Nos meses de Setembro e Outubro de 2024, os trabalhadores portugueses experimentaram um alívio fiscal que mostrou como a vida poderia ser com menos peso do Estado nos seus rendimentos. Durante esse breve período, o salário líquido de um trabalhador com rendimento bruto de 1.500 euros (com duodécimos a 100%) saltou para 1.543,50 euros, mas logo regressou aos 1.337,50 euros em Novembro, mesmo que o custo mensal para a empresa continuasse fixo em 2.165,63 euros. Este contraste não poderia ser mais revelador: o peso do Estado é um fardo que sufoca trabalhadores e empresas em Portugal.
Este é o retrato de um país onde o esforço fiscal excessivo corrói o poder de compra das famílias, impede que as empresas recompensem melhor os seus colaboradores e limita os incentivos à produtividade e inovação. Não é apenas uma questão de números: é sobre a qualidade de vida que está a ser sacrificada.
O alívio temporário que vivemos mostrou que é possível devolver às pessoas mais daquilo que elas geram com o seu trabalho. Com maior liberdade financeira, os portugueses poderiam poupar, investir e, finalmente, começar a planear um futuro com mais segurança. Para as empresas, menos encargos fiscais traduziriam numa maior capacidade de atrair e reter talento, investir em tecnologia e elevar a competitividade.


Mas não tem de ser assim. Portugal tem tudo para ser um país onde os trabalhadores possam colher mais frutos do seu esforço e as empresas tenham o espaço necessário para crescer. Isso exige mudanças fundamentais: rever a carga fiscal para torná-la mais justa e promotora da economia, investir seriamente na literacia financeira para capacitar os cidadãos, e criar um sistema amigo do trabalho e a inovação, em vez de os penalizar.
O que vivemos em Setembro e Outubro de 2024 foi uma amostra de um futuro possível. Um futuro em que o Estado deixa de ser um peso e passa a ser um facilitador. Um futuro onde Portugal seja, finalmente, o país que queremos e merecemos. Que esta visão inspire a mudança que todos desejamos e precisamos.


Miguel Resende
Iniciativa Liberal Anadia

