Opinião pelo PSD Anadia: Sobre o Traçado da Linha Ferroviária de Alta Velocidade em Anadia

A Câmara Municipal de Anadia terá de se pronunciar até ao dia 17 de julho sobre as três/cinco alternativas de traçado da Linha Ferroviária de Alta Velocidade para atravessamento do concelho de Anadia, as quais abrangem as freguesias de Sangalhos, São Lourenço do Bairro e Vilarinho do Bairro e as uniões de freguesia de Amoreira da Gândara, Paredes do Bairro e Ancas, Arcos e Mogofores e Tamengos, Aguim e Óis do Bairro.

Em devido tempo, o PSD expressou a sua total discordância face à decisão do Governo de fazer atravessar Anadia por uma nova linha de caminhos de ferro, agora dita de alta velocidade. De acordo com a nossa opinião, a linha de alta velocidade apresenta apenas a vantagem de ligar Lisboa e o Porto numa 1h e 15m, mas apenas quando a viagem for feita sem paragens intermédias. Com os comboios atuais e apenas algumas obras pontuais de melhoramento da Linha do Norte seria possível reduzir a duração da viagem entre Lisboa e Porto para 1h e 30m /1h e 45m. Isto quer dizer que iremos gastar mais de 5.000 milhões de euros para viajar mais depressa 15 a 30 minutos entre Lisboa e Porto.

Estes 15 a 30 minutos irão implicar a destruição de paisagens protegidas, a cessação de atividades económicas agrícolas e industriais, o desfiguramento de povoações e a demolição de muitas habitações.

No caso particular de Anadia, estas consequências serão muito agravadas, porque, devido ao relevo geográfico dos seus terrenos, terão de se construir, ou aterros ou viadutos, praticamente em toda a extensão do percurso da linha em Anadia, os quais provocarão danos económicos, sociais e ambientais irreversíveis. Tendo em conta a realidade atual, não podemos esperar que o projeto da linha de alta velocidade não vá para a frente.

Nesta situação, importa que o Executivo da Câmara Municipal, que atualmente governa Anadia, cumpra com o seu dever de tudo fazer para ajudar a compensar e minimizar os prejuízos que as populações vão sofrer, nomeadamente, através de um plano calendarizado de medidas específicas.

Assim, cabe à Senhora Presidente de Câmara, Teresa Belém Cardoso, e aos Senhores Vereadores que a acompanham no exercício efetivo do poder autárquico, iniciar desde já, os trabalhos necessários a identificar e quantificar o montante dos prejuízos que a população e o concelho de Anadia irão sofrer, qualquer que seja o traçado que será aprovado.

Temos aqui de considerar os prejuízos que os munícipes irão sofrer individualmente. Seja, porque a casa que construíram ao longo de anos de sacrifícios e que muitos se encontram ainda a pagar irá ser demolida a troco de uma indemnização que será, provavelmente, insuficiente, para construir uma outra habitação. Seja, porque as vinhas ou os terrenos ficarão inutilizados. Ou ainda, porque o barulho dos comboios não os deixará dormir sossegados ou porque a perda dos laços de vizinhança causada pela construção dos aterros ou do fechamento de estradas os deixará na solidão.

Mas, ao lado destes prejuízos individuais, que são os mais dolorosos, temos também de valor as perdas do valor paisagístico, económico e social do território do concelho de Anadia, que serão enormes e também, em muitos casos, irreversíveis. Quem quererá ir viver para uma terra que é atravessada e retalhada por uma autoestrada, duas linhas de caminhos de ferro e uma estrada nacional? Alguns, poucos, certamente. Neste momento difícil para o concelho de Anadia, o que se espera do poder municipal é que esteja ao lado das pessoas, procurando por todos os meios que, ao menos, as populações e o nosso território sejam de alguma forma compensados pelos graves prejuízos que irão sofrer.

Importa que a Câmara Municipal crie, agora, uma comissão de acompanhamento das obras de construção da linha de alta velocidade, com a finalidade, entre outras mais, de prestar aconselhamento jurídico a todos os munícipes prejudicados com as obras. Pensamos também que seria de fundamental importância, que a Câmara Municipal de Anadia exija do Governo a concessão de auxílios financeiros para fazer face aos efeitos negativos do traçado de alta velocidade no nosso território, nos termos do previsto no artigo 22.º, n.º 3, da Lei das Finanças Locais.

Pense-se, por exemplo, no estado em que ficarão as estradas e vias públicas do nosso concelho com as obras de construção da linha de alta velocidade. Adotar uma atitude passiva de resignação perante a inevitabilidade do atravessamento do concelho de Anadia pela Linha Ferroviária de Alta Velocidade e as suas consequências, não nos parece ser o caminho adequado.

Anadia, 7 de julho de 2023
PSD de Anadia

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