Opinião por Carlos Vinhal Silva: A Jornada Mundial da Juventude e a transformação dos jovens

Que a Jornada Mundial da Juventude é um evento de uma enorme dimensão religiosa e social é já sobejamente reconhecido: assim o comprovam os meios de comunicação social e as constantes notícias e reportagens relativamente ao tema, bem como o entusiasmo cada vez mais notório em tantos jovens espalhados por todas as terras deste país. E é justo que assim seja, pelo menos se tivermos em atenção os relatos de peregrinos que tiveram a oportunidade de participar em alguma edição anterior da Jornada Mundial da Juventude, como foi o nosso caso em 2016, no evento decorrido em Cracóvia, na Polónia. Ora, tendo em atenção que já não falta muito tempo para o início do principal encontro de jovens de todo o mundo (nas nossas terras é já no próximo mês), pensamos que seria interessante dedicar os próximos artigos a deixar testemunhos e reflexões sobre a nossa experiência neste palco mundial de fé.

Neste sentido, gostaríamos de dedicar este primeiro artigo de caráter mais testemunhal a refletir sobre o papel transformador da Jornada Mundial da Juventude no coração dos jovens, começando por enaltecer o seu papel crucial na formação espiritual, religiosa, individual e comunitária, na medida em que proporciona uma experiência multidimensional e transcendente que, tal como o próprio evento, ultrapassa quaisquer barreiras geográficas e culturais. Além do óbvio fortalecimento da fé de quem a tem (e para a ter é preciso, em certa medida, uma educação apropriada, nem que seja para a saber identificar, mas estas são questões de um cariz mais filosófico que não tem lugar nestas linhas) em consequência de sucessivas e autênticas experiências religiosas que fortalecem a relação com Deus (sejam Eucaristias, orações, catequeses, momentos de reflexão ou a própria vigília de uma noite com o Papa), a Jornada Mundial da Juventude oferece também um espaço para um encontro de culturas quase radicalmente diferentes (só não classificamos a diferença como absoluta porque há a partilha da fé cristã). De facto, ao concentrar num espaço relativamente reduzido tantos jovens oriundos de partes do mundo tão distantes, é normal que exista este choque que promove o intercâmbio cultural e fomenta a convivência respeitosa de indivíduos e comunidades que se unem em comunhão espiritual e criam laços de amizade que duram para sempre. Adicionalmente, a Jornada Mundial da Juventude permite que os jovens desenvolvimento um amplo conjunto de valores e virtudes, que vão desde a solidariedade e a fraternidade à justiça e ao amor e serviço ao próximo, mesmo aquele que é radicalmente diferente.

Portanto, não podemos não considerar a Jornada Mundial da Juventude, em si mesma, como um monumento moderno e vivo. E é um monumento porque, se pensarmos nos grandes monumentos nacionais e internacionais, quase todos eles, além de serem um marco inescapável da história das nações, cumpre igualmente uma função educativa. E o mesmo se passa com a Jornada Mundial da Juventude: é um marco na história de vida dos jovens peregrinos que vivem verdadeiramente a Jornada e o espírito do evento e é inegável esta função educativa a que aludimos, na medida em que transforma os jovens e os torna agentes de mudança e esperança no mundo, sempre impulsionados pelo amor e pela esperança.

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