Escola Profissional Vasconcellos Lebre: “O ensino técnico só traz vantagens”

A Escola Profissional Vasconcellos Lebre (EPVL) é uma escola de ensino profissional com forte implantação na região, orientada para a formação de jovens em áreas técnicas, criativas e de serviços, através de uma oferta formativa diversificada que inclui cursos como Desporto, Mecatrónica, Ação Educativa, Cozinha e Restauração, Multimédia, Audiovisuais, Design de Interiores e Exteriores, Desenvolvimento de Software e Gestão e Administração, bem como formações de nível CEF. Recentemente, a escola tem vindo a reforçar a sua aposta em áreas emergentes, como o novo curso de Cuidador de Animais de Companhia, respondendo a tendências do mercado de trabalho e à crescente valorização do bem-estar animal, com potencial de empregabilidade e empreendedorismo.

A EPVL destaca-se pela forte ligação ao tecido empresarial e social, pela integração de formação em contexto de trabalho ao longo do percurso dos alunos e pela aposta em projetos de desenvolvimento pessoal, como o Projeto Vida Ativa e iniciativas de cidadania ativa. Paralelamente, a escola tem vindo a consolidar a sua dimensão internacional através de programas como o Erasmus+, promovendo experiências de mobilidade e contacto com outras realidades europeias. Apesar do crescimento e da procura crescente, segundo o diretor Carlos Sousa, a EPVL continua a enfrentar o desafio de combater alguma resistência social ao ensino profissional, sublinhando a importância de uma escolha informada e da valorização destas vias como alternativas com elevada taxa de sucesso académico, profissional e pessoal.

 

Jornal de Anadia (JA) – Como é que a EPVL está a preparar a sua oferta formativa para o ano letivo 2025/2026 e que novidades vão surgir?

Carlos Sousa (CS) – Para o próximo ano letivo vamos apresentar como novidade o Curso de Cuidador de Animais de Companhia porque entendemos que é uma área que tem tido grande procura por parte das entidades empregadoras e mercado profissional. Além do mais é uma área em que os jovens conseguem facilmente criar o seu próprio emprego e assim fomentarem o seu lado empreendedor. O bem-estar animal é uma área cada vez mais valorizada e esta é uma resposta formativa inovadora. Além dessa novidade teremos os cursos de Desporto, Mecatrónica, Ação Educativa, Cozinha e Restauração, Multimédia, Audiovisuais, Design de interiores e exteriores, Desenvolvimento de Software e Gestão e Administração, além de um CEF em Operador de Fotografia.

JA – Quais são atualmente os cursos mais procurados pelos alunos e porquê?

CS – Por curioso que pareça, não tem havido um padrão, de ano para ano aquilo que os alunos mais procuram não se costuma repetir. Há anos em que a área da mecatrónica tem mais procura, outros em que fica em destaque o design e multimédia que, por exemplo, no ano passado foi a área a ficar com a turma preenchida em primeiro lugar, apesar de termos feito turmas de todos os cursos a que nos propusemos. Os alunos, infelizmente, não estão assim tão atentos às necessidades do mercado de trabalho e os encarregados de educação também não. Precisamos de melhor orientação para os alunos, para também despertar as suas vocações para determinadas áreas, para que a oferta e procura fiquem equilibradas e, de alguma forma, os alunos tenham noção do que é o mercado de trabalho.

JA – Como é que a escola adapta os cursos às necessidades reais das empresas da região e do mercado de trabalho?

CS – Há sempre uma proposta da escola, que tem que ser aprovada em conselho consultivo mas recebemos, em primeira instância, as sugestões da tutela, do Ministério da Educação, que nos diz se o curso é ou não prioritário. Mas temos que ter também em consideração a capacidade da escola (seja de recursos humanos, infraestruturas, equipamentos), as necessidades do mercado de trabalho e claro está, a vontade dos alunos.


JA – Que importância têm os estágios na formação dos alunos e como são escolhidas as entidades parceiras?

CS – É, sem dúvida, muito importante. A formação em contexto de trabalho tem um papel fundamental na formação dos alunos, seja para concluírem estudos e seguirem para o mercado de trabalho, seja também para prosseguirem estudos para o ensino superior. Temos muito em conta o que as entidades esperam dos profissionais que formamos. É claro que o mercado de trabalho e as empresas influenciam também a forma como a nossa formação é ministrada. A formação em contexto de trabalho, vulgo estágios curriculares acontece no 11º ano (200h) e no 12º ano (400h), sendo que o primeiro ano serve apenas como observação e um primeiro contacto com o mundo empresarial. No segundo ano aprofundam mais o trabalho e desenvolvem melhor as suas competências. Nota-se uma evolução muito grande nos alunos depois de passarem por este processo, até porque se preparam na escola para ele. Empenham-se e motivam-se para poderem ir o melhor preparados possível.

JA – Nos últimos anos tem havido crescimento de alunos. O que é que a escola acredita que está a atrair mais jovens para a EPVL?

CS – Sim, o crescimento de alunos tem acontecido. Isto acontece pela qualidade do trabalho que fazemos com os alunos. Pelos projetos inovadores que vamos implementando, mas tenho que destacar também o Projeto Vida Ativa, que faz a diferença. O contacto com os encarregados de educação e família que é sempre uma prioridade e o foco no aluno e na sua estabilidade emocional e capacidade de adquirir competências.

JA – Como é que a escola trabalha a ligação entre ensino técnico e desenvolvimento pessoal dos alunos?

CS – O equilíbrio entre estas duas grandes áreas é o principal. Estes projetos que vamos desenvolvendo na escola não são pontuais, são exatamente o contrário. É um trabalho constante e transversal que é feito com os alunos. Estamos a apostar muito nisso e as famílias sentem essa confiança. A Semana da Cidadania, por exemplo, em que fazemos uma semana intensiva dos nossos alunos a prestar pequenos trabalhos na sociedade, é outro ponto-chave desta questão.

JA – Que papel têm projetos como Erasmus+ ou iniciativas internacionais na formação dos alunos?

CS – Projetos como o Erasmus+ são muito importantes e estimulantes para os alunos. Continuamos a desenvolvê-los e o que acontece é que cada vez há mais interessado e já não há, inclusive, vaga para todos. Surpreende agora porque no início causou muita resistência e até desconfiança.

JA – Quais são as principais dificuldades que os cursos profissionais ainda enfrentam em termos de imagem ou preconceito?

CS – Este preconceito existe e ainda não é uma questão que o país, os pais, encarregados de educação e jovens alunos tenham já resolvido. E precisamos muito da resolver para aumentar a nossa capacidade e para nos especializarmos cada vez mais. Há profissões mais técnicas que só as escolas profissionais é que conseguem formar. O ensino profissional é que dá estas ferramentas técnicas aos alunos e as escolas profissionais têm feito este trabalho sozinhas. Ainda há muitos pais e educadores que têm medo do que é o ensino profissional, mas muitas vezes também não conhecem bem. Por outro lado há pais que arriscam, a medo e, logo ao início, percebem que a realidade é diferente da ideia que tinham. Ainda há muito trabalho a fazer para combater este preconceito. O ensino técnico só traz vantagens, seja para o aluno que quer terminar o seu curso e seguir para o mercado de trabalho, seja para o aluno que quer prosseguir para o ensino superior, e aqui também leva algumas vantagens da escola profissional.

JA – Que mensagem deixaria a um aluno do 9.º ano que está agora a decidir o seu percurso para o próximo ano letivo?

CS – Na continuidade do que disse até aqui: venham descobrir e visitar a nossa escola, o nosso projeto educativo. Convido todos a falarem com outros pais que tenham tido aqui os seus filhos, ou até com professores, e vão descobrir que aqui temos a oportunidade de contribuir para a felicidade dos alunos.

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