Opinião por Fátima Flores: Anadia sem memória?

Numa vista de olhos pelo mapa das ruas de Anadia encontramos nomes que nada nos dizem como, por exemplo, Rua das Flores, Rua da Bela Vista ou Rua das Sobreiras, já que o motivo que originou tal nome se perdeu na voragem do tempo, lado a lado com ruas que relembram vultos importantes da nossa história local cuja relevância se vai, infelizmente, perdendo.

Para quando a publicação de uma edição em papel que conte aos jovens de hoje e do futuro quem foi, por exemplo, Júlio Maia, José Paulo Cancela ou Justino Sampaio Alegre e a sua importância para a terra que os viu nascer ou onde viveram? Porque não envolver os jovens das nossas escolas na elaboração dessa memória?

Entretanto gentes importantes da nossa terra são, inexplicavelmente, votadas ao esquecimento como se o seu nome ofuscasse alguém ou alguma coisa.

Relembro aqui, a título de exemplo, o Mestre José Iglésias que, não foi, no seu tempo, um qualquer anadiense anónimo que não merece recordar.

Nascido em 1924, terá chegado a Anadia em 1948. Assinalar os 100 anos do seu nascimento ou os 75 da sua vinda para Anadia, Seriam boas oportunidades de relembrar e homenagear quem marcou, de forma indelével, a cultura da nossa terra na segunda metade do séc. XX.

Enquanto houver quem se recorde do seu papel na criação e manutenção do grupo “Os Rouxinóis”, com inúmeros espetáculos e várias digressões desde Luxemburgo até aos Estados Unidos, na implementação da “Festa das Vindimas”, como ensaiador das Marchas Populares e do seu grupo de Reis que, na época natalícia, percorria o concelho angariando verbas para, por exemplo, os Bombeiros Voluntários de Anadia e a Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) ele permanecerá vivo. Mas e depois?

Não seria da maior justeza que Anadia lhe agradecesse perpetuando o seu nome para além dos que com ele conviveram?

Se a proposta de atribuir o seu nome ao Cine Teatro de Anadia, apresentada pelo eleito pela CDU na sessão ordinária de 21 de dezembro de 2017 não colheu, por parte da Assembleia Municipal, qualquer interesse já que considerou este assunto “fora das suas competências”, isso não significa que não se continue a lutar para perpetuar a sua história e a sua memória.

Se o Cine teatro de Anadia perde, como já foi dito por representantes do poder instituído, identidade com a atribuição do nome de quem tanto fez pela cultura na nossa terra, o mesmo não aconteceria se ele fosse atribuído a uma das ruas sem nome ou com nome que nada nos diz.

Deixamos a sugestão.

E deixamos ainda outra sugestão. Anadia perdeu recentemente mais um farol da nossa cultura. O “nosso” João Venâncio. O seu espólio e a sua memória não podem nem devem ser perdidos.

 

Fátima Flores, militante do PEV, eleita na Assembleia de Freguesia da União das Freguesias de Arcos e Mogofores

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