A Síndrome do Intestino Irritável (SII), caracterizada por sintomas como dor abdominal, inchaço, diarreia e obstipação, é uma condição gastrointestinal comum que afeta aproximadamente uma em cada sete pessoas, de acordo com estudos realizados pela Universidade Monash, na Austrália. Dado que esta síndrome pode ter um impacto significativo na qualidade de vida dos indivíduos afetados, a Universidade Monash desenvolveu a Dieta restrita em FODMAPs em 2004, com o objetivo de auxiliar os pacientes com SII a gerir e reduzir os seus sintomas. Mas o que é exatamente a Dieta restrita em FODMAPs, para que serve e como implementá-la de forma eficaz?
FODMAPs trata-se de um acrónimo inglês que representa “Oligosacarídeos, Dissacarídeos, Monosacarídeos e Polióis Fermentáveis”. Estes componentes não são mais do que Hidratos de Carbono, presentes em diversos alimentos, como cereais, frutas, legumes e laticínios, que têm a particularidade de serem potencialmente mal absorvidos, sendo posteriormente fermentados pelas bactérias do intestino, produzindo gases.
A proposta desta dieta passa por reduzir a ingestão destes Hidratos de Carbono, na tentativa de controlar os sintomas da Síndrome do Intestino Irritável e de outras patologias como a doença inflamatória intestinal, refluxo, endometriose, fibromialgia, entre outras.


A Universidade Monash desempenha um papel importante no desenvolvimento desta dieta, uma vez que, através de testes laboratoriais, a instituição avalia e reavalia os alimentos, levando em consideração fatores como país de origem, mudanças climáticas, fertilizantes e armazenamento. Essas pesquisas resultam em atualizações regulares sobre as quantidades toleradas de FODMAPs em alimentos específicos, permitindo um maior controlo e personalização da dieta.
Recentemente, a Universidade Monash divulgou algumas atualizações relevantes. Por exemplo, as tâmaras, anteriormente consideradas altas em FODMAPs, agora têm quantidades toleradas específicas, como 30g de tâmaras secas sem caroço ou 20g de tâmaras Medjool sem caroço. Estas atualizações são fundamentais para fornecer informações precisas, garantindo uma adaptação de acordo com as necessidades individuais. No entanto, é importante destacar que esta dieta pode variar de pessoa para pessoa, e é recomendada a orientação de um profissional de saúde qualificado, como um nutricionista.
Dra. Margarida Miranda
Nutricionista (4853N)
Sanclinic – Sangalhos

