Quando a fotografia é história: Alfredo Cunha em exposição no Museu do Vinho

O Museu do Vinho Bairrada inaugurou, no passado dia 13 de junho, pelas 16h00, a exposição temporária “Alfredo Cunha – Photographo – 1970 I 2025”, dedicada à carreira e obra de um dos mais destacados fotógrafos portugueses do século XX e uma referência incontornável da fotografia contemporânea.

A mostra reúne trabalhos produzidos ao longo de mais de cinco décadas, período durante o qual Alfredo Cunha construiu um legado visual de grande relevância, documentando com rigor inúmeros acontecimentos e protagonistas que marcaram a história recente. A sua obra constitui hoje um importante instrumento de memória e conhecimento, contribuindo para uma leitura mais consciente da identidade coletiva.

Nascido em 1953, em Celorico da Beira, Alfredo Cunha iniciou a sua carreira profissional em 1970, na área da fotografia publicitária e comercial. No ano seguinte, estreou-se como fotojornalista no jornal Notícias da Amadora, tendo posteriormente colaborado com vários órgãos de comunicação social, entre os quais O Século, O Século Ilustrado, a revista Vida Mundial, a Agência Noticiosa Portuguesa (ANOP) e as agências Notícias de Portugal e Lusa. Foi ainda fotógrafo oficial dos Presidentes da República Ramalho Eanes e Mário Soares, tendo sido distinguido com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique. Atualmente, trabalha como freelancer, desenvolvendo diversos projetos editoriais.

A exposição poderá ser visitada até ao próximo dia 18 de outubro, durante o horário normal de funcionamento do Museu do Vinho Bairrada.

Na sessão de inauguração, o diretor do Museu do Vinho Bairrada, Pedro Dias, destacou a relevância da iniciativa, considerando tratar-se de “um dos momentos mais marcantes do museu”. O responsável sublinhou a aposta crescente em exposições temporárias e confessou que não esperava ser possível receber Alfredo Cunha naquele espaço, salientando que esta é a primeira vez que o fotógrafo expõe na região. “Sabemos que ficou conhecido pelo 25 de abril, mas a sua obra é muito maior que isso. Mantém sempre a ânsia de querer fazer”, afirmou.

Também presente, David Santos, diretor científico do Museu do Neo-Realismo e curador da exposição, referiu que “o fotojornalismo tem sempre uma base factual, mas, como vemos aqui, pode ter sempre sentido estético”, destacando ainda a importância das parcerias institucionais para promover a circulação de conteúdos culturais pelo país.

O próprio Alfredo Cunha evidenciou o papel da equipa do museu na concretização da exposição, afirmando que “sem eles isto não seria possível”. O fotógrafo explicou ainda que a mostra foi organizada de forma a permitir “uma clara leitura”, acrescentando que não concorda com a ideia de que “uma imagem vale mais que mil palavras”, uma vez que “a imagem pode até nem valer nada, sem o contexto certo”.

Já o presidente da Câmara Municipal de Anadia, Jorge Sampaio, agradeceu “a honra em receber as fotografias de Alfredo Cunha”, sublinhando que estas representam também a história do país. “Alfredo Cunha é mais que fotógrafo, é um contador de histórias. Que nós estejamos à altura da sua mestria”, afirmou, deixando igualmente uma palavra de reconhecimento ao Museu do Neo-Realismo pela parceria e expressando o desejo de que esta colaboração seja apenas o início. “A qualidade das nossas exposições será sempre enorme”, concluiu.

SUBSCREVA JÁ

NEWSLETTER

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Aceito Ler mais