A participação no Festival da Canção 2026 colocou Gonçalo Gomes no centro da atenção nacional e leva o nome de Anadia a um dos palcos mais relevantes da música portuguesa. Selecionado entre centenas de candidaturas, o jovem músico integra o lote de finalistas do concurso da RTP com a canção “Doce Ilusão”, afirmando-se como uma das vozes emergentes desta edição. É a partir deste momento de projeção que se revisita o seu percurso artístico, marcado pela criação independente, pela formação académica na área das artes e por uma forte consciência estética e cívica.
Natural de Anadia, Gonçalo Gomes é um dos artistas selecionados para o Festival da Canção, levando o nome do concelho a um dos palcos mais relevantes da música portuguesa. Com um percurso construído entre a criação independente, os palcos alternativos e a formação artística, o jovem músico afirma-se como uma voz emergente, marcada pela autenticidade, pela escrita pessoal e por uma forte consciência artística e cívica.
O gosto de Gonçalo Gomes pela música surgiu de forma natural e sem um momento exato de início. Desde cedo, a música fez parte do seu dia a dia e rapidamente se tornou numa presença constante. Ainda em criança, começou a cantarolar e a mostrar curiosidade por diferentes sons e artistas, percebendo, pouco a pouco, que a música era uma forma de se expressar e de comunicar com os outros.
Uma das primeiras grandes influências surgiu nos primeiros anos de escola, através dos Queen. Em viagens de carro com a mãe, Gonçalo ouvia repetidamente as músicas da banda britânica e ficou particularmente marcado pela voz de Freddie Mercury. Essa admiração foi decisiva para fortalecer a sua ligação à música e despertou o interesse pelo canto.
Numa fase inicial, a música surgiu como brincadeira. Influenciado por vídeos de comédia no YouTube, começou a interessar-se por paródias musicais e a criar conteúdos do género com amigos, recorrendo a meios bastante simples, como um microfone antigo ligado ao computador. Paralelamente, começou a escrever letras, ainda imaturas, mas que revelavam já uma vontade clara de expressar emoções, tanto em registos humorísticos como mais sentimentais.
Com o passar do tempo, a brincadeira começou a ganhar contornos mais sérios. Aos 14 anos, Gonçalo decidiu ter aulas de canto em Anadia, assumindo pela primeira vez a música como algo a desenvolver de forma estruturada. Mais tarde, a descoberta do artista Joji marcou uma nova etapa, levando-o a apostar em covers mais trabalhados, com gravações caseiras e sobreposição de vozes, numa tentativa de ganhar confiança e identidade artística.
Em 2024, iniciou um novo capítulo ao começar a publicar músicas originais. O objetivo passou a ser criar de forma consistente e consciente, com a ambição de, no futuro, lançar um álbum. Atualmente, frequenta o curso de Estudos Artísticos, área que integra música, cinema e teatro, e que reflete a sua convicção de que deve seguir um percurso ligado à criação artística, apesar das dificuldades e da instabilidade associadas ao setor.
Grande parte do seu crescimento enquanto músico aconteceu em contextos informais, como bares e sessões de open mic, sobretudo em Coimbra, onde estuda. Foi num desses espaços que conheceu João Umbelino, produtor e coautor das suas músicas, que considera hoje uma peça fundamental no seu percurso.
Gonçalo destaca a importância das redes de artistas emergentes, da partilha de experiências e das colaborações como formas essenciais de ganhar visibilidade. O reconhecimento chegou com a seleção para o Festival da Canção, através de livre submissão. Entre centenas de candidaturas, a sua música foi uma das escolhidas, um momento que descreve como a concretização de um sonho antigo.
A notícia chegou por telefone, de forma inesperada, e foi recebida com grande emoção. A canção, interpretada em português e com presença de guitarra portuguesa, exige uma preparação vocal exigente, levando-o a retomar aulas de canto para garantir uma performance sólida e totalmente ao vivo.
Para Gonçalo Gomes, o Festival da Canção é, acima de tudo, um espaço de valorização da música portuguesa e de aposta em artistas emergentes. Defende uma separação clara entre o Festival e a Eurovisão, sublinhando que a participação no concurso europeu não é obrigatória.
É nesse contexto que surge também a posição conjunta assumida por treze dos dezasseis artistas selecionados, que afirmaram que, caso vençam, não representarão Portugal na Eurovisão enquanto Israel mantiver a sua participação. Gonçalo encara esta decisão como uma questão de princípios, defendendo que a música é inevitavelmente política e que não é possível ignorar o contexto internacional.
Fã assumido da Eurovisão, reconhece o peso e a complexidade desta tomada de posição, mas reforça que manter a integridade pessoal e artística está acima de qualquer ambição individual. Para Gonçalo Gomes, a música é não só uma forma de criação, mas também de afirmação de valores.
O Festival da Canção 2026 foi oficialmente apresentado no dia 22 de janeiro, numa sessão para a imprensa realizada no LAV – Lisboa ao Vivo, que marcou o arranque público de mais uma edição de um dos concursos mais emblemáticos da música portuguesa, organizado pela RTP.
A edição deste ano reúne 16 canções originais e inéditas, assinadas por autores convidados e por autores selecionados através dos mecanismos de acesso ao Festival, mantendo a aposta na diversidade artística, estética e geracional, uma das imagens de marca do concurso. As canções encontram-se disponíveis desde já nas plataformas digitais e no YouTube do Festival da Canção, em formato de lyric video.
O Festival da Canção 2026 decorre em três momentos: a primeira semifinal realiza-se a 21 de fevereiro, a segunda a 28 de fevereiro, e a Grande Final está marcada para 7 de março. Uma das principais novidades desta edição é a mudança de local, com os espetáculos a acontecerem nos estúdios da Valentim de Carvalho, em Paço de Arcos, sendo possível ao público assistir ao vivo mediante inscrição prévia online, a partir de 1 de fevereiro.
Outra novidade relevante é a introdução, pela primeira vez, do voto online, que terá o mesmo peso e custo do voto telefónico, alargando as formas de participação do público no concurso.
A condução das galas ficará a cargo de Vasco Palmeirim, Filomena Cautela, Catarina Maia e Alexandre Guimarães, que assumem, de forma articulada, a apresentação das semifinais, da final, da Green Room e dos conteúdos digitais, numa lógica de maior integração entre televisão, plataformas online e bastidores.
A Antena 1 volta a ser a rádio oficial do Festival da Canção, com todas as canções a integrarem a sua playlist, estando também disponível o podcast oficial do concurso, “Falar pelos Dois”, dedicado aos bastidores, curiosidades e acompanhamento do Festival.
O Festival da Canção 2026 reafirma-se, assim, como uma plataforma central de criação, encontro e projeção da música portuguesa contemporânea, reunindo novas vozes e artistas consagrados num palco em constante evolução.
Canções a concurso
· Onde Quero Estar – AGRIDOCE
· Dá-me a Tua Mão – André Amaro
· Rosa – Bandidos do Cante
· Nos Teus Olhos – Bateu Matou
· Canção do Querer – Cristina Branco, interpretada por João Ribeiro
· Jurei – Dinis Mota
· Pertencer – Djodje, interpretada por Mário Mata
· Sprint – EVAYA
· Co-Piloto – Francisco Fontes
· Doce Ilusão – Gonçalo Gomes
· Um Filme ao Contrário – Inês Sousa
· O-pi-ni-ão – Jacaréu, interpretada por Jacaréu e Ana Margarida
· Chuva – Marquise
· Fumo – Nunca Mates o Mandarim
· Não Tem Fim – Rita Dias, interpretada por Silvana Peres
· Disposto a Tudo – Sandrino


