Mateus e a Força de uma Família: O Caminho de um Menino com Autismo

A jornada de um filho é sempre um desafio para qualquer pai, mas quando há um diagnóstico de autismo pelo meio, os desafios multiplicam-se. Ana Pereira, mãe do Mateus partilha connosco a realidade do dia a dia do filho e o impacto das terapias, da escola e da comunidade no seu desenvolvimento.

 

Quem é o Mateus?

Mateus tem quatro anos e foi diagnosticado com Perturbação do Espectro do Autismo (PEA). Desde muito cedo, os pais, Ana Pereira e Sérgio Alegre perceberam que havia desafios no seu desenvolvimento, nomeadamente na comunicação, interação social e motricidade. O caminho até ao diagnóstico não foi fácil, mas foi fundamental para que pudessem garantir-lhe o apoio necessário.

Hoje, o Mateus está integrado numa escola onde recebe apoio adequado e frequenta várias terapias que têm sido essenciais para a sua evolução. O percurso tem sido exigente, mas repleto de conquistas.

 

O impacto das terapias no desenvolvimento de Mateus

Atualmente, Mateus realiza terapia da fala, ocupacional e fisioterapia. A decisão de intensificar algumas sessões revelou-se fundamental para o seu progresso: “Duplicámos a terapia da fala e a terapia ocupacional porque achámos que seria importante reforçar. Vejo toda a diferença”, explica a mãe.

No entanto, mais do que simplesmente frequentar as terapias, a mãe reforça a importância de trazer para casa as estratégias aprendidas. “Não é ir lá que faz a diferença, é percebermos o que podemos trazer de lá para casa. Se eu for à terapia e não fizer mais nada, não vale a pena.”

Os progressos são visíveis. Mateus, que antes tinha dificuldades motoras e de equilíbrio, aprendeu a andar para trás e para os lados, melhorou a sua coordenação e já começa a perceber os perigos à sua volta. Pequenos gestos do dia-a-dia, como pegar corretamente num lápis ou atar um atacador, que antes pareciam impossíveis, são agora conquistas reais.

PUBA importância da escola e dos amigos

A mudança de escola foi uma decisão crucial para o desenvolvimento de Mateus. Atualmente frequenta a Imaculada Conceição, ou como muitos chamam “as freirinhas da cova”. Ana afirma que o Mateus está, agora, num ambiente onde os educadores estão sensibilizados para as suas necessidades e os colegas demonstram uma aceitação natural: “A educadora trata-o como os outros, faz os mesmos trabalhos com ele, apenas adaptando quando necessário.”

Os amigos desempenham também um papel essencial. “Desde o início, houve dois ou três meninos que estavam sempre de volta dele, a ajudá-lo. Sabem que ele precisa de apoio para certas tarefas, como ir fazer fila para o refeitório, e fazem-no de forma espontânea.”

Ao longo do tempo, a interação de Mateus com as outras crianças mudou drasticamente. Se antes preferia brincar sozinho e não mostrava interesse pelos colegas, agora já chama os amigos para brincar e interage ativamente.

 

O peso financeiro das terapias e a ajuda da comunidade

Manter as terapias necessárias para Mateus tem um custo elevado. “Sem as campanhas, não conseguíamos. São cerca de 800 euros mensais, mais deslocações e outros gastos. Se não fosse a ajuda das pessoas, seria impossível.”

A família tem recorrido a diversas formas de angariação de fundos, como caminhadas solidárias, rifas e recolha de tampas, rolhas e cortiça. O apoio da comunidade tem sido essencial para garantir que Mateus continue a ter acesso às terapias que tanto o ajudam a evoluir.

 

Autismo: mais compreensão, menos julgamento

A mãe de Mateus acredita que ainda há um grande desconhecimento sobre o autismo. “As pessoas acham que o autismo é ou aquele menino superdotado ou aquele que não consegue fazer nada. Mas há um espectro enorme entre esses extremos.”

Muitas vezes, ouve comentários como “Mas ele não tem cara de autista”. Isso reflete a falta de informação sobre a condição, que não tem uma aparência visível. “Se fosse uma deficiência física, talvez fosse mais fácil de entender. Mas o Mateus precisa de ser ensinado todos os dias para conseguir ser autónomo.”

Apesar das dificuldades, Ana mantém-se firme na luta pelo filho. E deixa um apelo: “As pessoas deviam interessar-se mais, conhecer em vez de julgar. O que estamos a fazer é apenas tentar dar o melhor para o nosso filho.”

 

Margarida Verdade

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