Opinião por Carlos Vinhal Silva: Testemunho de um peregrino (entre cerca de um milhão e meio) na Jornada Mundial da Juventude

Acabaram os eventos centrais que compuseram estes dias da Jornada Mundial da Juventude. Mas isso não significa que o caminho tenha conhecido o seu término: ainda há muitos passos para dar nesta peregrinação infinda na qual todos somos chamados a tomar o nosso lugar. Independentemente da nação, sexo, estado civil, estatuto ou qualquer outra condicionante social, existe ainda caminho e temos ainda energia para os passos que se seguem.

Ora, foi no meio da multidão diversificada de jovens de todo o mundo que comigo partilhava o destino que pude sentir a energia pulsante de unidade e fé que permeou cada momento da Jornada. Desde os momentos de festa e gritos aos momentos de oração e silêncio, as palavras do Papa Francisco ecoavam como um farol de esperança e lembravam-nos da importância fundamental de permitir que a Igreja fundada por Cristo seja verdadeiramente universal, garantindo nela um lugar para todos que a procuram e nela reconhecem um sentido de fé. A Jornada Mundial da Juventude é, precisamente, um lugar em que podemos não apenas deixar a mensagem do Papa Francisco ressoar nos nossos espíritos, mas começar a vivê-la no imediato, levando-a também para o futuro, lembrando-nos que somos todos partes de uma comunidade que deve acolher e apoiar o próximo.

Neste sentido, viveu-se também a experiência de que, apesar das multidões e das constantes reduções a meros dados estatísticos, cada indivíduo vive a Jornada Mundial da Juventude de uma forma única. Isto porque cada peregrino, na sua unicidade, é, como relembrou o Papa Francisco, amado por Deus, chamado por Deus, enviado por Deus. E, consequentemente, cada um deve prosseguir o seu caminho de acordo com os desígnios exclusivamente preparados para cada um de nós, cientes de que, novamente, todos somos importantes no plano divino e devemos ver valor em cada pessoa que connosco se cruza, lembrando-nos de que somos todos filhos amados de Deus.

Devido a isso, aos olhos de Deus, partimos todos do mesmo ponto, pelo é inútil o desprezo que, por vezes, sentimos ou o ódio que ocasionalmente sentimos. Olhar para o próximo desde cima é colocar-nos indevidamente numa posição de falsa superioridade, é esquecer que somos, ou deveríamos ser, instrumentos de auxílio, solidariedade e compaixão ao serviço daqueles que enfrentam dificuldades. É também para isso que, falando o nosso nome, nos chama: para que estendamos a mão e ofereçamos o nosso apoio aos demais, ajudando-os a reerguer-se e reencontrar-se, reconhecendo em todos os instantes a sua dignidade e o seu valor. Porque Deus sente um amor incondicional para com todos, devemos viver em sintonia com esse amor, sentindo-o igualmente, partilhando-o com os outros, transformando vidas em todo o mundo e deixando-nos transformar por esse mesmo amor.

A Jornada Mundial da Juventude é, de facto, uma experiência inesquecível na vida de qualquer jovem católico: é capaz de deixar marcas profundas que se tornam raízes que sustentam uma vida de fé. A partilha de culturas e de vivências ensina-nos a viver a fé de uma forma mais rica, encontrando novos caminhos de espiritualidade e renovando e reforçando crenças. E todas as palavras do Papa Francisco tiveram um cunho muito próprio que se liga a este testemunho: porque todos nós somos únicos todos nós somos chamados constantemente a dar o nosso melhor para que possamos continuar a construir um mundo mais acolhedor e amoroso para todos.

E assim continuaremos o nosso caminho rumo à próxima Jornada Mundial da Juventude em que participemos como peregrino, com paragem no Jubileu do Jovens de 2025, em Roma.

 

Carlos Vinhal Silva

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