Museu José Luciano de Castro recebe exposição “Um Nómada em Casa” de Domingos Rego

O Museu José Luciano de Castro, em Anadia, inaugurou no passado dia 8 de novembro a exposição “Um Nómada em Casa”, do artista Domingos Rego, que apresenta um conjunto de obras de pintura e desenho produzidas entre 2012 e 2024. A mostra propõe uma reflexão sobre o nomadismo, o tempo e a relação com a natureza, explorando a ideia de caminho e de descoberta que se renova em cada criação.

Natural de Azeitão e a viver entre esta localidade e Lisboa, Domingos Rego é doutorado em Belas-Artes/Desenho e docente na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa desde 2002, expondo regularmente desde 1993. A convite da direção do museu, o artista regressa a um território com o qual mantém laços afetivos. “Foi um desafio que a direção do Museu me fez. Guardo memórias de infância com os meus pais na Curia”, contou, acrescentando que “as obras que aqui exponho são de 2012 até hoje. O ponto de partida foi um quadro com uma casa na árvore, fazendo ligação à mítica casa da árvore de Anadia”.

A exposição parte, assim, da metáfora do “nómada em casa” — aquele que encontra o caminho dentro do próprio espaço e na ligação com o mundo que o rodeia. As pinturas e desenhos de Domingos Rego evocam a passagem do tempo, o ciclo da natureza e o diálogo entre o ser humano e o ambiente que habita. “O meu trabalho reflete muitas vezes a passagem do tempo sobre as coisas e o ciclo da natureza. Tudo o que faço tem sempre alguma ligação com o que me envolve. Abordo o dia e a noite, as estações, as renovações”, explicou. O artista opta por não dar título às suas obras, acreditando que isso permite uma leitura mais livre e pessoal por parte de cada observador.

Para o diretor do Museu, João Nascimento, trazer o trabalho de Domingos Rego a Anadia “era um desejo antigo”, destacando “o rigor e a profundidade” da sua obra. “Há uma ligação clara entre a casa da árvore que nos apresenta e a casa da árvore da Quinta das Felgueiras”, referiu, sublinhando ainda o simbolismo dessa ponte entre arte e identidade local.

A exposição “Um Nómada em Casa” permanecerá patente até março de 2026 no Museu José Luciano de Castro. A entrada é gratuita, embora as doações sejam bem-vindas, e o convite fica feito a todos os anadienses para visitarem este diálogo entre memória, natureza e criação artística.

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