Agrupamento Escolas Anadia: “A nossa preocupação não são os rankings e notas”

O Jornal de Anadia esteve à conversa com Aníbal Marques, diretor do Agrupamento de Escolas de Anadia, que foi perentório a afirmar que a sua preocupação não são os rankings nem as notas, mas sim prestar um excelente serviço educativo, científica e pedagogicamente sustentado. Ficámos a conhecer as ofertas formativas para o próximo ano letivo bem como a identidade desta entidade escolar.

 

Jornal de Anadia (JA) – O que distingue o Agrupamento de Escolas de Anadia de outros?

Aníbal Marques (AM) – O Agrupamento de Escolas de Anadia cultiva uma identidade que nos orgulha. Como, felizmente, temos um corpo docente e não docente estável, conseguimos manter regras, normas e valores que se perpetuam e, também, permitem transmitir essas mais-valias aos que ingressam de novo. O Projeto Educativo, recentemente aprovado, define claramente os propósitos que identificam a nossa atuação. O lema “Educação integrada de saberes e competências que levarão a um desenvolvimento de uma cidadania participativa” motiva-nos a uma educação integral do aluno, no sentido da construção de um cidadão proativo, empenhado, comprometido com a sociedade. Ainda naquilo que o nosso Projeto Educativo defende, mencionamos a nossa preocupação humanista, em que se pretende potenciar o melhor de cada um, nos eixos do sucesso, qualidade, cidadania, solidariedade, partilha, reflexividade, envolvimento, cooperação, conhecimento e inovação.

O Agrupamento de Escolas de Anadia pauta a sua atuação defendendo a sustentabilidade, agindo por causas solidárias, estando sempre disponível para participar e colaborar com as iniciativas que lhe sejam propostas, seja do Município ou de outras entidades. Estabelecemos diferentes parcerias sempre com o objetivo de uma ligação atenta e permanente com a sociedade.

Recentemente, concorremos a um Centro Tecnológico Especializado (CTE), na Área de Especialização Tecnológica Informática, no montante de 1 098 530,87 €.

Este concurso, a nível nacional, foi feito exclusivamente pelos nossos docentes, sendo aprovado na totalidade (Aviso N.º 01/C06-i01.01/2022 e ata n.º 3, lavrada em 30/03/2023, do Júri responsável pela seleção das candidaturas).

Será despiciendo afirmar que a aprovação desta candidatura (única no Concelho) nos encheu de orgulho e, cada vez mais, nos faz acreditar nos briosos profissionais do Agrupamento de Escolas de Anadia. Referimos, ainda, que estamos a fazer a candidatura a um outro Centro Tecnológico Especializado, desta vez na Área de Especialização Tecnológica Industrial.

O nosso envolvimento nas áreas do Cinema (Plano Nacional do Cinema), nas Artes (Plano Nacional das Artes) tem-se cifrado em múltiplas parcerias consubstanciadas em atividades para e com a Comunidade.

Referimos, igualmente, que o Agrupamento tem dois Clubes de Ciência Viva, um na Escola Básica de Vilarinho do Bairro e outro na Escola Básica e Secundária de Anadia (da Rede Nacional de Clubes da Ciência Viva).

O Agrupamento recebeu, no mês de abril do presente ano, um prémio da responsabilidade da Universidade de Coimbra (o Prémio UC à Frente) devido ao ingresso dos nossos alunos na primeira escolha do curso, com 18 ou mais valores.

 

JA – Há preocupação de manter boa comunicação entre a família e escola?

AM – Consideramos que esta ligação Escola/Família é fulcral e basilar no processo pedagógico. Dando conta desta nossa premissa, recordamos um texto que publicámos, no início do ano letivo, e que exalta o papel que consideramos relevante da família: “Educa-se pelo exemplo. A montante da Escola, temos a importância da família. Pilar absolutamente essencial. Se a família não respeitar a Escola, dificilmente os alunos o farão. É importante a generosidade de acreditar nos profissionais da educação. Que preparam, afincadamente, o ano letivo. Que pensaram e repensaram as melhores hipóteses. Antes da crítica fácil e gratuita importa procurar perceber o porquê das opções estabelecidas. A confiança é o elo essencial e que sustenta todo o processo educativo. A Escola existe para e pela Comunidade. O objetivo que nos une é comum: o sucesso, pessoal e profissional, a felicidade dos nossos alunos. Em vez de julgarmos, confiemos.”

As relações que estabelecemos com os pais/encarregados de educação têm como objetivo que os alunos se sintam integrados e felizes no Agrupamento, procurando envolvê-los (por exemplo, o projeto Academia Digital para Pais, a participação nas diferentes atividades, como sejam, “Mostra das Sopas”, “Dia do Agrupamento”, “Sarau”, envolvimento na Equipa de Autoavaliação, na elaboração da newsletter).

As relações estabelecidas entre o Agrupamento e a Associação de Pais e Encarregados de Educação sempre se pautaram por um espírito de colaboração, com o intuito comum já referido: propiciar que os alunos se sintam bem no Agrupamento de Escolas de Anadia.

 

JA – Que balanço faz do ano letivo que está agora a terminar?

AM – Na nossa ótica, o balanço é, francamente, positivo. Num contexto difícil (na senda de uma pandemia), temos muitos alunos migrantes, que entram permanentemente no sistema, alterando a tipologia e a dinâmica das turmas, uma gestão quotidiana marcada por aspetos pouco favoráveis (por exemplo, elaborar serviços mínimos para docentes e não docentes em 19 estabelecimentos de ensino), consideramos que não houve sobressaltos no funcionamento da Instituição – muito pelo espírito de cooperação e entreajuda dos profissionais que trabalham neste Agrupamento. O nosso Plano Anual de Atividades, muito vasto e rico na diversidade, tem dado respostas educativas aos diferentes níveis educacionais, sempre no intuito de facultar experiências gratificantes aos nossos alunos.

 

JA – Que respostas formativas terá o Agrupamento para o próximo ano letivo?

AM – Vamos manter a nossa oferta formativa, na consideração da auscultação à Comunidade educativa. Assim, teremos os Cursos Científico-Humanísticos (Ciências e Tecnologias, Ciências Socioeconómicas, Línguas e Humanidades, Artes Visuais), Cursos Profissionais, dupla certificação, nível IV (Desporto, Gestão e Programação de Sistemas Informáticos, Animador Sociocultural, Manutenção Industrial – Mecatrónica, Turismo), 3.º Ciclo, Cursos de Educação e Formação (tipo II), Empregado de Restaurante/Bar e Serralheiro Mecânico.

Temos, ainda, na Educação e Formação de Adultos, Certificação Escolar e/ou Profissional, Cursos Português Língua de Acolhimento, Cursos EFA, Formações Modulares e, naturalmente, o Centro Qualifica (a que já fizemos menção).

Como Estabelecimentos de Ensino, registamos os Centros Escolares (Arcos, Avelãs, Paredes e Sangalhos, nas valências da Educação Pré-Escolar e 1.º CEB); ainda na valência da Educação Pré-Escolar, os Jardins de Infância de Amoreira da Gândara, Mata da Curia, Poutena, Tamengos, Vila Nova de Monsarros e Vilarinho do Bairro; no 1.º CEB, as Escolas Básicas de Aguim, Chãozinho, Mogofores, Moita, Poutena, Tamengos e Vila Nova de Monsarros; a Escola Básica de Vilarinho do Bairro, com 1.º, 2.º e 3.º CEB e a Escola Básica e Secundária de Anadia, com 2.º e 3.º CEB e Ensino Secundário.

Esclarecemos, ainda, que o Agrupamento, no próximo ao letivo, vai contar com 5 Unidades de Ensino Estruturado para alunos com Perturbações do Espetro do Autismo (UEEA): Centros Escolares de Arcos, Avelãs de Cima, Paredes do Bairro, Sangalhos e Escola Básica e Secundária de Anadia (nesta existe uma sala de estimulação sensorial, vulgo snoezelen).

JA – Os rankings nacionais de notas são uma preocupação?

AM – Não, não são. A nossa preocupação é prestar um excelente serviço educativo, científica e pedagogicamente sustentado. Nos aludidos rankings temos ficado muito bem classificados, mas isso vale o que vale. Leia-se, há inúmeros e incontáveis fatores a considerar nesta classificação, o que significa que essa não é uma motivação, de todo. O que nos move é facultar aos nossos alunos as bases que lhes permitam singrar no seu percurso pessoal, académico e profissional.

 

JA – De que forma as constantes greves afetam o normal funcionamento da escola e os processos de aprendizagem?

AM – Devemos enaltecer a postura dos diligentes profissionais da educação que trabalham neste Agrupamento: não obstante as justas reivindicações que estão subjacentes a toda uma carreira, com os custos conhecidos, as lutas não colocaram em causa o processo ensino/aprendizagem. Reitera-se: neste processo, difícil, os profissionais de educação colocaram como prioridade os alunos, não beliscando o essencial.

 

JA – Há falta de professores no Agrupamento? Como correu este processo este ano?

AM – Como já dito, temos um grupo docente estável – contudo, por diferentes vicissitudes, por vezes os docentes não podem prestar o seu serviço educativo (o mesmo se aplica ao pessoal não docente). Quando isso acontece, sentimos dificuldade na substituição, muito por aquilo que nós interpretamos, ao longo do tempo, no desinvestimento na Educação. Num setor absolutamente fulcral e decisivo como é a Educação, deveria ter havido a preocupação em valorizar a carreira e os seus profissionais (sejam eles docentes ou não docentes). Grassa, hoje por hoje, um descontentamento generalizado porquanto há o sentimento de que não foram devidamente acauteladas todas as condições que favoreçam aquilo que é fundamental: a educação de uma geração.

Os alunos passam, diariamente, em tempo útil, mais tempo na Escola que em casa. Ora, isso devia suscitar a reflexão acerca da essencialidade do papel que se deve atribuir a esta atividade.

Atualmente, todos sabem de educação e sentem que têm opinião válida, independentemente do contexto e dos saberes que estão em causa. É importante elevar o conceito atinente à educação, valorizar os conhecimentos, afirmar o valor dos profissionais, dotando-os de autoridade pedagógica. A família e a escola têm de estar imbuídas do mesmo espírito. Até porque ambas alcançam um objetivo comum: a felicidade dos alunos e o seu sucesso no presente e no futuro (as suas conquistas orgulham-nos a todos) – quando se perceber isto, a Educação ficará mais nobre!

 

JA – Atualmente quais os maiores desafios da comunidade escolar?

AM – Num mundo de incerteza, temos de nos preparar para a novidade, para percursos alternativos, saberes diferenciados. Todos os dias surgem profissões que jamais imaginámos. O paradigma é “aprender a aprender”. Sem preconceitos e com vontade, permanente, de desconstruir e estudar sempre. Num Agrupamento com a dimensão do nosso temos a preocupação da escassez de Assistentes Operacionais – sentimos necessidade de mais pessoas, para um acompanhamento de proximidade e de uma gestão adequada de recursos humanos. Os alunos com necessidades educativas (recordamos o número: 190) exigem mais assistentes operacionais dedicados. Não basta fazer a lei – é imperioso ser consequente e dar às escolas os recursos necessários.

 

JA – Que mensagem deixaria a quem procura o Agrupamento para estudar?

AM – Os motivos já foram, sobejamente, abordados. Não obstante, citamos, de forma sucinta, que o nosso Agrupamento tem um cuidado, já demonstrado, com a sustentabilidade, educa e constrói na diversidade, defende inúmeras causas solidárias, o respeito mútuo, a tolerância, a cidadania e a participação, a disciplina, a autonomia, o empenho, a responsabilidade e a integridade, a curiosidade, a reflexão e a inovação, o pensamento crítico e criativo, a excelência e a exigência. Para um melhor entendimento, fará sentido analisar o nosso Projeto Educativo. E, sem prejuízo dessa leitura, deixamos os nossos princípios – perfil de base humanista, que cultivamos: Educar ensinando para a consecução efetiva das aprendizagens; Incluir e integrar como requisito de educação; Contribuir para o desenvolvimento sustentável; Educar ensinando com coerência e flexibilidade; Agir com adaptabilidade e ousadia; Garantir as condições de estabilidade relacional e psicoemocional; Valorizar o saber, a inovação, a exigência; Promover a reflexividade; Fomentar a solidariedade e cooperação; Promover o intercâmbio em contexto europeu.

 

O Agrupamento de Escolas de Anadia tem 19 Estabelecimentos de Ensino, 149 turmas, 328 Docentes e alberga um total de 2824 alunos. Estes alunos distribuem-se por: Educação Pré-Escolar, 326 alunos; 1.º CEB, 829 alunos; 2.º CEB, 407 alunos; 3.º CEB, 649 alunos; Ensino Secundário, 386 alunos; Cursos Educação Formação, 20 alunos; Ensino Profissional, 207 alunos.

Existem 190 alunos com Necessidades Educativas, 53 alunos a frequentar Português Língua Não Materna e 35 alunos com Português Língua de Acolhimento. Com Currículo Específico Individual têm 11 alunos.

Alunos estrangeiros no Agrupamento de Escolas de Anadia são 537, oriundos de 34 nacionalidades diferentes.

O Centro Qualifica, nos dados relativos a julho de 2022, tem os seguintes formandos: para certificação/qualificação de nível básico, 302; para certificação/qualificação de nível secundário, 374; para certificação profissional/formação, 378 perfazendo um total de 1054 formandos.

Portanto, na sua globalidade, o Agrupamento de Escolas de Anadia compreende 3878 alunos/formandos. Relativamente ao ano anterior regista-se um aumento.

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