O Agrupamento de Escolas de Anadia é uma unidade organizacional do sistema educativo público que integra vários estabelecimentos de ensino do concelho, abrangendo desde a educação pré-escolar até ao ensino secundário, com um projeto educativo comum e uma gestão centralizada. Tem como objetivo garantir um percurso escolar articulado e coerente entre ciclos, promovendo a continuidade pedagógica, a partilha de recursos e a melhoria das condições de aprendizagem dos alunos. A sua escola-sede é a Escola Básica e Secundária de Anadia, onde se concentra também a direção do agrupamento, atualmente liderada por Aníbal Marques, que tem defendido uma visão de escola centrada na inclusão, na inovação pedagógica e na ligação à comunidade educativa.
Jornal de Anadia (JA) – Como está estruturada a oferta educativa do Agrupamento de Escolas de Anadia para o próximo ano letivo e que principais novidades estão previstas?
Aníbal Marques (AM) – A oferta formativa está de acordo com as necessidades detetadas – naturalmente que a nossa proposta poderá ser alterada pela Tutela: Científico-Humanísticos: Ciências e Tecnologias, Ciências Socioeconómicas, Línguas e Humanidades, Artes visuais. Cursos Profissionais: Técnico de Computação e Redes, Desenvolvimento de Software, Eletrónica e Automação, Manutenção Industrial, variante Mecatrónica, Desporto, Animação e Mediação Comunitária. Centro Qualifica: Português Língua de Acolhimento, Cursos Educação e Formação, Certificação Profissional e Escolar, Formações Modulares.
JA – Que equilíbrio existe atualmente entre ensino básico, secundário e cursos profissionais no agrupamento?
AM – O nosso Agrupamento procura dar as respostas que a Comunidade necessita e, na consideração das opções dos alunos, oferecemos as opções mais adequadas e pertinentes para que os discentes possam prosseguir os seus estudos com aprendizagens consolidadas.
JA – Nos cursos profissionais, quais são as áreas com maior procura e maior empregabilidade na região?
AM – Procedemos a uma auscultação aos alunos para sabermos quais as suas pretensões. As ofertas baseiam-se nas necessidades que vislumbramos na sociedade. Contudo, há cursos que nos parecem essenciais, mas os alunos não manifestam essa vontade, o que significa que não conseguimos abrir turmas.
JA – De que forma o agrupamento adapta a sua oferta às necessidades das famílias e do tecido económico local?
AM – O Agrupamento faz a sua proposta tendo em consideração o que considera mais apropriado e de acordo com os recursos disponíveis: recordamos que temos um Centro Tecnológico Especializado, na área da Informática, detentor da melhor tecnologia existente, com potencialidades elevadas e que dá formação especializada (inclusivamente podemos dar formação a entidades externas). Ou seja, é uma mais-valia que procuramos capitalizar.
JA – Que importância têm os projetos internacionais como o Erasmus+ e eTwinning na formação dos alunos?
AM – Esses projetos revelam-se cruciais, com um grande impacto, quer nos alunos, quer nos docentes. Esclarecemos que temos alunos nossos a fazer estágio em países estrangeiros, com bastante sucesso. Da mesma forma, os nossos docentes vão fazer formação no exterior, com benefícios evidentes para toda a Comunidade.
JA – Como é que a escola trabalha hoje as competências digitais e tecnológicas dos alunos desde o ensino básico?
AM – Temos um forte incremento na aprendizagem, desde muito cedo: no primeiro ciclo oferecemos uma disciplina, Oficina Digital, para capacitar os nossos alunos mais novos e, assim, facilitar o seu percurso. Treinamos a destreza digital para que os alunos possam ter sucesso na execução das suas provas.
JA – Quais são os principais desafios atuais do agrupamento, nomeadamente ao nível do sucesso escolar e abandono?
AM – O abandono é residual e, quando isso acontece, os alunos são encaminhados para o Centro Qualifica. O nosso objetivo é a felicidade e o sucesso dos nossos alunos. O Agrupamento dá apoio aos alunos, procurando colmatar as suas dificuldades: aulas de apoio, coadjuvação, aulas de preparação para exames. Temos uma sala, OPTE (Ocupação Plena dos Tempos Escolares) em que há docentes das várias áreas disciplinares disponíveis para prestar apoio aos alunos. As Bibliotecas são um local onde os docentes podem acompanhar os alunos para um melhor estudo e consulta dos vários materiais. No nosso Plano de Atividades oferecemos imensas atividades (palestras, conferências, visitas de estudo, rubricas – “Esta Escola já foi nossa” – manifestações artísticas, …).
JA – De que forma o agrupamento articula o ensino regular com os cursos de educação e formação (CEF) e educação de adultos (Qualifica)?
AM – Os Cursos de Educação e Formação são uma resposta que o Agrupamento dá para uma especificidade de alunos, procurando que os mesmos tenham êxito escolar. O Centro Qualifica tem inúmeras valências ao serviço da Comunidade. Face ao seu público-alvo e, no contexto situacional que vivemos, oferecemos PLA (Português Língua de Acolhimento), o que significa termos alunos durante o dia e os pais à noite a usufruírem desta nossa oferta – vamos, inclusivamente, a Conselhos vizinhos fornecer esta “ferramenta”. Isto acumulado com a certificação e revalidação de competências, o que permite aos alunos com mais de 18 anos (e sem limite de idade) poderem ter correspondência ao 9.º ano e ao 12.º ano.


AM – A orientação vocacional está a cargo das nossas Psicólogas (uma por ciclo). Os Diretores de Turma têm um papel absolutamente decisivo na elucidação e acompanhamento dos alunos, procurando que eles façam escolhas conscientes e de acordo com as potencialidades que denotam. De realçar que isto não acontece só no 9.º ano, mas também no 12.º ano, pois fazemos sessões explicativas dos vários cursos e qual a sua abrangência, em parceria com as instituições do Ensino Superior.
JA – Que mensagem deixaria a um encarregado de educação que está agora a decidir onde matricular o seu filho no próximo ano?
AM – A mensagem é muito clara e foi validada por uma avaliação externa no nosso Agrupamento, que disse, citamos:
– Definição clara da visão estratégica e da missão do Agrupamento, expressas no projeto educativo, orientadas para o desenvolvimento das Aprendizagens Essenciais e a concretização do Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória, com enfoque na promoção da educação inclusiva, cidadania ativa e qualidade das aprendizagens.
– Dinâmica do diretor e da sua equipa na mobilização e valorização dos recursos internos e captação/envolvimento de agentes da comunidade, com impacto na melhoria do serviço educativo prestado.
– Desenvolvimento de projetos e iniciativas, suportados numa relação de colaboração com diversos parceiros, que impulsionam a formação integral das crianças e alunos.
– O projeto educativo expressa com clareza a missão, valores e orientação educativa do Agrupamento, priorizando o sucesso e a formação integral de todas as crianças e alunos. Esta abordagem baseia-se nas Aprendizagens Essenciais, nos princípios da educação inclusiva, no Perfil dos Alunos e na cultura de colaboração entre os profissionais.
– Os documentos orientadores estão alinhados entre si, destacando-se, ainda, a articulação com o plano estratégico especialmente no acolhimento de novos alunos migrantes. Esta coerência reflete-se nos objetivos, princípios e opções curriculares, bem como nas metas e estratégias definidas, facilitando a compreensão e execução das medidas pela comunidade escolar e promovendo a sua efetiva aplicação.
Enfim, é nosso entendimento que o Agrupamento é uma excelente opção para qualquer aluno pelas provas dadas e pelo empenhamento dos seus profissionais, que se envolvem com paixão naquilo que fazem, procurando propiciar o melhor para os alunos. A confiança é a pedra de toque para que a interação Escola/Comunidade resulte em pleno.

