Desagregação de Amoreira da Gândara está cada vez mais distante

O futuro não está risonho no que toca ao tema da desagregação da União de Freguesias de Amoreira da Gândara, Paredes do Bairro e Ancas visto que, na Assembleia de Freguesia que decorreu no dia 31 de maio, a vontade da população ficou de parte e os eleitos do MIAP com votos contra e a abstenção de um deputado do Partido Socialista negaram a realização do referendo para ouvir as gentes destas freguesias.

Após o MIAP ter faltado em bloco no dia 12 de abril, onde se iria votar em Assembleia de Freguesia a realização do referendo, o Grupo de Cidadãos de Amoreira de Gândara voltou, no dia 28 de abril, a requerer, ao presidente da Assembleia de Freguesia, Sílvio Marinha, uma assembleia extraordinária para levar, novamente, a votação o referendo. No entanto o resultado não foi o que a população esperava.

Com uma larga quantidade de apoiantes e mais de 1500 assinaturas numa petição para a desagregação/criação da freguesia de Amoreira de Gândara das freguesias de Paredes do Bairro e Ancas, este movimento de cidadãos vê assim, uma vez mais, o desejo dos munícipes a cair por terra.

Desde 2013, ano em que as freguesias foram agregadas por imposição da Troika, que a população da União de Freguesias de Amoreira de Gândara, Paredes do Bairro e Ancas “não concorda” com a nova ordem territorial administrativa do concelho de Anadia.

Amoreira de Gândara e Paredes do Bairro cumprem os requisitos para se desagregaram, porém a freguesia de Ancas não. Deste modo o movimento popular achou melhor propor a separação de Amoreira de Gândara e deixar agregadas Paredes do Bairro e Ancas.

Lídia Pato, impulsionadora deste movimento, explicou ainda ao Jornal de Anadia que com a realização do referendo seria possível demonstrar a vontade da população de “uma forma mais alargada” em executar a desagregação.

A união de freguesias foi um processo que decorreu em 2013, durante o governo de coligação partidária PSD/CDS-PP, onde foi decidido que era necessária uma reorganização administrativa do território através das extinção de algumas freguesias.

Perante esta obrigatoriedade trazida pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional, cerca de 1168 freguesias desapareceram do território nacional, incluindo as freguesias de Amoreira de Gândara, Paredes do Bairro e Ancas. A lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro, foi formada e batizada de “lei relvas”, nome referente ao apelido do ex-ministro Miguel Relvas.

Todas as partes do processo mantêm-se, para já, em silêncio, e referiram ao Jornal de Anadia que irão reunir brevemente para decidirem o próximo passo a ser tomado para a tão esperada desagregação da União de Freguesias de Amoreira da Gândara, Paredes do Bairro e Ancas.

Vale lembrar que, se um dia a Assembleia de Freguesia aprovar a recriação da freguesia de Amoreira da Gândara, este processo ainda vai ser submetido à apreciação da Câmara Municipal de Anadia, sendo averiguado em última instância pela Assembleia da Republica.

 

Tiago Alexandre

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