Enfermeiro veterinário na Clínica Veterinária de Vilarinho, em Vilarinho do Bairro, Joel Santos encontra na diversidade de tarefas uma das maiores motivações da profissão. Entre o atendimento, a gestão de stocks e o apoio à cirurgia e à anestesia, destaca a importância de uma boa equipa para enfrentar as exigências do quotidiano.
Quando lhe pedem para descrever um dia normal de trabalho, Joel Santos começa por explicar que essa normalidade não existe. Na Clínica Veterinária de Vilarinho, as tarefas sucedem-se conforme as marcações, as necessidades dos animais e as situações que vão surgindo.
Num momento, pode estar na receção a atender clientes; noutro, a emitir faturas, a verificar stocks ou a ajudar na contenção de um animal durante um procedimento. Há também os dias em que acompanha cirurgias e anestesias, as áreas de que mais gosta.
“Todos os dias são dias novos, são sempre um desafio”, afirma. Conhecer as marcações permite antecipar parte do trabalho, mas há sempre espaço para o imprevisto. É precisamente essa diversidade que aprecia: chegar à clínica sabendo que o dia pode trazer tarefas e desafios diferentes.
O seu testemunho mostra a variedade de funções que um enfermeiro veterinário pode assumir numa equipa clínica. O contacto com os animais cruza-se com o atendimento aos tutores e com tarefas de organização que contribuem para o funcionamento do serviço.
Entre a satisfação de ajudar e as notícias difíceis
O apoio à cirurgia e à anestesia ocupa um lugar especial nas preferências de Joel Santos. É nessa vertente do trabalho que encontra maior interesse, embora o quotidiano lhe exija disponibilidade para responder a necessidades muito distintas.
As maiores dificuldades surgem, sobretudo, no plano emocional. A relação com os tutores pode passar rapidamente de uma conversa descontraída para um momento em que é necessário transmitir ou acompanhar uma informação difícil.


Joel reconhece que este desgaste pode ser difícil de gerir. Às exigências profissionais juntam-se, por vezes, preocupações pessoais que cada elemento traz consigo. Ainda assim, sublinha o esforço para prestar os melhores cuidados, tanto nos dias mais tranquilos como nos mais complicados.
Também o contacto com o público coloca desafios. Há situações em que os tutores chegam preocupados ou descontentes e em que os profissionais sentem falta de compreensão pelo seu trabalho. A forma como essas interações decorrem influencia um quotidiano que já exige atenção e disponibilidade emocional.
Uma boa equipa faz a diferença
Questionado sobre um episódio particularmente marcante, Joel prefere destacar o conjunto das experiências que vive na clínica. Encontra momentos positivos todos os dias e considera que, apesar das dificuldades, o balanço do trabalho é agradável.
Nesse equilíbrio, atribui um papel central aos colegas: “Quando a equipa é boa”, diz, a profissão torna-se “uma coisa boa de se fazer”.
A entreajuda e o ambiente de trabalho assumem, assim, importância numa atividade em que é necessário articular tarefas, responder a imprevistos e acompanhar situações emocionalmente exigentes. Para Joel, a satisfação profissional também se constrói nessa relação diária com a equipa.
Um percurso que começou como auxiliar
A entrada na área fez-se através de um curso técnico e da formação como auxiliar de veterinária. Inicialmente, era nessa função que Joel pensava permanecer. Depois de concluir essa etapa, decidiu continuar a estudar e avançar para Enfermagem Veterinária.
O interesse pelos animais já existia, embora o seu foco inicial estivesse nos animais de produção. Chegou a trabalhar nessa área, mas o percurso profissional acabou por conduzi-lo também aos animais de companhia.
A ligação à Clínica Veterinária de Vilarinho começou nos estágios. Mais tarde, surgiu a oportunidade de voltar a integrar uma equipa que já conhecia, numa relação que se prolonga há vários anos e com a qual se mostra satisfeito.
Ao olhar para o caminho percorrido, considera que quem pretende entrar hoje na área encontra percursos de formação mais definidos do que aqueles que existiam quando começou. Na sua perspetiva, há também um maior reconhecimento, por parte das entidades empregadoras, do contributo dos enfermeiros veterinários.
A quem pondera esta escolha profissional, deixa o incentivo para aproveitar essas oportunidades de formação e entrar na profissão com vontade de trabalhar e paixão pela área. No seu caso, foi a decisão de continuar a aprender que abriu caminho a uma atividade em que cada dia continua a trazer algo diferente.

