Entrevista a Ana Matias, candidata à Câmara Municipal de Anadia

Com um percurso marcado pelo envolvimento na comunidade e uma visão de futuro para o concelho, Ana Matias apresenta-se como candidata do Partido Socialista à Câmara Municipal de Anadia. Afirma que esta candidatura resulta de anos de trabalho, reflexão e compromisso com uma forma de estar na política “mais próxima, transparente e eficaz”.

A candidata defende que é tempo de mudança e que Anadia precisa de avançar com coragem e energia, valorizando o território, a cultura, as pessoas e o ambiente. O seu programa destaca áreas como habitação acessível, reforço da rede social de apoio a crianças e jovens, transportes públicos que liguem todas as freguesias, dinamização do termalismo e turismo de natureza, bem como uma aposta clara na cultura, no desporto e no associativismo.

 

Jornal de Anadia – Porque decidiu candidatar-se à presidência da Câmara de Anadia?

Ana Matias – Conheço bem este concelho. Cresci a observar o seu ritmo, as suas conquistas, mas também as suas limitações. Sempre que a vida me permitiu, estive presente — a apoiar, a participar, a construir em conjunto com a comunidade.

Esta candidatura não é um passo repentino. É o resultado de anos de envolvimento, de trabalho, de reflexão. É também um compromisso com uma nova forma de estar na política local: mais próxima, mais transparente, mais eficaz.

Estamos num tempo de mudança. E Anadia não pode continuar presa ao passado. É tempo de avançar.

Com coragem, com energia e com uma equipa que sabe o que faz. Queremos construir uma Anadia mais justa, mais dinâmica e mais orgulhosa de si mesma. Uma terra onde vale a pena viver, trabalhar e investir.

 

JA – Quais são as três principais prioridades do seu programa eleitoral?

AM – Os nossos princípios têm por base a participação e o compromisso com a comunidade, porque é pelas pessoas que tudo começa, com o território que representa o espaço vivido, onde a cultura se manifesta, onde ocorrem as relações sociais e onde se concretizam as ações humanas e com o ambiente, porque é nele que os efeitos das ações humanas permanecem.

 

JA – Quais medidas tem para atrair e fixar jovens e empresas em Anadia?

AM – Entendemos que a melhoria e a implementação de várias propostas do programa farão com que a Anadia se torne numa cidade com qualidade de vida para que os jovens possam aqui permanecer ou, pelo menos, consigam criar condições para tal aconteça. Queremos alavancar um programa de apoio e fixação do 1º emprego, considerando eventuais comparticipações financeiras para suporte e apoio à habitação em articulação com a bolsa de habitação com rendas acessíveis. Queremos ainda dinamizar bolsas para projetos de empresas do concelho, que queiram promover a investigação e desenvolvimento de novas ideias e produtos e organizar um fórum anual de empresários do concelho.

Queremos criar a Feira jovem e da inovação, cujo objetivo é criar um vínculo entre os jovens com idade escolar e em início da carreira profissional com as empresas locais e fomentar a inovação nos jovens através da atribuição de prémios a ideias inovadoras dos jovens que possam vir a ser utilizadas pelas empresas locais.

Além disso, reconhecemos que a mobilidade é um fator-chave para as empresas. Por isso, o nosso plano inclui o reforço da rede de transportes públicos, garantir que todas as freguesias são servidas e programar a ligação direta entre zonas habitacionais e zonas industriais e empresariais, facilitando o acesso à mão de obra e aumentando a atratividade do concelho para novos investimentos, promover horários adaptados aos turnos e horários laborais, especialmente em sectores como a indústria e os serviços.

JA – Que medidas poderíamos adotar para reforçar os cuidados de saúde locais, melhorando acesso e qualidade?

AM – É fundamental que os cidadãos de Anadia tenham acesso rápido e eficaz a cuidados de saúde e por isso queremos promover a negociação com as entidades competentes para a implementação de um serviço de assistência na saúde. Propomos a criação de uma Rede de Apoio Municipal para a Prevenção e Promoção da Saúde, articulada com as Juntas de Freguesia e os serviços de saúde locais, com o objetivo de garantir um acompanhamento regular, acessível e adaptado às necessidades da população. Queremos atuar em todo o concelho, com enfoque na proximidade aos munícipes, sobretudo nas freguesias mais periféricas, promover ações regulares de rastreio, educação para a saúde, acompanhamento a doentes crónicos e apoio a cuidadores informais.

Queremos ainda criar uma rede de apoio municipal para a promoção de saúde mental, em articulação com as freguesias visando a proximidade aos munícipes e descentralizando os serviços prestados. O objetivo é promover e proteger a saúde mental da comunidade, criar respostas mais integradas e otimizar a colaboração e o trabalho em rede entre as diversas entidades. Priorizamos ainda o apoio ao cuidador informal, criando mecanismos excecionais através da implementação de um programa que valorizem e apoie pessoas nessas condições, promovendo assim uma rede de apoio ao cuidador e à pessoa que é cuidada.

 

JA – A parca habitação disponível é um problema nacional e Anadia não é exceção. O que pode ser melhorado?

AM – Atualmente é inequívoco o papel central da habitação e da reabilitação do edificado, que permita garantir o direito fundamental de uma habitação adequada em condições de higiene e conforto e, que preserve a vida das pessoas e das famílias. Por isso vamos criar um programa de apoio financeiro elencado a um programa de incentivo a obras de conservação, alteração e ampliação de edifícios que permitam a ocupação e utilização efetiva dos imóveis privilegiando o uso de habitação. Para efeitos de integração dos imóveis destinados a rendas acessíveis será estabelecido um protocolo, que deverá considerar uma majoração do valor a financiar, em função dos prazos de 5, 10 anos e 15 anos de arrendamento acessível.

 

JA – Que medidas podiam ser tomadas para melhorar a rede social? Principalmente no que toca a crianças e jovens.

AM – Melhorar a rede social com foco em crianças e jovens significa investir no presente com os olhos postos no futuro. Implica garantir proteção, oportunidades, apoio emocional e um ambiente seguro e propício ao desenvolvimento integral.

Promover o voluntariado jovem, desenvolvendo projetos e ações de promoção das relações entre gerações e dinamizar programas de prevenção de comportamentos aditivos nas camadas jovens, criar serviços de apoio psicológico, garantir espaços destinados a crianças e adolescentes com dificuldades emocionais ou de comportamento e respetivas famílias, promovendo a prestação de apoio de psicoterapia individual.

 

JA – Anadia é um destino turístico? No enoturismo, termalismo, gastronomia ou usando outros recursos locais?

AM – Ainda está subaproveitado e precisa de uma estratégia clara, integrada e ambiciosa para realmente se afirmar como destino turístico de referência. Anadia tem um património natural valioso, com linhas de água, ribeiras e barragens que merecem ser cuidados, valorizados e devolvidos à população. A nossa proposta é reabilitar e dinamizar os espaços fluviais e zonas envolventes às barragens do concelho, tornando-os locais de Lazer e convívio comunitário; Educação ambiental; Turismo de natureza e bem-estar.

Queremos recuperar o complexo termal de Vale da Mó, através da sua reconversão adaptando-a às exigências atuais do mercado do bem-estar e transformá-lo num destino de saúde e bem-estar, integrando Turismo de bem-estar e circuitos de lazer, percursos pedonais, zonas verdes e áreas de contemplação e descanso

Queremos estudar a possibilidade de garantir o acesso público ao Parque da Curia criando no seu interior um polo dinamizador de referência para a cultura, estimulando o interesse e o conhecimento pela arte, arquitetura, ambiente e tradições através de iniciativas, exposições temporárias, teatro, cinema, dança e espetáculos diversos e inovadores incluindo a participação ativa das associações do concelho.

Temos ainda o foco na construção de construir um parque multiusos dotado de infraestruturas básicas e autossustentável com acesso a pessoas com mobilidade condicionada, espaços verdes e serviços de apoio, capaz de receber grandes eventos locais, regionais e nacionais (feiras, concertos, festivais, encontros e concentrações) e, simultaneamente, capaz de dar resposta como zona de concentração e apoio a pessoas e animais em caso de acidentes ou catástrofes naturais.

 

JA – Qual será a sua política para a cultura, desporto e associativismo?

AM – A cultura deve ser uma força de coesão social, de identidade local e de crescimento pessoal e coletivo. Propomos uma Programação Cultural Municipal consistente e descentralizada tendo o Cineteatro de Anadia como centro nevrálgico da vida cultural do concelho, com uma programação regular, diversificada e de qualidade, com descentralização da programação cultural, levando espetáculos e eventos a equipamentos públicos e associações locais, em todas as freguesias. Queremos democratizar o acesso a bens e atividades culturais, eliminando barreiras económicas, geográficas e sociais e promover a leitura e a literacia cultural com Espaços públicos e comunitários com livros disponíveis; projetos de incentivo à leitura em escolas, associações e juntas de freguesia e criar uma Feira do Livro Municipal, com presença de autores nacionais, concursos de leitura e escrita criativa para jovens.

No desporto vamos apostar na construção de uma pista de atletismo capaz de servir todos os clubes e associações do concelho, incentivando a prática desportiva associada à corrida, marcha, etc. e abordar a conceção de um centro de treino de atletismo. Queremos ainda reorganizar a área envolvente ao complexo desportivo de Anadia, com a afetação de infraestruturas que promovam e facilitem a prática desportiva em toda a extensão do complexo, colocação de equipamentos de apoio que permitam a prática desportiva e recreativa nos seus circuitos exteriores e abertura à prática de modalidades nos edifícios e equipamentos desportivos existentes.

As associações são pilares da vida comunitária e agentes de dinamização do território e precisam de uma alavanca para que mais pessoas ingressem nos seus órgãos sociais. Reconhecendo o seu papel fundamental queremos criar um programa de incentivo ao associativismo através de um vale destinado aos jovens que integrem os órgãos sociais de uma associação com atividade regular no concelho, destinado a ser descontado nas quotas/mensalidades da prática regular desportiva, cultural, recreativa ou humanitária de qualquer entidade aderente ao programa.

 

JA – Há alguma primeira medida que se vê a tomar de imediato, caso vença as eleições?

AM – Conversar com todos os serviços, entidades e instituições.

 

JA – Como vê Anadia daqui a quatro anos?

AM – Vejo as freguesias mais ligadas, com melhores transportes, mais espaços de lazer, zonas ribeirinhas recuperadas, termalismo reativado e património valorizado. Vejo uma autarquia que serve as pessoas com transparência, competência e coragem, que ouve, que responde e que age com propósito.

 

JA – Que resultado espera para o seu partido?

AM – O melhor de sempre.

SUBSCREVA JÁ

NEWSLETTER

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Aceito Ler mais