Já não é novidade que estamos a meras semanas da Jornada Mundial da Juventude e, como diz o próprio hino que tem marcado o compasso desta romaria, há pressa no ar. Esta ansiedade poderá ser atestada por qualquer jovem que tenha legítimas aspirações a marcar presença no mais grandioso evento religioso das nossas vidas; e mais ainda para quem, tendo assumido a missão de colaborar na organização do evento, seja em Lisboa ou nas dioceses, se apercebe da proximidade da data e tem ainda muito que fazer. É verdade que muito foi já feito, mas parece sempre que o que falta fazer supera a obra realizada. Isto porque quem acolhe não gosta de acolher de qualquer maneira: gosta de receber quem vem da melhor forma possível, ainda que nunca se perca o sentido humilde do espírito do acolhimento.
De facto, como dissemos, há muito caminho ainda a percorrer, mas poucos peregrinos dispostos a percorrê-lo. Por outras palavras, “A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos” (Mateus 9: 37), diz-nos Jesus. E assim é, porque, tendencialmente, queremos as coisas feitas, mas sem termos que ser nós a fazê-las, esquecendo-nos que é maior o sentimento de satisfação se ajudarmos no processo de realização. E todos podemos fazer parte deste evento magnânimo que, em nós, se converterá numa experiência transcendente e de comunhão com o Divino. Seja para animar aqueles que nos visitam e que connosco, por alguns dias caminharão, seja para ajudar em matérias de transporte, ou para ajudar a preparar ou servir refeições, todas as mãos fazem diferença e não há COP nenhum que negue esse auxílio, pois todos são cientes desta necessidade e do espaço que se tem que abrir para quem estiver disposto a ajudar.


Carlos Vinhal Silva

