O Sangalhos DC, que celebrou 85 anos dia 1 de janeiro, continua a afirmar-se como uma referência no basquetebol português. Fundado em 1940, o clube nasceu da paixão dos habitantes de Sangalhos, evoluindo de campos improvisados ao moderno pavilhão que hoje acolhe centenas de atletas.
Em entrevista, Jorge Anjos, presidente há seis anos e ex-jogador da casa, partilhou o percurso da instituição, os desafios enfrentados e os planos para o futuro.
Um Clube de Tradição e Sucesso
O Sangalhos começou com forte presença no ciclismo, chegando a contar com uma pista que atraiu nomes como Alves Barbosa. Com o tempo, a modalidade perdeu espaço, e o basquetebol tornou-se o coração do clube.
O primeiro grande título veio do escalão feminino, um marco que abriu caminho para outras conquistas, como dois títulos nacionais na formação, uma Taça Nacional e vitórias na Proliga. Em 2017, a equipa sénior voltou a brilhar ao garantir a subida à Primeira Divisão, enchendo o pavilhão contra ‘gigantes’ como Benfica, Porto e Sporting.
“Enchemos pavilhões e as pessoas à volta voltaram a viver o basquete”, relembra Anjos.
Os Desafios de Manter um Clube Competitivo
Gerir uma instituição com esta dimensão num meio pequeno como Sangalhos não é fácil. O maior obstáculo, segundo Jorge Anjos, é a falta de apoios financeiros. “Se todas as empresas da região nos dessem mil euros por ano, estaríamos muito melhor. Não é muito para elas, mas para nós faria toda a diferença”, lamenta.
Além da questão financeira, a adaptação à Primeira Divisão revelou-se difícil. O orçamento de 130 a 140 mil euros para o clube inteiro contrastava com os valores que outras equipas investiam apenas nos seniores. “Sabíamos que ia ser complicado, mas não podíamos hipotecar a sustentabilidade do clube”, explica. A descida não foi vista como um fracasso, mas sim como uma experiência enriquecedora, que fortaleceu a imagem do Sangalhos e motivou mais jovens a praticar basquetebol.


Atualmente, o clube compete na Proliga e conta com 239 atletas inscritos, distribuídos por vários escalões, desde os Sub-6 aos seniores masculinos e femininos. O objetivo é continuar a fortalecer a formação para garantir que os talentos da casa cheguem à equipa principal. “A única forma de termos um projeto sustentável é trabalhar bem desde a base, formando jogadores que possam integrar os seniores”, sublinha Anjos.
No feminino, a meta é reforçar a equipa sénior com jogadoras formadas no clube, complementando com algumas contratações pontuais. No masculino, manter a presença na Proliga é o objetivo realista, evitando comprometer a estabilidade financeira.
O compromisso com o crescimento do clube vai além do jogo. Investimentos na renovação da imagem, na melhoria do pavilhão e na criação de alojamentos para atletas demonstram uma visão estratégica que equilibra ambição e responsabilidade.
Próximos Desafios em Campo
Com um calendário competitivo cheio, o Sangalhos prepara-se para mais desafios. O presidente compromete-se a divulgar as datas dos próximos jogos, reforçando o convite à comunidade para apoiar a equipa. “O basquete é parte da identidade de Sangalhos, e queremos que continue a ser”, conclui.
Com um passado de conquistas e um futuro promissor, o Clube de Sangalhos mantém-se fiel às suas raízes, apostando na formação, na sustentabilidade e na paixão pelo basquetebol.

