Conhecemos melhor a União de Freguesias de Amoreira da Gândara, Paredes do Bairro e Ancas e fazemos o balanço de três anos de trabalho liderados, no seu último mandato, por Ema Paula Pato. Além do que já está feito, perspetivamos o que falta fazer nos meses que nos separam das próximas eleições autárquicas.
Jornal de Anadia (JA) – Que balanço faz, agora que entramos na reta final do mandato?
Ema Pato (EP) – O balanço até agora é positivo. Sempre com muito trabalho, com muita coisa a fazer. Tentamos ter sempre o trabalho orientado para que não falhe nada, ou para que falhe o menos possível. É uma União de Freguesias, o que exige um pouco mais.
JA – Qual o maior problema com que esta freguesia se debate?
EP – Temos uma grande dificuldade em encontrar empresas ou prestadores de serviços que nos apresentem orçamentos para obras e, posteriormente, que executem essas mesmas obras. Além da falta de disponibilidade para orçamentar, há também para fazer grandes ou pequenas obras. Até podemos ter dinheiro e ideias e projetos, mas depois temos dificuldade que avancem.
JA – A população da freguesia está envelhecida?
EP – Sim, eu penso que sim. Tenho alguma esperança que, de futuro, com a expansão da Zona Industrial de Amoreira da Gândara, mais jovens se venham fixar aqui na União. A construção da Quinta do Rangel em Ancas também espero que venha dar aqui uma pequena força e incentivo. Há muitas casas fechadas, seja a precisar de obras ou não, que os proprietários não têm interesse em arrendar e isso também afasta as pessoas.
JA – Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?
EP – Penso que o básico e as infraestruturas base estão feitas e com boas condições. Entendo que grandes obras não estão em falta, é só a manutenção e melhoramento do que existe. O nó da autoestrada A1 é algo que muito ambicionamos. Mas também uma via alternativa à estrada de Ancas, porque precisávamos muito de tirar o trânsito, seja ligeiros ou pesados, daquele centro. Gostava também muito de terminar a parte de baixo da Junta de Freguesia em Amoreira da Gândara e levar para lá o espólio do Baluarte que tenho pena que fique perdido. É um espólio muito rico e que merece a sua dignidade.
JA – De que forma pode a Junta de Freguesia ajudar na integração de novas pessoas?
EP – É verdade que há muitos imigrantes a chegar à Freguesia, à semelhança do que acontece em todo o país. Mas devo dizer que, até à data, não nos foi pedido qualquer tipo de apoio direto. Pedem muitas vezes atestados de insuficiência económica, para aceder a subsídios e atestados de residência. Mas temos o cuidado de nos certificarmos que não vive muita gente na mesma casa e não passamos mesmo estes atestados sem nos certificarmos que na casa há condições para viver o número de pessoas que indicam.


EP – A relação tanto com o executivo como com os serviços é ótima e tem sido desde o início. É óbvio que nós gostaríamos sempre de muito mais e reclamamos muito, porque também faz parte do nosso trabalho. Mas não tenho razão de queixa.
JA – O que está cumprido e o que ainda lhe falta fazer até ao final do mandato?
EP – Tudo aquilo a que nos propusemos fazer está praticamente concluído. É óbvio que gostaríamos sempre de muito mais. Gostaríamos de ver ainda terminado o largo da Igreja em Ancas, que não depende só de nós, mas também do apoio da autarquia. Gostaríamos ainda de restaurar o edifício dos antigos correios de Paredes do Bairro que, depois de muito tempo, temos finalmente agendada a escritura porque já conseguimos ficar com o edifício. Se tudo correr bem e se quem estiver de futuro à frente desta Junta seguir a mesma linha de pensamento, a ideia seria torná-lo como um abrigo temporário e social. Já está fechado há cerca de 20 anos e está a ficar um pouco devoluto, precisa de grandes intervenções principalmente no piso e no telhado. Na altura a população juntou-se para comprar o edifício, mas depois o serviço de correios encerrou e fecharam as portas. Era propriedade dos CTT por doação da população e tentamos agora que reverta para a Junta, para estar ao serviço da população. Nos últimos anos já temos sido nós a fazer a manutenção básica, porque mais ninguém quis saber.
JA – Que diferenças vê entre a Junta que encontrou em 2013 e agora em 2025?
EP – É difícil responder a esta pergunta, porque passámos de três Juntas de Freguesia para uma União que juntou estes três territórios. Mas certamente haverá algumas. Comprámos máquinas, equipamentos, ferramentas, trator, uma carrinha… O que existia era reduzido. O facto de termos feito esta União trouxe também mais dinheiro e mais possibilidades.
JA – Quais as grandes diferenças entre gerir uma Freguesia ou uma União de Freguesias?
EP – Eu acho, muitas vezes, que se olha para a União das freguesias de forma negativa, mas é só um “bairrismo”, porque só ficámos a ganhar. Temos mais dinheiro e mais recursos para trabalhar. As pessoas não deixaram de ter atendimento nas suas “freguesias”, ou localidades. Na minha opinião só tivemos a ganhar. Fui muito bem recebida em todos os lugares e sinto-me bem em qualquer lugar. No início houve alguma reticência por parte de algumas pessoas sobre o local onde ficaria instalada a sede, mas a minha preocupação sempre foram as pessoas e a comunidade. Hoje todas as pessoas me respeitam porque também tenho uma postura próxima de todos. Eu vou trabalhar junto com todos os funcionários e faço todos os trabalhos que forem preciso. É a minha forma de ver as coisas.
JA – E quanto ao apoio ao associativismo? A União é dinâmica em relação às atividades das associações? Qual o papel da Junta de Freguesia?
EP – Após a pandemia o associativismo ficou muito parado. Houve associações que pararam e outras abrandaram muito. Tenho noção que para nos dedicarmos a estas causas é preciso tempo mas muitas vezes dinheiro também. E isto é uma das coisas que me custa muito ver. A pandemia também mudou muito as pessoas, ficámos mais fechadas. Agora também há muita coisa para nos entretermos em casa e as pessoas saem menos. Certo que ainda há muita atividade associativa em Paredes do Bairro e Ancas, mas foi reduzindo nos últimos anos. Nós apoiamos sempre que podemos.
JA – Porque decidiu a recandidatura por um movimento independente?
EP – No primeiro mandato fui convidada e assumi o desafio, mas nunca, em tempo nenhum, achei que fosse ganhar. Achei que as pessoas iam votar PSD por ser já hábito. No segundo mandato pensei em desistir, mas deram-me força e continuei, porque a equipa de todos os presidentes de Junta manteve-se unida foi a eleições novamente. Neste último mandato entendi que seria uma continuidade. O sentimento de equipa e família, dentro deste Movimento Independente, fez a diferença na minha decisão e gostaria que mantivéssemos esta união após este ciclo.
JA – Vai afastar-se da vida política?
EP – Ainda não tomei essa decisão. É cansativo, com dissabores, mas tem também muita coisa boa.
JA – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
EP – Gostava que fossem mais unidos, mais participativos, mais ativos na sociedade. Ficávamos todos a ganhar. Vê-se nos eventos que organizamos, que aparecem sempre poucas pessoas, e às vezes até aparecem mais pessoas de fora.

