A Câmara Municipal de Anadia realizou esta terça-feira, 20 de maio, uma sessão pública de esclarecimento sobre a terceira alteração da primeira revisão do Plano Diretor Municipal (PDM), atualmente em período de discussão pública até 8 de junho. A sessão decorreu no Salão Nobre dos Paços do Município e teve como principal objetivo explicar as mudanças previstas no regulamento do plano, sobretudo no que diz respeito à compatibilização de antigos espaços industriais com uso habitacional.
O vice-presidente da Câmara, Dinis Torres, começou por esclarecer que esta alteração “em nada vai alterar a cartografia” do concelho, mantendo-se inalteradas as áreas urbanas, agrícolas e ecológicas atualmente definidas. Segundo explicou, as mudanças incidem apenas sobre o regulamento do PDM, alterando aquilo que poderá ser feito em determinadas zonas já classificadas.
Uma das principais alterações prende-se com os espaços destinados a atividades económicas localizados dentro dos aglomerados urbanos. Até agora, essas áreas não permitiam habitação. Com a proposta em discussão, passará a ser possível compatibilizar o uso habitacional com essas zonas, desde que tenham dimensão inferior a dois hectares e existam edifícios devolutos, degradados ou sem atividade há vários anos.
O autarca justificou a medida com a necessidade de responder à crise habitacional e, simultaneamente, recuperar áreas industriais abandonadas que “em nada dignificam a imagem do concelho”. A mesma compatibilização será aplicada a áreas anteriormente destinadas a unidades hoteleiras.
Durante a sessão foi igualmente dado como exemplo o caso da antiga unidade industrial Esmaltina, destruída por um incêndio há cerca de dois ou três anos. A autarquia pretende alterar a classificação daquele terreno, atualmente integrado numa mancha industrial superior a dois hectares, para espaço habitacional de baixa densidade, considerando que a atividade industrial dificilmente voltará a instalar-se naquele local.


A Câmara Municipal reforçou ainda que as grandes zonas industriais do concelho, como as de Vilarinho do Bairro, Vale Salgueiro, Amoreira e Sangalhos, continuarão sem permitir uso habitacional.
Durante a apresentação técnica, os responsáveis pelo processo explicaram que o Município não pôde avançar com alterações mais profundas à planta de ordenamento devido à antiguidade da cartografia em vigor, homologada em 2015. A legislação atual obriga a que qualquer alteração cartográfica seja feita com base em cartografia homologada há menos de cinco anos.
Segundo foi explicado na sessão, a Direção-Geral do Território encontra-se atualmente a concluir um novo levantamento cartográfico nacional financiado pelo PRR, devendo os novos elementos ficar disponíveis ainda este ano. Só depois disso poderá o município avançar com revisões mais abrangentes da planta de ordenamento.
Durante o período de discussão pública, os munícipes podem apresentar sugestões, reclamações ou contributos relativamente à proposta, embora o executivo tenha esclarecido que pedidos relacionados com ampliação de perímetros urbanos ou novas áreas de construção não se enquadram nos objetivos desta alteração específica do PDM.

