Acabaram os eventos centrais que compuseram estes dias da Jornada Mundial da Juventude. Mas isso não significa que o caminho tenha conhecido o seu término: ainda há muitos passos para dar nesta peregrinação infinda na qual todos somos chamados a tomar o nosso lugar. Independentemente da nação, sexo, estado civil, estatuto ou qualquer outra condicionante social, existe ainda caminho e temos ainda energia para os passos que se seguem.
Ora, foi no meio da multidão diversificada de jovens de todo o mundo que comigo partilhava o destino que pude sentir a energia pulsante de unidade e fé que permeou cada momento da Jornada. Desde os momentos de festa e gritos aos momentos de oração e silêncio, as palavras do Papa Francisco ecoavam como um farol de esperança e lembravam-nos da importância fundamental de permitir que a Igreja fundada por Cristo seja verdadeiramente universal, garantindo nela um lugar para todos que a procuram e nela reconhecem um sentido de fé. A Jornada Mundial da Juventude é, precisamente, um lugar em que podemos não apenas deixar a mensagem do Papa Francisco ressoar nos nossos espíritos, mas começar a vivê-la no imediato, levando-a também para o futuro, lembrando-nos que somos todos partes de uma comunidade que deve acolher e apoiar o próximo.
Neste sentido, viveu-se também a experiência de que, apesar das multidões e das constantes reduções a meros dados estatísticos, cada indivíduo vive a Jornada Mundial da Juventude de uma forma única. Isto porque cada peregrino, na sua unicidade, é, como relembrou o Papa Francisco, amado por Deus, chamado por Deus, enviado por Deus. E, consequentemente, cada um deve prosseguir o seu caminho de acordo com os desígnios exclusivamente preparados para cada um de nós, cientes de que, novamente, todos somos importantes no plano divino e devemos ver valor em cada pessoa que connosco se cruza, lembrando-nos de que somos todos filhos amados de Deus.


A Jornada Mundial da Juventude é, de facto, uma experiência inesquecível na vida de qualquer jovem católico: é capaz de deixar marcas profundas que se tornam raízes que sustentam uma vida de fé. A partilha de culturas e de vivências ensina-nos a viver a fé de uma forma mais rica, encontrando novos caminhos de espiritualidade e renovando e reforçando crenças. E todas as palavras do Papa Francisco tiveram um cunho muito próprio que se liga a este testemunho: porque todos nós somos únicos todos nós somos chamados constantemente a dar o nosso melhor para que possamos continuar a construir um mundo mais acolhedor e amoroso para todos.
E assim continuaremos o nosso caminho rumo à próxima Jornada Mundial da Juventude em que participemos como peregrino, com paragem no Jubileu do Jovens de 2025, em Roma.
Carlos Vinhal Silva

