantes. “É um doce feito com muito carinho, amor e dedicação, como fazia D. Emília”, afirma Margarida Marques, a atual responsável pela marca.

O desejo de preservar este legado levou à oficialização da marca “Amor da Curia®”, motivada, entre outros fatores, pelo facto de o marido da atual promotora ser descendente direto de D. Emília. O registo da marca garante proteção ao nome e à identidade do produto, sendo intenção futura certificar também a receita, uniformizando tamanho, peso e métodos de confeção.

Atualmente, os exemplares que mais se aproximam da receita original são produzidos na Padaria dos Olivais, em Anadia, únicos com direito ao uso da marca registada. Ainda que se pense em alargar a produção a outras pastelarias, a responsável garante que só avançará com parceiros que respeitem critérios rigorosos de qualidade.

Com ambições de levar este doce para além das fronteiras da Curia, o projeto encara agora novos desafios logísticos, devido à delicadeza da receita, mas acredita que parcerias locais noutras regiões poderão ser a chave para essa expansão. O processo será gradual, mas sempre com o compromisso de manter viva a tradição e a memória da mulher que lhe deu origem.

Para quem nunca provou um Amor da Curia, a definição é simples e simbólica: “Um delicioso e doce pedacinho de história da Curia.”

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