O Pavilhão Multiusos de Febres foi palco no passado dia 8 de novembro, de uma noite especial dedicada à valorização e celebração do teatro. Um momento que, simultaneamente, assinala o fim das comorações dos 25 anos do Ciclo de Teatro Amador do Concelho de Cantanhede e o lançamento da XXVI edição. Promovido pelo Município de Cantanhede, o evento reuniu mais de 400 pessoas, num momento simbólico de grande reconhecimento ao trabalho e à paixão de todos aqueles que ajudaram a construir a história teatral do concelho.
“Estas homenagens, a título póstumo, são uma celebração da memória e do legado artístico deixado por quem fez do teatro uma forma de vida e de identidade comunitária.
São personalidades marcantes da história teatral do concelho, referências inspiradoras, que queremos continuar a dar a conhecer e a resgatar do esquecimento, pois foram fundamentais na concretização de uma dinâmica cultural assinalável.
Cantanhede é o concelho da região Centro com mais grupos de teatro amador no ativo. Ao longo dos anos, o concelho tem afirmado o seu papel como um verdadeiro polo de criação e valorização das artes cénicas, graças ao empenho das associações locais, ao talento dos seus intérpretes e ao envolvimento das pessoas”, sublinhou o vice-presidente da Câmara com o pelouro da Cultura, Pedro Cardoso.


A noite prosseguiu com a estreia do espetáculo “O Grito”, uma encenação da ACA TEA – Academia de Teatro de Cantanhede. Trata-se de uma adaptação da peça “Um Grito Parado no Ar”, de Gianfrancesco Guarnieri, que explora as angústias e os dilemas de um grupo de artistas que tentam realizar uma obra teatral num período cortes orçamentais.
“Ao longo do processo criativo eles deparam-se com limitações impostas tanto pelo sistema como pelas suas próprias incertezas, o que gera discussões sobre o rumo da arte e a sua função social. À medida que as personagens avançam nos ensaios, emergem conflitos internos e externos, refletindo as tensões entre o idealismo artístico e a dureza que a própria realidade impõe”, refere a sinopse.
Com uma linguagem intensa e provocadora, o espetáculo coloca em evidência a batalha silenciosa de artistas que tentam mostrar o poder do teatro como um espaço de resistência e reflexão, mesmo quando a realidade impõe o silêncio.
A direção e encenação do espetáculo estão a cargo da ACA TEA – Academia de Teatro de Cantanhede, contando com um elenco composto por Miguel Matos, Alexandre Marques, Paulo Cera, Ana Marques, Luciana Cupido e Maria Juliana Catarino.
Esta cerimónia decorreu no âmbito do XXVI Ciclo de Teatro Amador do concelho de Cantanhede, que se realizará entre 24 de janeiro e 18 de abril de 2026, com a participação de quase duas dezenas de grupos e 400 elementos envolvidos.

