Saúde e educação ouvidas em todos os discursos do 25 de abril

O 49º aniversário do 25 de abril de 1974 foi assinalado, esta terça-feira, pela Assembleia e Câmara Municipal de Anadia, com uma sessão solene comemorativa. A Praça do Município de Anadia foi o palco principal das celebrações que tiveram o seu início com os cumprimentos à Guarda de Honra composta por elementos do Corpo de Bombeiros Voluntários de Anadia. Seguiu-se o hastear das bandeiras, ao som do Hino Nacional pela Orquestra Ligeira de Anadia, e a solta de pombos pelo Grupo Columbófilo da Bairrada e pela União Columbófila do Cértima.

A cerimónia contou ainda com a presença de elementos do Destacamento de Anadia da GNR e uma grande representatividade de associações do concelho, nomeadamente desportivas, culturais e recreativas. A sessão solene extraordinária da Assembleia Municipal de Anadia contou com os habituais discursos pelos representantes dos partidos e movimentos independentes com assento na Assembleia, bem como pelos presidentes da Câmara e da Assembleia Municipal.

Teresa Cardoso, presidente da autarquia, lembrou a herança de 25 de abril de 1974 e trouxe a palavra “coragem” para os temas mais atuais, como a descentralização de competências, a falta de recursos humanos em algumas profissões, os baixos salários, a falta de habitações, a desorientação no setor florestal, os problemas na saúde e uma visão muito economicista por parte do poder central.

“A localização e construção de uma nova linha ferroviária de alta velocidade, que apenas vai servir as principais cidades do país e prejudicar alguns concelhos, são também temas muito atuais que envolvem milhões de euros. Porém, para um simples nó de ligação à autoestrada do Norte, que iria beneficiar três concelhos e o desenvolvimento económico dos mesmos, não há verba disponível”, afirmou.

A autarca deixou ainda recado de que a liberdade de expressão conquistada em abril vem poucas vezes acompanhada por responsabilidade. Enalteceu ainda as empresas do concelho pelo esforço feito, lembrando que dos concelhos que integram a Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro, Anadia é o que apresenta uma menor taxa de desemprego.

Lúcia Rodrigues, presidente da Junta de Freguesia de Avelãs de Caminho, pelo movimento “Mais Pela Nossa Terra”, lembrou as várias diferenças no tratamento entre homens e mulheres antes e depois de 1974 e lembrou ainda a precariedade no que toca à habitação, apesar da melhoria de vida. Reconheceu ainda que os cuidados médicos melhoraram ao longo dos anos, lembrando que nos últimos anos alguns serviços se têm deteriorado, dando como exemplo o encerramento da Extensão de Saúde de Avelãs de Caminho.

Em representação da Coligação Democrática Unitária (PCP e PEV), Rui Bastos lembrou que a realidade é sempre diferente do sonho, referindo-se às fraquezas na saúde e educação, justiça e habitação. O deputado municipal afirmou que estas dificuldades sociais apenas fazem com que partidos como a extrema direita cresçam.

Marta Duarte, pela bancada do Partido Socialista, recordou a falta de direitos da mulher e o clima de opressão durante o Estado Novo. Referiu pontos como a redução da taxa de mortalidade infantil ou os cuidados com a saúde mental, como algumas das grandes conquistas de abril.

Pelo Partido Social Democrata, Ana Cristina Silva, disse entender que todos devíamos ser merecedores da liberdade que abril trouxe, lembrando que todos os políticos devem ser transparentes. Disse ainda que Anadia precisava de mais e lembrou vários aspetos que, na perspetiva do PSD, seriam necessários para o concelho.

Sandra Marisa falou pelo Movimento Independente Anadia Primeiro, referindo-se à saúde, educação e emprego como direitos que muitas vezes não são salvaguardados. Lembrou ainda as recentes transferências de competências, concluindo que celebrar o 25 de abril é um dever de todos.

O presidente da Assembleia Municipal de Anadia, Manuel Pinho, encerrou a sessão referindo-se às várias lutas que têm vindo a acontecer em vários setores da sociedade, como a educação, saúde, justiça, ação social, emigração, habitação, economia, política, comunicação social e até aos próprios valores da sociedade.

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