Na página online de uma qualquer autarquia, cuja identificação não vem ao caso, pode ler-se que “O Arquivo Municipal tem como principal missão (…) no plano cultural, defender e salvaguardar os arquivos, coleções e mais documentos com valor histórico e patrimoniais (…) existentes no concelho.”
“Sendo a nossa prioridade garantir o acesso à informação a todos quantos dela necessitam, desenvolvemos todas as operações técnicas de avaliação, recolha, guarda, tratamento, conservação e preservação da documentação e difusão do património arquivístico municipal. No Arquivo Municipal é possível encontrar documentação produzida e recebida pela autarquia no exercício da sua atividade, (…) até à atualidade, mas também documentação da Administração do Concelho, fundos particulares e coleções diversas.”
Os arquivos Municipais são, na nossa opinião de maior interesse e importância para a recolha, inventariação, preservação e disponibilização de documentos vários que atestam a vida de qualquer município e das suas gentes. O agrupar de toda a documentação num só espaço facilita não só a sua preservação, como uma posterior consulta por quem se interessa por aspetos específicos da história da terra. E a sua posterior digitalização e disponibilização em rede, seria um passo importante e quase indispensável num futuro digital que é cada vez mais presente.
No Concelho de Anadia há, espalhados um pouco por todo o lado, e nem sempre devidamente preservados, documentos que atestam a vida da terra e das suas gentes.
Se o material arquivado no Museu José Luciano de Castro, na Biblioteca Municipal, nas instalações da Câmara Municipal está bem preservado, embora de acesso nem sempre fácil, o mesmo não se pode dizer de todos os documentos espalhados e perdidos em empresas ao abandono, velhas escolas e casas particulares.


O esforço louvável feito pelo Museu do Vinho e pelo Museu Duas Rodas para a preservação e divulgação desses espólios fica, até por motivos de missão, muito aquém da necessidade de recolha de documentação existente nas mãos de familiares dos grandes empreendedores nesses setores económicos e do seu tratamento apropriado.
O meritório trabalho de recolha feito por Juntas de Freguesia, IPSSs ou entidades privadas não tem a divulgação que merece e esbarra, com frequência, com falta de apoios financeiros, técnicos e humanos para uma consecução eficaz desse trabalho.
Muito se tem falado sobre a criação de uma residência universitária para alunos das Universidades de Coimbra e Aveiro, sendo considerado que este seria um primeiro passo para a criação de uma universidade ou polo universitário no nosso concelho.
Entretanto, e nesse mesmo sentido, seria possível a elaboração de protocolos com várias universidades e a criação de bolsas de mestrado ou doutoramento para se proceder à recolha, estudo e catalogação dos documentos existentes e sua disponibilização para consulta posterior.
A salvaguarda de toda essa informação num arquivo municipal (instalado num dos muitos edifícios subaproveitados do município) será um passo em frente na preservação da nossa história local e na eficácia da sua disponibilização ao público em geral.
Fica a sugestão.
Fátima Flores, militante do PEV, eleita na Assembleia de Freguesia da União das Freguesias de Arcos e Mogofores

