Do Alto de Vale da Mó: Efemérides do mês por Nelson Henriques Cerveira

6 de Novembro de 1836 – Anadia recupera a condição de Concelho.

Foi seu primeiro presidente: Francisco António de Almeida.

Nesta região, durante os anos fulcrais da definição das fronteiras de Portugal, não parece ter sido graças à concessão de forais que se promoveu o povoamento e a reorganização das instituições. Talvez o possamos inferir do reduzidíssimo número de cartas dessa natureza outorgadas a estas terras durante a Idade Média – para o atual distrito de Aveiro apenas se conhece o foral com que D. Sancho I criou, em 1210, o concelho de Ferreiros, Fontemanha e Vale de Avim (povoações que integram a atual freguesia da Moita). Existem referências posteriores a forais concedidas nestes séculos (Avelãs de Caminho, por exemplo), mas não são suficientemente esclarecedores quanto ao verdadeiro teor desses documentos – podem não passar de meros contratos de aforamento coletivo, que surgem designados como forais pelos rebeliões, ou erradamente referenciados como «forais velhos» pelos autores contemporâneos, como acontece no que respeita a Aguim e a Anadia.

Mas no início do século XVI, no âmbito de uma ampla reforma administrativa, D. Manuel I não esquecerá o litoral centro e, por força das cartas de foral que outorga, também aqui são criados ou oficializados numerosos concelhos. O espaço daquele que é hoje o município de Anadia não escapou a este movimento reformista: em 1514 são formalmente criados os concelhos de Anadia, Avelãs de Cima, Vilarinho do Bairro, Carvalhais (juntamente com Ferreiros, Fontemanha e Vale de Avim), São Lourenço do Bairro, Aguim, Sangalhos, Pereiro (freguesia de Avelãs de Cima), Óis do Bairro, Mogofores, Avelãs de Caminho, Boialvo (freguesia de Avelãs de Cima) e Vila Nova de Monsarros; em 1519 surge Paredes do Bairro e em 1520 é concedida versão definitiva dos forais de Mogofores e de Óis do Bairro. Ainda que não haja absoluta coincidência de espaços, a verdade é que a maior parte destas povoações é hoje sede de freguesia (com exceção de Boialvo e Pereiro), e destas autarquias apenas não encabeçaram concelho Amoreira da Gândara, Tamengos e Ancas.

Para além do poder concelhio, existiam jurisdições exercidas por outras entidades, com alterações ao longo do tempo: a própria coroa (Avelãs de Caminho e Sangalhos), o bispo de Coimbra (Mogofores e Óis do Bairro), o cabido desta Sé (Aguim, Vila Nova de Monsarros e Paredes do Bairro), o prior e o convento de Santa Cruz de Coimbra (Anadia e Pereiro), a abadessa e o convento de Santa Clara de Coimbra (Sangalhos, a partir de 1338), e alguns senhores nobres (Avelãs de Cima, Carvalhais, Ferreiros, Fontemanha e Vale de Avim, São Lourenço do Bairro e Vilarinho do Bairro).

É mal conhecida a evolução destes espaços ao longo da época moderna, mas cumpre destacar a criação, na década de trinta do século XVI, de uma nova divisão administrativa, que distribuiu a quase totalidade destes concelhos por duas novas comarcas. Até ao momento, quase todos pertenciam à comarca da Estremadura (excetuam-se Avelãs de Cima e Ferreiros, que Faziam parte da comarca da Beira), mas, a 12 de Março de 1533, surge então a comarca de Coimbra, em cuja área se inserem Aguim, Vila Nova de Monsarros e Paredes do Bairro, e a 20 de Dezembro desse mesmo ano, é estabelecida a comarca de Aveiro que conta, entre as suas circunscrições, com Anadia, Avelãs de Cima, Avelãs de Caminho, Ferreiros, Pereiro, Sangalhos, São Lourenço do Bairro e Vilarinho do Bairro.

Mas será o século XIX que voltará a marcar profundamente a configuração desta região, graças a medidas impostas por legislação em constante reformulação. Para lá da ligação de Sangalhos a Oliveira do Bairro, documentada para as décadas de vinte e de trinta, verificamos que a 28 de Abril de 1833, Paredes do Bairro, Pereiro e Anadia passam a integrar o concelho de Avelãs de Cima; a 18 de Julho de 1835 subsistem ainda os concelhos de Aguim, Avelãs de Caminho, Avelãs de Cima, Ferreiros, Mogofores, Óis do Bairro, Sangalhos, São Lourenço do Bairro, Vilarinho do Bairro e Vila Nova de Monsarros. Mas, nos termos do decreto de 6 de Novembro do ano seguinte, esta área passará a ser partilhada por apenas dois concelhos: o de Anadia (constituído pelas freguesias de Arcos, Moita, Mogofores, Avelãs de Cima e Avelãs de Caminho) e o de São Lourenço do Bairro (formado pelas freguesias de São Lourenço do Bairro, Sangalhos, Óis do Bairro, Vilarinho do Bairro e Troviscal). O concelho de Anadia será de novo ampliado a 4 de Julho de 1837, graças à anexação de Vila Nova de Monsarros (que se desliga da Mealhada), e a 31 de Dezembro de 1853, com a incorporação da freguesia de Tamengos (desanexada do concelho da Mealhada) e do concelho de São Lourenço do Bairro (despojado da freguesia do Troviscal, mas entretanto beneficiado com a freguesia de Ancas).

Pela lei geral da administração civil, datada de 26 de Julho de 1867, o concelho de Anadia crescerá mais uma vez, em virtude do desmembramento do vizinho concelho de Oliveira do Bairro, da junção das paróquias da Mamarrosa e Troviscal numa só freguesia civil, e da anexação desta e da de Oliveira do Bairro a Anadia. Este concelho regressaria à dimensão original algumas semanas mais tarde, mercê de outra alteração legislativa. Mas no dia 21 de Novembro de 1895 registar-se-á nova supressão do concelho de Oliveira do Bairro, sendo o seu território integrado nos vizinhos concelhos de Anadia e Águeda. Mas também esta desaparição seria temporária, mantendo-se apenas até ao início do ano de 1898.

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