Entrevista a Manuel Neves: “Precisamos de trazer pessoas à Moita”

Conhecemos melhor a freguesia da Moita e fazemos o balanço de três anos de trabalho liderados, no seu primeiro mandato, por Manuel Neves. Além do que já está feito, perspetivamos o que falta fazer nos meses que nos separam das próximas eleições autárquicas.

 

Jornal de Anadia (JA) – Que balanço faz destes três anos de mandato?

Manuel Neves (MN) – O balanço até agora é positivo. Temos feito algumas obras e algumas iniciativas. Se não fosse para ter trabalho feito e pelas pessoas também não estaria aqui. Somos eleitos para trabalhar e melhorar a vida das pessoas. Chegámos e não tínhamos qualquer experiência à frente de uma Junta de Freguesia e até para isso as pessoas ajudaram bastante. Quando fomos eleitos, das primeiras coisas que fizemos foi encontros com a população em todos os lugares da freguesia para perceber as principais necessidades e o que havia a melhorar. Em todos os lugares fomos recebidos por muita gente, que nos ajudaram muito e indicando o caminho, à exceção da Moita, em que apenas duas pessoas apareceram. Temos investido em várias mais-valias para a freguesia e, mais recentemente, num trator.

 

JA – Quais os maiores problemas que encontra nesta freguesia?

MN – Um dos grandes problemas, principalmente nas zonas mais serranas, é as telecomunicações ou, neste caso, a falta delas. É grave. Não há rede móvel nas serras. Não há rede de internet. Muitas vezes não há até rede de telefone fixa. Até o novo sistema de comunicações do SIRESP (Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal – a rede de comunicações exclusiva do Estado Português para o comando, controlo e coordenação de comunicações em todas as situações de emergência e segurança) falha aqui, não existe. Ainda recentemente tivemos conhecimento de algumas pessoas estrangeiras que queriam vir viver para a zona do Saide e Saidinho e não vêm porque não há internet. É claro que isto afasta as pessoas. Nós enviamos muitas vezes questões sobre isto para a Anacom, que nos responde sempre que só são obrigados a cobrir 90% do território (que é o caso), que para nós não é suficiente e tentamos estar sempre do lado de quem faz pressão sobre as operadoras, para alargarem a cobertura. São poucas pessoas, mas para nós, Junta, são pessoas como as outras. Quando entrámos outro dos problemas que encontrámos foi no cemitério, em que o cadastro e levantamento estavam desorganizados. Depois deste trabalho percebemos que afinal tínhamos várias campas. O cemitério não pode ser alargado, o atual, por isso temos que trabalhar com o que temos.

 

JA – A população está muito envelhecida?

MN – Também, mas temos recebido muitos imigrantes. E eles chegam às zonas serranas e gostam, mas as telecomunicações são sempre um entrave. Neste seguimento implementámos a ginástica para os idosos, por exemplo, o projeto “Freguesia Ativa”.

 

JA – Como é a relação da Junta de Freguesia com a autarquia?

MN – A relação é boa. Falta financiamento. Não só a nós, mas a todas as freguesias. Há questões financeiras que não nos fazem sentido, como pagarmos o IVA. Não nos faz sentido receber o apoio do Estado e depois ter que pagar o IVA ao Estado daquilo que compramos com esse dinheiro. Com mais dinheiro faríamos muito mais coisas.

 

JA – O que está cumprido e o que falta cumprir até ao final do mandato?

MN – Já cumprimos algumas das coisas que tínhamos previsto mas, muitas vezes, há gastos que fogem do que estava calculado. Ainda recentemente apoiámos a renovação do salão no Amieiro, de forma a melhorar as suas condições, que não estava programado.

 

JA – Como é o movimento associativo na freguesia?

MN – Quando entrámos havia três associações a funcionar. Hoje há muito mais. O que isto traz à freguesia é, principalmente, pessoas. O associativismo traz as pessoas às sedes e com os presidentes de cada associação percebemos muito melhor o que querem e o que necessitam as populações. Apoiamos sempre todas as nossas associações dentro das nossas possibilidades. Quanto às festas locais, o que decidimos fazer foi pagar um barril de cerveja a cada festa. Tudo isto leva-nos ainda à Festa da Freguesia, promovida pela Junta, que tem uma média de dez associações presentes a explorar tasquinhas. Sem as associações esta festa não era feita e temos noção que as verbas que angariam nesta iniciativa são muito importantes para a sua subsistência. Fora isto apenas apoiamos com um valor monetário o Moita Rugby Clube e pagamos os seguros da Associação Voluntários Ferreiros, que faz um trabalho incansável e fulcral na prevenção dos incêndios.

 

JA – Quais as perspetivas para o futuro da freguesia?

MN – Gostávamos de dinamizar mais Vale da Mó. Precisamos de trazer pessoas. Se as pessoas não vierem e que tragam outras pessoas, as coisas não acontecem. Tem que haver dinamismo. Temos outros projetos que gostaríamos de fazer: o edifício do multibanco gostávamos de o requalificar e também remodelar o espaço da feira, mas para isso precisamos do apoio da autarquia. Outra das vontades que temos e sabemos que já vinha do anterior executivo, é renovar e melhorar a zona central, junto aos restaurantes. Sinto que poderíamos fazer muito mais, se houvesse mais dinheiro. Coisas para fazer há sempre. Imprevistos também.

JA – Que diferenças encontramos na Moita de 2021 para agora?

MN – Idealizámos e implementámos a Festa da Freguesia. A primeira vez que organizámos foi muito “em cima da hora”, até me chamaram tolo, mas decidimos avançar. Correu bem e continuámos. Foi uma boa iniciativa. Não queríamos substituir a festa religiosa, mas de alguma forma fazer algo para que as associações locais tivessem palco e pudessem ter algum rendimento. Quanto ao restante território, olho para ele e individualmente para cada pessoa que nele habita, é com as pessoas que nos preocupamos. O Anadia Sim, apesar de ter sido uma mais-valia, não dá a reposta necessária a algumas pessoas. Por isso a Junta de Freguesia adquiriu agora uma carrinha de nove lugares para ajudar as pessoas a vir até Anadia tratar dos seus assuntos. Contamos fazer este serviço à terça-feira, trazer as pessoas cedo e levar de volta a casa à tarde, porque há pessoas que não têm outra alternativa, não têm carro nem dinheiro para o táxi. Outra das preocupações que temos é o combate ao lixo, temos o cuidado de, em todas as segundas-feiras dar a volta aos contentores do lixo e limpar tudo o que está à volta, inclusive os monos que as pessoas teimam em deixar na rua. Vamos agora também implementar este serviço: as pessoas que nos liguem que às segundas-feiras vamos recolher monos e sobrantes.

 

JA – Porque se decidiu candidatar em 2021 pelo PSD?

MN – O que me move são as pessoas e, principalmente, aqui, as pessoas serranas. É pelas pessoas e, por isso, trabalhar nunca me custou, principalmente quando vemos resultados. Ou nos metemos numa coisa destas para fazer alguma coisa, ou não vale a pena.

 

JA – A recandidatura está em cima da mesa?

MN – Há vários fatores que podem influenciar esta decisão. Não está fora de questão a possibilidade de me recandidatar, mas a decisão ainda não está fechada.

 

JA – Que mensagem gostaria de deixar à população?

MN – Estou muito grato por me terem recebido tão bem. Tenho sido muito acarinhado por todos e a experiência de trabalho até então, também tem sido muito enriquecedora, principalmente por aquilo que já fizemos.

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