A Escola de Viticultura e Enologia da Bairrada – Escola Profissional de Anadia (EVEB) continua a afirmar-se como uma referência na formação profissional na região, com uma oferta formativa fortemente ligada ao setor vitivinícola e cada vez mais ajustada às necessidades das empresas. Para o próximo ano letivo, a escola apresenta novos cursos e reforça a aposta em áreas técnicas e na aprendizagem em contexto real de trabalho. Falámos com João Menano de Carvalho, diretor da escola, sobre os desafios, prioridades e o futuro da formação profissional em Anadia.
Jornal de Anadia (JA) – Como está definida a oferta formativa para o próximo ano letivo e que novidades estão previstas?
João Menano Carvalho (JMC) – Por força da revisão do Catálogo Nacional de Qualificações, os cursos já existentes terão novas designações: Técnico(a) Auxiliar de Saúde, Técnico(a) de Gestão e Administração, Técnico(a) de Cozinha e Restauração, Técnico(a) de Desenho e Projeto/Design Industrial e Técnico(a) de Viticultura, Enologia e Enoturismo. Em simultâneo, iremos disponibilizar três novos cursos — Técnico(a) de Soldadura, Técnico(a) de Instalações Elétricas e Técnico de Logística — que surgem na sequência de solicitações do tecido empresarial.
JA – Que peso têm os cursos ligados à viticultura e enologia na escola?
JMC – Continua a ter um peso muito relevante e decisivo para a nossa Escola. Trata-se do primeiro curso a ter sido lecionado e por isso é a bandeira da nossa Escola. Por outro lado, é um curso estratégico atendendo à força do setor vitivinícola na nossa região, e por isso mesmo beneficia do apoio de todas as empresas e das associações do setor, que esperam ver formados os técnicos que precisam para satisfazer as suas necessidades de força de trabalho com os conhecimentos técnicos, específicos deste setor. É um curso com uma taxa de empregabilidade de 100%.
JA – De que forma a escola articula a sua formação com a identidade da região da Bairrada e do setor do vinho?
JMC – Como sabem a Escola de Viticultura e Enologia da Bairrada (EVEB), tem como estratégia bem definida um estreito relacionamento com as empresas da nossa região, auscultando as suas necessidades, em todos os setores da área dos nossos cursos, desde a metalomecânica até à hotelaria, passando naturalmente pelo setor do vinho, e a todas as empresas da região da Bairrada que estão ativamente empenhadas em que os nossos cursos, como cursos de referência a nível nacional, por forma a preparar os alunos para os desafios do séc. XXI e paras as realidades do tecido empresarial.
JA – Há novas competências ou áreas técnicas que estejam a ser integradas nos cursos, por exemplo tecnologia, sustentabilidade ou inovação agrícola?
JMC – A EVEB teve uma intervenção técnica absolutamente decisiva na definição do referencial do novo curso de Técnico/a de Viticultura, Enologia e Enoturismo. O novo referencial do curso dá relevância a unidades de competência (UC) como práticas de agricultura sustentável, gestão cuidada dos recursos naturais, o modo de produção biológico, a utilização de sistemas digitais, IoT e automação na viticultura e na enologia, passando pela utilização de drones e o uso de ferramentas de gestão territorial e muitos outros. As empresas do setor têm uma expectativa de que os nossos formandos sejam polivalentes, capazes de executar operações na vinha e na adega, que consigam operar máquinas e realizar análises básicas laboratoriais ou sensoriais e que logo de seguida tenham conhecimentos para acompanhar uma feira de vinho ou gerir uma estrutura de enoturismo. O novo curso ministrado pela EVEB confere todas essas competências aos seus alunos.


JMC – Os nossos alunos estão em permanente contacto com a atividade laboral diária das empresas do setor vitivinícola, porque mesmo fora dos períodos de estágio, os alunos tem aulas semanais dentro das empresas onde aprendem, através da prática, todas os temas que antes lhes eram ministrados dentro das salas de aula. Esta modalidade de aprendizagem tem evidenciado resultados excelentes.
JA – Qual é a importância dos estágios na formação dos alunos e como são escolhidos os parceiros de estágio?
JMC – Os parceiros de estágio são empresas da região que, em conjunto com a EVEB, estão empenhadas em garantir aos nossos alunos as melhores experiências de formação em contexto de trabalho. Estas entidades são nossas parceiras no processo formativo, pois com elas celebramos protocolos de colaboração que envolvem um conjunto de iniciativas e atividades respeitantes à formação prática dos nossos alunos.
JA – A escola tem conseguido atrair mais jovens para áreas ligadas ao vinho e à agricultura? O que está a mudar na perceção destes cursos?
JMC – A EVEB vem fazendo um enorme esforço de divulgação da escola, dos seus métodos de ensino e das excelentes condições que pode disponibilizar a todos os alunos que levem a sério a sua formação, no entanto é importante que saibamos que não é só a escola, mas sim toda a sociedade, que deve ver a agricultura com outros olhos e o potencial que esta área tem no futuro e desenvolvimento da nossa região.
JA – De que forma os alunos são preparados não só tecnicamente, mas também para criar ou gerir os seus próprios projetos no futuro?
JMC – A EVEB incentiva os seus alunos a darem asas à sua criatividade e espírito empreendedor. Nesse sentido, sempre que possível, incentivamos os nossos alunos a participar em concursos. No ano passado um dos nossos alunos do curso de técnico de vitivinícola foi o vencedor de um prémio para desenvolver a sua ideia de negócio agrícola, no âmbito do concurso de empreendedorismo lançado pelo município de Anadia.
JA – Que projetos extra-curriculares existem atualmente e que impacto têm na formação dos alunos?
JMC – A escola desenvolve atualmente diversos projetos extracurriculares que complementam a formação académica e profissional dos alunos, promovendo competências pessoais, sociais e técnicas fundamentais para o seu futuro. Entre os projetos em destaque encontram-se iniciativas como o GEraT, concursos de jovens empreendedores e várias atividades ligadas à sustentabilidade ambiental e à cidadania ativa. Estes projetos procuram incentivar a criatividade, o espírito de iniciativa, o trabalho em equipa, a responsabilidade e a ligação dos alunos à comunidade. A participação nestas atividades tem um impacto muito positivo na formação dos alunos, permitindo-lhes desenvolver competências transversais, aumentar a autonomia e reforçar o envolvimento com a escola. Procuramos que os alunos participem ativamente nos projetos, assumindo um papel dinâmico na construção do seu percurso pessoal e profissional.
JA – Que mensagem deixaria a um aluno do 9.º ano que está agora a decidir se segue um curso profissional ligado à viticultura ou a outras áreas técnicas?
JMC – Diria que o mundo mudou muito nos últimos anos e que o ensino profissional acompanha essa evolução, oferecendo hoje oportunidades muito diversificadas e qualificadas. Que hoje, na nossa escola, podem encontrar uma oferta formativa ajustada às necessidades do mercado de trabalho, mas também orientada para o desenvolvimento pessoal e académico. Escolher um curso profissional, seja na área da viticultura ou noutras áreas técnicas, é optar por uma formação prática, próxima da realidade profissional e com fortes possibilidades de integração no mercado de trabalho ou de prosseguimento de estudos. O mais importante é que cada aluno escolha uma área com a qual se identifique, onde possa desenvolver as suas capacidades, interesses e ambições para o futuro.

