Destilaria Levira nega sabotagem no incidente do “rio de vinho” em Anadia

Em setembro de 2023, na pacata freguesia de São Lourenço do Bairro, em Anadia, foi palco de um episódio insólito: cerca de 2,2 milhões de litros de vinho tinto inundaram as ruas após o colapso de dois reservatórios da Destilaria Levira. As imagens do “rio de vinho” ficaram virais nas redes sociais e foram destaque em diversos meios de comunicação internacionais.

O incidente ocorreu no âmbito de uma medida extraordinária do Governo português, que incentivava a destilação de excedentes vínicos para estabilizar o mercado, face à queda no consumo de vinho na Europa. A Destilaria Levira, uma das maiores do país, estava a armazenar grandes quantidades de vinho destinadas à destilação quando os reservatórios cederam.

Apesar do cenário dramático, não houve vítimas a registar. Os Bombeiros Voluntários de Anadia atuaram rapidamente, desviando o fluxo de vinho para evitar a contaminação do rio Cértima, mitigando assim um potencial desastre ambiental. A destilaria assumiu de imediato a responsabilidade pelos danos e comprometeu-se a cobrir os custos de limpeza e reparação.

Recentemente, surgiram alegações por parte da empresa MAHOR TRACK, fabricante dos reservatórios, sugerindo que o colapso poderia ter sido causado por sabotagem com recurso a um engenho explosivo improvisado. No entanto, a Destilaria Levira refutou veementemente estas acusações. Em comunicado, informou que as autoridades competentes, nomeadamente o Núcleo de Investigação Criminal da GNR e a Polícia Judiciária, afastaram completamente a hipótese de sabotagem, não tendo encontrado qualquer vestígio ou indício de atividade criminosa.

Adicionalmente, uma investigação técnica conduzida pelo Centro Pericial de Reconstituição Científica de Acidentes (CENPERCA), ligado ao INEGI da Universidade do Porto, concluiu que o colapso dos reservatórios ocorreu devido a deficiências significativas na qualidade dos materiais utilizados e na solução de engenharia adotada pela MAHOR TRACK. O relatório aponta para o incumprimento de diversos padrões e normas técnicas de fabrico, dimensionamento e qualidade de materiais.

A Destilaria Levira reiterou que os reservatórios foram adquiridos especificamente para armazenar vinho, sendo esta utilização comunicada no momento da compra, contrariando as alegações da fabricante. Face aos prejuízos sofridos, a empresa está a procurar, através de processos judiciais em curso, que sejam apuradas as responsabilidades concretas e asseguradas as respetivas compensações pelos danos suportados.

Este episódio, embora insólito, trouxe à tona questões importantes sobre a segurança na armazenagem de produtos vínicos e a necessidade de rigor na construção e manutenção de infraestruturas industriais.

 

Margarida Verdade

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