Aos 30 anos, Maria Brandão é responsável pela loja Curivet, em Anadia, onde a venda de produtos para animais se conjuga com os serviços de grooming. Licenciada em Turismo, foi durante a pandemia que decidiu mudar de rumo e procurar uma profissão ligada aos animais.
Na profissão de Maria Brandão, não há dois dias iguais. Na Curivet, em Anadia, o ritmo varia consoante os serviços e os animais que chegam à loja. Uns dias são mais agitados, outros mais tranquilos, mas todos exigem disponibilidade para conhecer e respeitar quem está do outro lado da escova ou da tesoura: “Cada animal tem a sua personalidade, então nós é que temos de nos adaptar um bocadinho a isso”, explica.
Aos 30 anos, Maria assume a responsabilidade pela loja, assegurando a gestão dos produtos e trabalhando também na área dos banhos e das tosquias. A Curivet reúne, assim, a venda de produtos para animais e os serviços de grooming, uma atividade que abrange diferentes cuidados de higiene e manutenção da pelagem.
A oferta vai além do banho e da tosquia: “Temos a parte das escovagens, corte de unhas, hidratações, penteados para casamentos, que também já nos procuraram para isso”, conta. Uma diversidade que mostra como esta profissão pode responder a necessidades muito diferentes, desde os cuidados regulares até à preparação de um animal para acompanhar a família numa ocasião especial.
Cuidados que vão além da aparência
Embora seja frequentemente associado à estética, o grooming tem também uma importante componente de higiene e conforto. A escovagem ajuda a retirar pelo solto e a evitar a formação de nós, enquanto o banho e os cuidados com a pelagem devem ser adaptados às características de cada animal. A frequência e o tipo de intervenção variam de acordo com o pelo, o estilo de vida e as necessidades individuais.


O contacto próximo permite ainda detetar alterações na pele, na pelagem ou nas unhas que possam justificar uma avaliação médico-veterinária. O profissional de grooming pode chamar a atenção do tutor para essas situações, contribuindo para um acompanhamento atento do animal.
Mas, para Maria, o trabalho começa sobretudo na capacidade de adaptação. Mais do que executar uma técnica, é preciso perceber o comportamento de cada animal e encontrar a melhor forma de o acompanhar durante os cuidados.
É precisamente esse desafio diário que mais a realiza. Há dias em que a disposição pessoal não é a melhor, mas o trabalho exige serenidade. “Às vezes estamos chateados num dia, mas os animais precisam da calma que nós não estamos a ter”, reconhece. E é nessa relação que também encontra conforto: “É como se eles nos percebessem todos os dias a nível de sentimentos e nós a eles também”.
Nem todos os momentos são fáceis. Cortar as unhas a um animal que tenta morder é um dos exemplos que aponta. Há também os imprevistos que obrigam a repetir parte do serviço: depois de um banho e quando tudo parece pronto para o regresso a casa, um xixi pode trazer uma nova passagem pela lavagem. Maria descreve estas situações com humor, como “um misto do trabalho feito e desfeito”.
Do Turismo ao trabalho com animais
O percurso até à profissão passou por uma mudança de área. Maria licenciou-se em Turismo, mas a pandemia levou-a a reconsiderar o caminho que tinha escolhido e a procurar formação relacionada com os animais.
O interesse já existia. O receio de disciplinas como Matemática, Física ou Química, porém, tinha contribuído para adiar essa escolha. Hoje, considera que deveria ter seguido essa vontade mais cedo.
Por isso, a quem pensa trabalhar com animais, deixa um conselho assente na própria experiência: não desistir de procurar um percurso profissional nesta área por medo das dificuldades académicas. Conhecer as diferentes profissões e a formação necessária pode ajudar a encontrar um caminho compatível com os interesses e as capacidades de cada pessoa.
Quanto às qualidades essenciais para exercer a atividade, Maria resume-as em três compromissos: «Gostar, respeitar e todos os dias crescer um bocadinho na área, porque, se não for assim, não vale a pena.»

